estação qualquer
ontem meu amigo se atirou nos trilhos do trem
e não houve quem se atirasse postumamente
nem para salvá-lo
nem para imitá-lo
covardes
compareceram ao enterro, porém
exceto os mais covardes dentre
eu o vi se atirar e não me atirei
tampouco compareci ao seu enterro
morrendo de medo dos mortos, como morro
mas atirarei flores aos trilhos da estação ano sim ano não
sabendo que, como todos, há muito me atirei de uma estação qualquer
e apenas caio como um lenço ao vento
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Não sou assim o tempo inteiro
posso rir até a asfixia
de um vídeo de fantoches
e depois quase morrer
estrangulado pela ausência
de alguém que super…
Héber Luciano
Colecionador de perdas
no começo da vida,
colecionou cartões telefônicos,
figurinhas de Copa do Mundo
e bolinhas de gude;
depois colecionou
camis…
Héber Luciano
Frag
Fragmentado como se antes fosse agora Furacão de sentimentos no vazio Interior se quebrando em miúdos Exterior como uma lagoa
Não tenh…
gmarotta
Ipês-amarelos o ano inteiro
hoje não posso morrer
porque amanhã preciso
entregar um relatório.
(essa necessidade
de agradar é uma forma
esquisita…
Héber Luciano