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Poemas
Victor Araújo
Apreciador da arte e da peculiaridade do estético.
1992-06-01 Natal -RN
11697
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6
Alguns Poemas
SUBVERSIVIDADE
Contestar a ordem.
Desligar os televisores.
Estimular o caos.
Por fim a era dos detentores.
LINHA RETA
Apontaram-me o caminho em linha reta,
em linha reta busquei a paz.
Observei os desvios que se apresentavam,
a inércia não me permitiu ousar.
Pelo menor ângulo que houvesse dado à minha trajetória,
em outro lugar certamente estaria.
Prossegui na rigidez retilínea
por comodismo ou por uma falsa superioridade moral.
Talvez me faltasse tudo,
talvez me faltasse nada.
A totalidade das possibilidades.
Cartas na manga.
Um maniqueísmo sem fim
segurou o meu volante
em um piloto automático
na artificialização do meu ser.
IMPOSIÇÃO
Rabiscando sobre um papel amassado,
a mão navega livre o papel
enquanto navego sobre os meus pensamentos.
Por momentos,
as coisas parecem não terem importância.
Tudo vago, impreciso...
Passageiro.
Alguém me toca o ombro,
não sei se despertei ou adormeci.
Observo a letalidade da força.
A autoproclamação da realidade enquanto realidade.
Reivindica para si o absoluto.
O epicentro da totalidade.
Atravessa minha mente
na velocidade da luz.
PREVISIBILIDADE
Onde tudo é sólido, artificial e previsível,
sou volátil, natural e risco.
Onde tudo é falsamente construído,
tomo um martelo para quebrar esses muros.
Sim, é um jogo de cartas marcadas.
Sabemos que não há espaço.
Nego-me a sentar convosco.
Exijo a destruição da vossa mesa.
Adaptar-se é uma forma de prisão.
Quem dá os termos?
A cada dia não enxergo uma única fresta de luz.
Apenas mal-estar e desconforto.
Não assinei nenhum contrato.
Essa força cada vez mais esmaga.
Só existem falsas possibilidades,
onde tudo é o que não deveria ser.
DILEMAS
Solenemente diante das expectativas
trazem consigo lamentos.
Vazios de um tempo sem tempo algum.
Girando tornados sobre si mesmos,
as cabeças que voam até o topo do eixo
deslizam e escorregam pelas fatalidades.
Assim, se foram, se vão, se esvaem
na medida simetricamente desigual
das curvas do mercado financeiro.
Pensar o que? Pensar em quem?
Individualismo e coletivismo
Duas faces da mesma moeda?
Hipocrisias diante do nada?
Talvez, para além do bem e do mal.
Da banalidade das necessidades.
Das necessidades banais.
Paraísos de refúgios
A boa cabeça feita
Sequer um relapso de ressentimento
Lutar para que? Lutar por quem?
Nebulosas contradições
O impedimento da moral
Há espaço para a esperteza?
Há espaço para a covardia?
CANSADO
Estou cansado.
Cansado de mim,
cansado do mundo.
Deito meu corpo.
A mente permanece inquieta.
Buscando algum sentido
em algum lugar.
Cansado permaneço
como meu estado
estado de espírito.
Aguardo os momentos
onde irei revigorar.
Faíscas de ilusão.
Pequenos escapes.
A Iminência
Talvez você possa ouvir
a voz que clama por justiça,
os passos da própria mudança
e qualquer transformação por vir.
Talvez você possa ouvir
a iminência de uma revolução,
o tremor de um ajuste de contas
e um rearranjo na ordem de tudo.
INCERTO
O homem de ontem
que se dispara contra o hoje.
Rechaçado pela angústia.
Fragmentado pelas dores.
O homem de hoje
se ergue para o incerto.
Rastejante da necessidade.
Circulando no deserto.
O homem do incerto
projeta-se para o túmulo.
Olhando para trás.
O destino obscuro.
CONFIGURAÇÕES RECOMENDADAS
Vivendo através de configurações recomendadas
perseguindo tesouros abstratos,
todas as ações tornam-se instrumentalizadas para esse fim.
A contínua substituição do viver pelo existir
é um fato dramático que,
por sua vez,
abre uma bifurcação no caminho: robotização ou niilismo?
JAULAS INVISÍVEIS
Eu queria dormir e acordar com a certeza da incerteza.
Olhar pela janela e ver um mar de desconhecidos,
contemplar a diversidade.
Eu queria que o hoje não fosse igual ao ontem
e muito menos ao amanhã.
Poder sair na rua e me ver diante de infinitas possibilidades,
mas estou preso no estático.
No lugar onde nada muda, apenas deteriora-se.
Onde tudo é previsível
e a única certeza é a do desgaste.
Jaulas invisíveis tornam-se mais sólidas.
A esperança morreu.
Onde o sol nasce por hábito.
Onde o relógio move-se por falta do que fazer.
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