O precipício extasiado
Ama como se agarrasses tudo
pela última vez. Sustém o peso
rubro do coração na deslocação
sísmica do mundo. Respira forte
como se todas as pedras, flores,
anzóis e palavras dispusessem
para breve em tua frágil gorja
uma paisagem murada. Oferta‑te
ao opulento silêncio da morte
como uma combustão violenta
que abrasa a previsível ciência
divina. Embriaga‑te uma última
vez no verbo veemente da rosa
alucinada na nervura dos olhos.
Sê agora “ouro e a gema impura”.
*
É o amor, o precipício extasiado
inquietando o sonho da perfeição,
uma gnose branca, a representação
expansiva de “um líquido céu que
se difunde astros” ainda em ti.
*
Labirinto, labirinto – um quase
nada da límpida memória de Deus.
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