Até ao último fôlego do mundo
Até ao último fôlego do mundo, tudo isso
a que chamam amor há-de recomeçar mais
uma vez, e ser a rosa de alguém quando eu
julguei que era minha, como cristalino ofício.
*
Alguém há-de com essa luz nos olhos, contar
os planetas no céu, depois todas as estrelas
e assim perceber, na fronteira das bússolas,
que o sol voltado para dentro é o teu reflexo.
*
Por isso, tudo há-de recomeçar mais uma vez,
alguém, depois de inventariarem as minhas
cinzas, há-de descrer outra vez Deus por amor.
*
Tudo isso, “a entoação sobre o fogo”, há-de ser
proclamado canto aos peixes por outro alguém;
um coração, e alguém há-de aprender a respirar.
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