Nascido a 07 de março de 1950.
Lista de Poemas
Acabou de acabar
O ontem não mais existe e o amanhã é incerto e distante.
No hoje, uma parte já é passado e não mais importa. O que resta além do agora em que existimos, depende de um talvez.
Amei, amo e talvez amarei.
Fui, sou e talvez, serei.
E seguimos plantando certezas que talvez germinem, para que possamos vivê-las ao mesmo tempo que descartamos ilusões, já imprestáveis e carcomidas.
Carregamos nos ombros o peso das responsabilidades que criamos ou assumimos e nossos passos, deixam suas marcas alongadas na poeira da estrada. Sonhamos com o diferente e por vezes, acabamos perdendo o igual que nos serve, desobjetivando o futuro, desviando o caminho, esquecendo os rumos traçados.
Não somos o que pensamos ser e também não somos o que imaginam sermos, pois somos atores neste palco. Somos pensamentos formados pelo meio ao qual nos submetemos e nossa pretensa liberdade está rodeada de grades, cercas e arames farpados.
Felizes pássaros engaiolados ou infelizes pássaros engaiolados que disputam na existência, um lugar no poleiro em que dormem e sonham em se tornarem reis nesta gaiola.
Mas o tempo marca nosso tempo de forma implacável, cruel e finita.
Em minhas mãos...
Trago nas mãos, minhas razões.
São tantas empilhadas na minha memória. Representam muito para mim.
Só, para mim.
É provável que não importem a mais ninguém, pois para entender as razões alheias precisaríamos ter vivido a vida de quem as tem.
Tenho nas mãos, minha história.
Vivida e lapidada a cada dia. Como uma corda trançada com fios diversos, mas que formam um mesmo corpo.
Venho tecendo essa corda sem descansar um só minuto. Ao final da vida, não servirá a ninguém, pois todos se preocuparão apenas com o que ela possa ter amarrado e não o quanto custou-me tecê-la.
Seguro nas mãos alegrias e tristezas. Compreensões e incompreensões.
Lembranças que hoje moldam o que sou e no que me transformei.
Seguro nos dedos as saudades que mereci carregar.
Algumas leves como plumas, outras possuem o peso do chumbo. Não consigo deixá-las. Fazem parte de mim, me pertencem.
Tenho em minhas mãos, uma folha de papel em branco e um lápis, tosco e mal apontado, ambos postados sobre uma mesa iluminada com a luz trêmula de uma lâmpada que pende do teto.
Tenho minhas mãos frias. Mãos, que aprenderam, a esperar...
Adoração
Na noite que nos envolve, apenas o luar e as estrelas iluminam seu corpo.
Prosto-me aos pés do altar em que adormeces e ofereço-me em adoração. Suas pálpebras guardam o doce e a luz do seu olhar e o compasso do seu coração inunda minha vida de paz.
Aromas de amor perfumam os seus sonhos...
O imortal estremece.
O infinito se apequena.
Perguntas
Pergunte à lua, que no céu atrás das nuvens,
Nos flagrou em longos beijos, salpicados de paixão.
Se era amor, ou tão somente o desejo
De estar sempre ao seu lado, alegrando o coração.
Pergunte ao sol, que da varanda das auroras
Criava um novo dia, emprestando o seu brilhar.
Se o motivo por tamanha alegria, que no meu peito explodia,
Nascia no seu olhar.
Pergunte a Deus, que criou o infinito
E o bordou com estrelas para as noites enfeitar.
Se o que sinto é tão somente um querer
Ou se é meu modo de ser, viver só para te amar.
Mortais humanos
E quando dei por mim, escalava a íngreme ladeira da vida.
A brisa das horas batia em meu rosto e acariciava meu cansaço.
Ah! Tempo, tempo...
Por que quanto mais me apresso, mais você se distancia?
São milhões de relógios loucos “tictaqueando” os meus passos, seguindo-me nessa jornada vazia e inexplicável.
O ontem hoje já é passado e corro em busca do amanhã, que não sei o que me reservará. Mas haverá sol e talvez à noite se veja o luar.
Os anos passaram como ventania e enrugaram minha face. Deixaram gravados em meus olhos perdidos a história que me foi emprestada e que interpreto a cada sopro.
Em meio à multidão de iguais, sinto-me diferente, assim como cada um.
Rio-me da soberba, da riqueza dos materiais, do ego maltrapilho.
Mal consigo balbuciar meu grito de liberdade. Pra que? Ninguém o ouvirá.
Será olvidado sob essa montanha de folhas manuscritas, onde se eternizará a saga dos mortais humanos...
Sonhos de amor
Um dia imaginei amar.
E na obstinação de meu desejo, sonhei um futuro sem corpo, uma vida sem alma.
Era paixão, não mais que paixão... Um querer desenfreado, uma dança sem música, um voo sem asas pelo qual insisti, persisti, lutei, sofri...
Vítima de minha insistência, refém do amor-próprio e do orgulho ferido, fiz desse querer o que de mais importante existia no meu viver. Pura loucura! Apenas loucura...
O tempo carrega sonhos assim como o vento carrega folhas e nunca se sabe ao certo, onde irão pousar. Mas ao pousar já serão mortos e o voo terá sido em vão. O preço se paga em tempo, em vida perdida.
O grito de amor precisa ecoar em nossos sentidos e somente assim poderá acontecer. O grito que se perde na amplidão apenas nos desorienta.
Errar é plenamente humano, mas usar da razão também o é.
Então abri meus ouvidos para ouvir de onde clamavam por mim... Foram os mais puros e sonoros gritos, que jamais serão esquecidos ou desprezados. Ali encontraria minha realidade e poderia ser a verdade na vida de alguém.
Poderia enfim, amar.
Perdoa-me
Perdoa-me se no ímpeto de meu amor, maculei sua paz.
Como ondas do mar arremessadas contra as pedras, meus desejos atingiram o seu momento e fui mar bravio contrapondo-me à placidez de sua enseada.
Tempestades deixam marcas, mas são passageiras e a calmaria desponta a seguir trazendo a brisa amena e assim, quero soprar sobre seu universo, a cada instante da minha breve eternidade.
Candelabros
Que se tenha por utopia estar amando
Enquanto os braços do sofá limitam os corpos.
Dá-se ao salão o direito ao espanto
Da escuridão mórbida à frágil luz do encanto.
Espreguiça-se no chão o vil tapete,
No silêncio onde crepitam carvões
E imitam o que arde dentro ao peito,
Na loucura onde crepitam corações.
Tinge a lua de luar toda a varanda,
Baila a cortina enquanto canta a brisa
E apaga a luz do candelabro.
Na penumbra se esbarram sussurros,
De um grito ao gentil murmúrio,
Qual prisioneiros em um porão macabro.
Karma
Desça cuidadosamente a ladeira da tua vida
Pois um passo trôpego levará à queda e te erguerás ferido e mais distante do fim.
As pedras do caminho são resistentes, mas cada vez mais lisas e escorregadias.
É preciso chegar... É preciso... É preciso chegar.
Carregue e entregue teu fardo, mesmo que isso te custe em dor.
Se o largares pelo caminho, lá ficará e será sempre teu.
O tempo te furtará as forças e elas se tornarão diminutas.
É preciso entregar...É preciso... É preciso entregar.
Estenda tua mão e ajude a quem ainda sobe pela ladeira
Para buscar o próprio fardo à entregar.
A jornada é sempre incerta e a piedade é salvadora
É preciso se apiedar... É preciso... É preciso se apiedar.
Poucas palavras
Em poucas palavras, escrevo e descrevo a minha vida.
Sou um sonhador. Nada mais.
Amo tudo o que tenho e desejo coisas que sei jamais poder alcançá-las.
Dizia Platão que o amor era algo essencialmente puro e desprovido de paixões, enquanto estas eram consideradas cegas, materiais, efêmeras e falsas.
Platão falava sobre o certo, mas ao mesmo tempo, sobre o inexistente. Era um sonho, nada mais.
O amor humano requer matéria, requer paixão, requer escolhas, requer ocasiões. Chamamos de amor a nossos interesses.
O que deveria ser a realização de um sonho, hoje é mera conquista, apenas mais um troféu a embandeirar nossas estantes. Mas os troféus também perdem seu brilho, envelhecem e caminham para o esquecimento.
E nos tornamos sós, rodeados por milhões de solitários.
Comentários (32)
José Roberto Under
José Roberto Under
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Nascido a 07 de março de 1950.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime