Não te escondas mais entre os versos inúteis

como a rosa em jardim obscuro ou como o peixe

em rios de névoa nocturna, não te escondas mais

por entre as perdas do amor, sê ainda o teu êxtase.

                                    *

Não te escondas “entre os mundos” dissimulados,

o medo é sempre um templo fechado de inverno

e até o do velho tigre é como a secura das pétalas

da rosa ou como a sede das escamas do peixe.

                                    *

Arrisca, pois, a perda e o pranto, e oferta à tua fala

uma cinza de vida, deixa estalar violento o chicote

nas alvoradas, “a morte é uma flor” cantante e pura.

                                    *

Quando impotente a olhas de frente e lhe estendes

a mão, a luz é sempre cintilante e viva, até mesmo

a do louva-a-deus devorado pela fêmea em seu amor.

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