Jardim

Jardim

n. 0000-00-00, Niteroi

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antes que eu pudesse

antes que eu pudesse me dar conta, desde o princípio, antes mesmo dete conhecer, já te amava. cultivava este amor repleto de promessas imprevistas,em outro hemisfério, em terras distantes, em outro continente, por cruzar marese oceanos até me encontrar. já amava a tua cor e o teu toque, tuas palavrasantes que as ouvisse, já previa o emaranhar de nós e nosso abraço, minha ânsiaem percorrer teus relevos e teus segredos, teus pelos em minha boca, a umidadeentre tuas pernas. já tinha minhas mãos à espera das tuas, sempre aguardando atua chegada, o momento delas envolverem os teus peitos. te esperei, repleto dehistórias de outras tantas que se desvaneceram no momento em que teus lábios seencontraram com os meus.

Poema do Livro Crônicas do Amor Impossível

Autor: Jardim

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Biografia
Dizer quem somos soa estranho, como se estivéssemos completos, finalizados, como se a vida fosse linear e não a permanente e constante mutação em processo que encarnamos.
Sou tudo o que o mundo me ensinou a ser, mutante como os dias. Me desfaço em versos e me renovo em notas, versos que muitos talvez não entendam, notas que muitos talvez não ouçam. Minha mão cria a dança das letras através da melodia da alma. Dá cor às coisas que não têm cor, transforma, transmuta as palavras. Poeta é o olhar que pratico. É o olhar que enxerga o mundo no mosaico da poesia. Escrever é conhecer-se, é descobrir a própria história oculta. É decifrar o que nos pertence, o que se perde, o que se refaz.
Sou apenas um bardo. Nada além daquele que quero ser. Nada aquém daquele que fui. Sou o que sou e porque assim sou não sei. Sou o que sou porque assim me tornei. Resultado de tudo aquilo que senti, tudo aquilo que criei, das histórias que inventei, dos sentimentos que fingi, daquilo que sofri, daquilo que ganhei. Sou parte de um todo. Um caminho sem rumo. Um brinquedo nas mãos da matemática do caos. Sou apenas um bardo errante.
Me faço poeta para libertar as emoções que estão aprisionadas nas masmorras da alma, refugiar-me dos meus demônios, contar as mentiras que me tornam verdadeiro, palavras sem importância em seu momento derradeiro. Diante do escudo e da espada, na guerra eterna de todos os dias, na guerra desigual de todas as noites. Sou a soma de tudo o que vivi e que sonhei, um colecionador dos resultados que os dados do acaso fornecem.
Ergo minha bandeira de causa nenhuma, entre becos, ruelas estreitas, curtas, sem saída, vivendo o tempo que me resta, adiante de alguma fatalidade. Cruzando com os que partem, com os chegam, com os que se fragmentam contra o tempo, com os que plantam rosas nos jardins.
Na vida real meu nome é Sergio Almeida, apátrida, habitante de Niterói, RJ, vivendo o meu destino de fênix, um minuto de cada vez, nestes campos de desigualdade. Poeta pela necessidade fisiológica da prospecção de mim mesmo, em busca da minha humana tradução, independente de escrever. Me procurando, me perdendo, me recompondo, em busca de um espaço para chamar de meu.
Jardim: s.m. Segundo o Aurélio espaço ordinariamente fechado, onde se cultivam árvores, flores, plantas de ornato. Jardim: na vida real cidadão anônimo comum que também luta pela sobrevivência, ciente de que o Universo não é necessariamente justo ou injusto, alguém que ainda vive, que busca e espera, acerta e erra, que aceita o custo de estar vivo O jardim é uma tentativa humana de organizar a natureza, ordenar o desordenado e também uma alternativa para organizar e conciliar a metamorfose das emoções, ordenar as leituras de mundo, decifrar a própria existência. Mas Jardim também é aquele que me habita, meu alter ego que assina estas poesias. Um pedaço de mim que se aventura pelos portais onde nunca me aventurei. Aquele que enxerga até onde meus olhos não alcançam. Aquele que se traveste de sonhos e prova sua íntima parcela de morte e de vida. Aquele que espera e conquista. Que chora e sorri. Aquele que escreve o Livro dos Dias. Assim como o outro também é uma tentativa de organizar minhas impressões e leituras de mundo. É uma forma de registrar as emoções que me escapam pelos poros e que também me alimentam os sentidos. Minha âncora, meu sangue, minha sede. Em sua incandescência a nomear as coisas, apagar as sombras, revelar o íntimo das palavras. Meu maior patrimônio são os meus versos, com eles construo meu jardim.

Poemas

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antes que eu pudesse

antes que eu pudesse me dar conta, desde o princípio, antes mesmo dete conhecer, já te amava. cultivava este amor repleto de promessas imprevistas,em outro hemisfério, em terras distantes, em outro continente, por cruzar marese oceanos até me encontrar. já amava a tua cor e o teu toque, tuas palavrasantes que as ouvisse, já previa o emaranhar de nós e nosso abraço, minha ânsiaem percorrer teus relevos e teus segredos, teus pelos em minha boca, a umidadeentre tuas pernas. já tinha minhas mãos à espera das tuas, sempre aguardando atua chegada, o momento delas envolverem os teus peitos. te esperei, repleto dehistórias de outras tantas que se desvaneceram no momento em que teus lábios seencontraram com os meus.

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antes que eu pudesse

antes que eu pudesse me dar conta, desde o princípio, antes mesmo dete conhecer, já te amava. cultivava este amor repleto de promessas imprevistas,em outro hemisfério, em terras distantes, em outro continente, por cruzar marese oceanos até me encontrar. já amava a tua cor e o teu toque, tuas palavrasantes que as ouvisse, já previa o emaranhar de nós e nosso abraço, minha ânsiaem percorrer teus relevos e teus segredos, teus pelos em minha boca, a umidadeentre tuas pernas. já tinha minhas mãos à espera das tuas, sempre aguardando atua chegada, o momento delas envolverem os teus peitos. te esperei, repleto dehistórias de outras tantas que se desvaneceram no momento em que teus lábios seencontraram com os meus.

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Na minha boca calada



na minha boca calada guardo palavras mortas e assisto um mundo que silencia turvo e triste, nada mais o que dizer diante desta imobilidade. há uma remota sensação de estar vivo apesar das evidências. só tu permaneces, ainda que ausente. atravessas as horas como se o tempo fosse para ti um brinquedo, como se fôssemos eternos, como se fosse possível esperar o teu
retorno e que novamente caminhássemos juntos. estranha liberdade que me torna insensível ao azul do céu, que esconde os meus alicerces ruídos, a minha casa incendiada, a minha rota abortada. um pouco mais e se terá ido o teu olhar, mais um pouco e também a tua pele. em seguida o vento levará o teu cheiro, assim como já levou as minhas ambições. escrever é lembrar quem fomos, é aceitar quem jamais seremos.


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A casa está vazia



a casa está vazia, estar só torna-se um compromisso. o teu cheiro, porém, continua no ar, o mesmo ar ordinário que respiro e que traz o aroma de quando estavas aqui. a falta que me fazes, porém, é um prémio. é um presente que custei a aceitar e que me libertou do senso comum, do ofício de fabricar ilusões, da necessidade de acreditar em contos de fadas, de protagonizar ficções baratas, da dose diária de mediocridade.

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Se me falta o chão em que piso



se me falta o chão em que piso, procuro no próximo passo a convicção de firmeza e se o agora é inconsistente volto-me para o futuro que desconheço. carrego comigo o peso de outras vidas. junto forças que não tenho para fazer do meu rastejar minha andança nesta árida estrada. trago
no peito a fé dos que acreditam no implausível e aguardo a redenção adormecida. foi preciso perder-te e que me perdesses para aprender o significado da palavra deserto, para encontrar o itinerário que precisa ser refeito, para entender que tudo passa, tudo volta, tudo sempre está, para que conhecesse quem realmente somos, quem não éramos, para descobrir que existiam outras mãos e em cada uma delas outras linhas do destino. em cada lábio que encontro recolho uma hóstia.



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Foram eternos dias



foram eternos dias a procurar-te até que enfim desistisse, guiado por uma inútil esperança até que esta em pó se desfizesse. tanto foi o tempo a modificar-te que te tornaste como quando não existias. voltaste a ser como se nunca te tivesse encontrado, quando não sabia que havias nascido, alguém que passava por mim anónimo na multidão. os lençóis que nos envolviam já não existem. somos o que não éramos, o que poderíamos ter sido, o que nunca fomos. foram dias e dias, insano e cego, oco e roto, até me convencer que nunca te conheci, que as minhas mãos nunca te tocaram e te percorreram, que nunca me enrosquei na textura dos teus pelos, que nunca conheci os teus medos, que nunca te deitaste a meu lado e repousaste tua cabeça sobre meu peito, que nunca fizemos planos, que nunca invadi tuas fendas. me concedeste a oportunidade de estar livre de meus enganos.



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Acostumamo-nos



acostumamo-nos com aquilo que esperávamos sem nos importarmos quando viria ou mesmo se viria. cultivámos flores sem perfume, um amor contido que continuávamos aguardando nascer. ao acordarmos do sonho, assistimos a esse vir a ser sem a certeza de vir, um anseio inacabado que enfim se dá por concluído.



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