Se me falta o chão em que piso
se me falta o chão em que piso, procuro no próximo passo a convicção de firmeza e se o agora é inconsistente volto-me para o futuro que desconheço. carrego comigo o peso de outras vidas. junto forças que não tenho para fazer do meu rastejar minha andança nesta árida estrada. trago
no peito a fé dos que acreditam no implausível e aguardo a redenção adormecida. foi preciso perder-te e que me perdesses para aprender o significado da palavra deserto, para encontrar o itinerário que precisa ser refeito, para entender que tudo passa, tudo volta, tudo sempre está, para que conhecesse quem realmente somos, quem não éramos, para descobrir que existiam outras mãos e em cada uma delas outras linhas do destino. em cada lábio que encontro recolho uma hóstia.
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