A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

Perfil
492 190 Visualizações

Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
Ler poema completo
Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

719

Acabou de acabar

 

O ontem não mais existe e o amanhã é incerto e distante.

No hoje, uma parte já é passado e não mais importa. O que resta além do agora em que existimos, depende de um talvez.

Amei, amo e talvez amarei.

Fui, sou e talvez, serei.

E seguimos plantando certezas que talvez germinem, para que possamos vivê-las ao mesmo tempo que descartamos ilusões, já imprestáveis e carcomidas.

Carregamos nos ombros o peso das responsabilidades que criamos ou assumimos e nossos passos, deixam suas marcas alongadas na poeira da estrada. Sonhamos com o diferente e por vezes, acabamos perdendo o igual que nos serve, desobjetivando o futuro, desviando o caminho, esquecendo os rumos traçados.

Não somos o que pensamos ser e também não somos o que imaginam sermos, pois somos atores neste palco. Somos pensamentos formados pelo meio ao qual nos submetemos e nossa pretensa liberdade está rodeada de grades, cercas e arames farpados.

Felizes pássaros engaiolados ou infelizes pássaros engaiolados que disputam na existência, um lugar no poleiro em que dormem e sonham em se tornarem reis nesta gaiola.

Mas o tempo marca nosso tempo de forma implacável, cruel e finita.

126

Faz tempo

 

Faz tempo que não nos vemos...

É que estive por aí, sem desejo, sem objetivo, sem rumo!

Talvez tenha sido a insegurança do amanhã que tenha me desmotivado. Talvez a hipocrisia dos homens, a falsidade, a ganância, possam ter feito com que me perdesse no tempo.

E ficar por aí, é fuga.

Fugir do mundo, dos fatos, das palavras vazias.

Olhar o todo, sem me importar. Nenhum sentimento...

Apenas, olhar.

Pouco importa se os sonhos se desfizeram. Eram apenas sonhos e sem eles o futuro fica mais leve,

pois mescla-se com o nada e o nada se transforma em tudo que se tenha a esperar...

E voltar...

Não para recomeçar ou mesmo continuar, mas apenas para estar.

Estar sem saber da flor, da dor ou do amor. Sem cantar a canção, sem viver a ilusão.

Deixar que a vida decida e eu apenas, siga.

91

Em minhas mãos...

 

 

Trago nas mãos, minhas razões.

São tantas empilhadas na minha memória. Representam muito para mim.

Só, para mim.

É provável que não importem a mais ninguém, pois para entender as razões alheias precisaríamos ter vivido a vida de quem as tem.

Tenho nas mãos, minha história.

Vivida e lapidada a cada dia. Como uma corda trançada com fios diversos, mas que formam um mesmo corpo.

Venho tecendo essa corda sem descansar um só minuto. Ao final da vida, não servirá a ninguém, pois todos se preocuparão apenas com o que ela possa ter amarrado e não o quanto custou-me tecê-la.

Seguro nas mãos alegrias e tristezas. Compreensões e incompreensões.

Lembranças que hoje moldam o que sou e no que me transformei.

Seguro nos dedos as saudades que mereci carregar.

Algumas leves como plumas, outras possuem o peso do chumbo. Não consigo deixá-las. Fazem parte de mim, me pertencem.

Tenho em minhas mãos, uma folha de papel em branco e um lápis, tosco e mal apontado, ambos postados sobre uma mesa iluminada com a luz trêmula de uma lâmpada que pende do teto.

Tenho minhas mãos frias. Mãos, que aprenderam, a esperar...

 

142

Mortais humanos

 

E quando dei por mim, escalava a íngreme ladeira da vida.

A brisa das horas batia em meu rosto e acariciava meu cansaço.

Ah! Tempo, tempo...

Por que quanto mais me apresso, mais você se distancia?

São milhões de relógios loucos “tictaqueando” os meus passos, seguindo-me nessa jornada vazia e inexplicável.

O ontem hoje já é passado e corro em busca do amanhã, que não sei o que me reservará. Mas haverá sol e talvez à noite se veja o luar.

Os anos passaram como ventania e enrugaram minha face. Deixaram gravados em meus olhos perdidos a história que me foi emprestada e que interpreto a cada sopro.

Em meio à multidão de iguais, sinto-me diferente, assim como cada um.

Rio-me da soberba, da riqueza dos materiais, do ego maltrapilho.

Mal consigo balbuciar meu grito de liberdade. Pra que? Ninguém o ouvirá.

Será olvidado sob essa montanha de folhas manuscritas, onde se eternizará a saga dos mortais humanos...

139

Karma


Desça cuidadosamente a ladeira da tua vida

Pois um passo trôpego levará à queda e te erguerás ferido e mais distante do fim.

As pedras do caminho são resistentes, mas cada vez mais lisas e escorregadias.

É preciso chegar... É preciso... É preciso chegar.

Carregue e entregue teu fardo, mesmo que isso te custe em dor.

Se o largares pelo caminho, lá ficará e será sempre teu.

O tempo te furtará as forças e elas se tornarão diminutas.

É preciso entregar...É preciso... É preciso entregar.

Estenda tua mão e ajude a quem ainda sobe pela ladeira

Para buscar o próprio fardo à entregar.

A jornada é sempre incerta e a piedade é salvadora

É preciso se apiedar... É preciso... É preciso se apiedar.

333

Poucas palavras

Poucas palavras.

 

Em poucas palavras, escrevo e descrevo a minha vida.

Sou um sonhador. Nada mais.

Amo tudo o que tenho e desejo coisas que sei jamais poder alcançá-las.

Dizia Platão que o amor era algo essencialmente puro e desprovido de paixões, enquanto estas eram consideradas cegas, materiais, efêmeras e falsas.

Platão falava sobre o certo, mas ao mesmo tempo, sobre o inexistente. Era um sonho, nada mais.

O amor humano requer matéria, requer paixão, requer escolhas, requer ocasiões. Chamamos de amor a nossos interesses.

O que deveria ser a realização de um sonho, hoje é mera conquista, apenas mais um troféu a embandeirar nossas estantes. Mas os troféus também perdem seu brilho, envelhecem e caminham para o esquecimento.

E nos tornamos sós, rodeados por milhões de solitários.
214

Diamantes

Ouço ao longe o sons dos bandolins.
E os invejo.
Porque conseguem transmitir o amor, que por ironia, sinto,
Sem entretanto conseguir que seja entendido...

Ah! Esse amor que guardamos ,mesmo que ferido.
E o amor ferido mata aos poucos aquele que ama.

Que se ouçam os bandolins!
Meus sentimentos precisam de ouvidos mais apurados.
Se não os tenho, aceito...

Viver é eterno desafio. Que ele venha.
Sei de meus sentimentos e os de mais ninguém.
Que se tenha a sensibilidade de reconhecer diamantes, em meio às pedras...
146

Meu caro Poeta. ( Em resposta ao poema TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS, de Fernando Pessoa)

Ah! Meu caro poeta...
Perco-me em sua leitura
Onde um pensar manuscrito
Reflete uma vida tão pura.

Como dizer-se ridículas
Palavras sobre um sentimento
De amor, que assim declarado, 
Expressa uma dor, um tormento...

Pois amar é mesmo assim...
São dores em aluvião,
Que inundam a mente de sonhos
E bombardeiam a razão...

Não é risível o amor
Venha de onde vier, 
Seja ele de quem for, 
E o receba quem puder.

Não é uma zombaria
Um querer que mora no peito
Amar é uma iguaria, 
Um alimento perfeito!

De alto teor nutritivo, 
Nada tem de irrisório...
Venha ele de Platão, 
Ou, seja ele... Ilusório.

 O amor pertence a quem sente,
O a quem dele usufrua...
Amor - Verdade latente!
Amar - Esperança nua!
230

Eternize


Que a história nos eternize, como amantes humanos,
que pela paixão e na carne saboreiam sentimentos.
Pois no querer que a vida cria, entrega e rege,
somos dois elementos que se mesclam e homogeneízam.
Que o futuro saiba, que amar é possível.
Que a sublimação de nosso amor,
vem do calor emanado de nossos corpos,
da luz de nossos olhares, da chama da nossa paixão.
Que jamais sejamos admirados ou invejados
mas, simplesmente, nos vejam como a confirmação
de que amar não estabelece limites...
Ama-se o quanto de amor se possa imaginar, somar e doar.

 

169

Premissas


Não rogue ao tempo as benesses da vida
Que por vivida atingiu o normal,
Não vale o rogo do choro doído,
Que por meritória, não se fez real.

Dentro a armadura da indiferença
Floresce a crença e murcha o saber
Não faz a verdade tão só o que se pensa
Não faz a vitória tão só o querer.

O passado é livro, o futuro é o branco
As causas não fazem valer as ações
O que julgas ser, plenamente correto,
A vida rejeita, expondo as razões.

É mais humilde aquele que ouve
Ou o orador de peito farto?
São quatro os motivos que fazem o justo:
O primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto.

149

Comentários (21)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.