Lista de Poemas

Alheio



Desci pelas íngremes ladeiras, onde o amor se escraviza
E se torna servil à realização dos desejos.
Abri mil portas e aspirei, o acre perfume dos plásticos
Plantados em terras áridas, regados com suor sob a luz dos abajures.

Não encontrei humanos, apenas panos com recheio de carne,
Sugando do mofo dos bancos dos bares, distante dos lares
Algures nos tempos entre as ondas dos mares.

Desci ao profundo inferno infame, e descartei-me de todo velame
Ficando à deriva e à mercê do destino.
Que desatino, que vida desvairada, que mundo escuro...
Que sob o duro concreto dos muros,
Transcorre alheio nos céus clandestinos.
105

Deixa

Deixa...

Existem muitos caminhos nesta vida, que um dia bifurcam.
Seguimos até aqui lado a lado, mas é hora de seguirmos caminhos diferentes.

Deixa...

Assim como alguns caminhos se distanciam, existem outros que se unem, assim como os nossos uniram-se um dia.

Deixa...

Palavras se escrevem a cada instante e as histórias se formam no tempo.
A vida fez o prefácio de nossa história e caberá a ela escrever o final.

Deixa...

Nossas pegadas deixaram marcas.
O vento e a chuva poderão apaga-las do chão, mas elas continuarão vivas nas páginas que juntos escrevemos.

Deixa...

A brisa sopra suave e carrega o tempo.
Pisaremos em pedras e conheceremos de obstáculos diferentes, assim como saciaremos nossa sede de nascentes diversas.
Aprenderemos.

Deixa...

Caberá a nós encenarmos os próximos capítulos que a vida escreverá.
O final da história é inevitável, mas a verdade que nela estará contida, caberá a nós revelarmos.
187

Como é triste...



Como é triste:
A alma que não ama;
A boca que não clama;
O corpo que não deseja;
O peito que não se inflama;

A tarde fria e cinzenta;
A dor que não se aguenta;
O coração que lamenta;
O sonho que não nos alenta.
110

Alma bandida


Meu coração está vazio. 
Vazio de sentimentos.
Meu coração está seco. 
Será pó em algum momento.
Meu coração está mudo. 
Não mais o sinto bater.
Meu coração está frio. 
De amargura vai tremer.

Sol poente, chão de terra. 
Nuvens no céu de algodão.
Meus atalhos, descaminhos. 
Vou buscar a solidão.
Nenhum riacho ouvi, 
sua água oferecer...
A sede de amor nos mata! 
Por ela talvez, vá morrer.

Minha alma está rasgada.
Foi a lamina da falsidade.
Minha alma está doída. 
Dor não se vê, na verdade.
Minha alma é fugitiva. 
Atrás dela eu não sigo.
Minha alma é bandida. 
Nem ela, quer ficar comigo!

128

Soneto  para um amor.


 
Quis dedicar-lhe um soneto,
Como fosse um amuleto,
Que lhe garantisse sorte,
Sempre que o fosse ler.
 
Que trouxesse à sua lembrança
Mil palavras de esperança...
Que levasse segurança
E paz para o seu viver.
 
Ao final da minha escrita
Com a caneta nas mãos
Fiz a dedicatória:
 
Por tantos dias felizes,
Guarde sempre este soneto
Retrato de nossa história.
122

Sonetando lembranças.

Quem é você lembrança?
Por que tanto me persegue?
Não fico um só dia em paz,
Que estraga-los, você consegue!
 
Por que não me deixa viver?
Quem é você, pensamento?
Não posso mais ter alegrias,
Que você vem me falar de tormentos!
 
Do fundo da minha história,
Revira as minhas memórias
Quem é você que me invade?

 Ah! Já deveria saber...
Só pode ser mesmo, você!
Vê se me esquece, Saudade!
143

Dia a dia


A cada hoje, não sou o mesmo que ontem fui. Algo mudou em mim. Uma nova ruga, talvez.
 O brilho de uma nova compreensão ou a dor de uma nova incompreensão, me completa.
A cada hora, sou uma nova existência. A cada minuto, sinto-me diferente.
Mais sofrido, quem sabe? Mais sábio? Quem dera!
Se a cada dia, sou uma nova pessoa então, ama-me hoje, queira-me agora.
Amanhã, pode não mais existir motivo para tal.
183

Lágrimas que caem

E as lágrimas afloram, explodindo em centenas de botões brilhantes na face.
Coração em descompasso, respiração ofegante... Ansiedade latente.

Chorar porque se chega à vida,
Chorar porque se sente a morte.
Lágrimas pela dor sofrida,
Ou pela alegria da sorte.

Prantos nas despedidas,
Ou por reencontrar
Águas que brotam nos olhos
E vem para o rosto molhar.

Choramos por sentir saudades,
De um amor que acabou...
Choramos por uma conquista,
Que a nossa vida mudou.

Choramos enfim por tristezas,
Também pela felicidade.
Chorar traz conforto à alma,
Chorar é sentir, de verdade.
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É assim que acontece.

Você não sabe... sequer viu!
Mas logo ali, tem alguém,
Lhe olhando diferente.
Alguém que fica contente,
Quando lhe vê passar.
E nem sabe, nesta alegria,
O quanto tem de agonia,
Por não poder lhe abraçar.

A vida tem dessas coisas,
Por vezes até engraçada.
Não esperamos por nada
E o amor, sem querer, aparece!
Não sabemos de onde vem,
Quando, como ou por quê?
Mas ele nos traz alguém!
É assim que acontece!...
 

 

144

Aconteceu assim.

E o canto do pássaro soou triste.

O céu já não tinha a mesma beleza, as árvores não pareciam mais tão exuberantes como antes. O murmúrio das águas do riacho, soavam como lamentos de dor.

Toda a mata sentia. Ali terminava uma paixão.

E passaram a fazer parte da história, tantos sonhos, quantos risos soltos, juras, abraços apertados, beijos alongados, mão segurando mãos. A brisa da tarde que antes acariciava o rosto, agora enxuga a lágrima que teima em rolar pela face.

O sabiá, aninhou-se choroso. O lambari escondeu-se por debaixo da rama. E o silêncio aconteceu.

Ah! Coração!

Entendo seu descompasso, que busca bater no tempo de um soluço. Entendo o ar que se rarefez desconcertado e faltou à respiração ofegante. Entendo a turbidez do olhar, que  procura em vão ver o que não mais existe.

Deixe que a noite venha... Espere a lua sair e quem sabe em seu lume encontre forças. Em sua cor prateada consiga ler palavras de consolo. Quem sabe a dança dos pirilampos possa trazer algum alento. Quem sabe exista vida, após o amor.

Quem sabe, depois da noite, o sol se deixe ver  brilhar...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.