Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Quis dedicar-lhe um soneto, Como fosse um amuleto, Que lhe garantisse sorte, Sempre que o fosse ler.
Que trouxesse à sua lembrança Mil palavras de esperança... Que levasse segurança E paz para o seu viver.
Ao final da minha escrita Com a caneta nas mãos Fiz a dedicatória:
Por tantos dias felizes, Guarde sempre este soneto Retrato de nossa história.
132
Sonetando lembranças.
Quem é você lembrança? Por que tanto me persegue? Não fico um só dia em paz, Que estraga-los, você consegue!
Por que não me deixa viver? Quem é você, pensamento? Não posso mais ter alegrias, Que você vem me falar de tormentos!
Do fundo da minha história, Revira as minhas memórias Quem é você que me invade?
Ah! Já deveria saber... Só pode ser mesmo, você! Vê se me esquece, Saudade!
152
Dia a dia
A cada hoje, não sou o mesmo que ontem fui. Algo mudou em mim. Uma nova ruga, talvez. O brilho de uma nova compreensão ou a dor de uma nova incompreensão, me completa. A cada hora, sou uma nova existência. A cada minuto, sinto-me diferente. Mais sofrido, quem sabe? Mais sábio? Quem dera! Se a cada dia, sou uma nova pessoa então, ama-me hoje, queira-me agora. Amanhã, pode não mais existir motivo para tal.
191
Lágrimas que caem
E as lágrimas afloram, explodindo em centenas de botões brilhantes na face. Coração em descompasso, respiração ofegante... Ansiedade latente.
Chorar porque se chega à vida, Chorar porque se sente a morte. Lágrimas pela dor sofrida, Ou pela alegria da sorte.
Prantos nas despedidas, Ou por reencontrar Águas que brotam nos olhos E vem para o rosto molhar.
Choramos por sentir saudades, De um amor que acabou... Choramos por uma conquista, Que a nossa vida mudou.
Choramos enfim por tristezas, Também pela felicidade. Chorar traz conforto à alma, Chorar é sentir, de verdade.
209
É assim que acontece.
Você não sabe... sequer viu! Mas logo ali, tem alguém, Lhe olhando diferente. Alguém que fica contente, Quando lhe vê passar. E nem sabe, nesta alegria, O quanto tem de agonia, Por não poder lhe abraçar.
A vida tem dessas coisas, Por vezes até engraçada. Não esperamos por nada E o amor, sem querer, aparece! Não sabemos de onde vem, Quando, como ou por quê? Mas ele nos traz alguém! É assim que acontece!...
153
Aconteceu assim.
E o canto do pássaro soou triste.
O céu já não tinha a mesma beleza, as árvores não pareciam mais tão exuberantes como antes. O murmúrio das águas do riacho, soavam como lamentos de dor.
Toda a mata sentia. Ali terminava uma paixão.
E passaram a fazer parte da história, tantos sonhos, quantos risos soltos, juras, abraços apertados, beijos alongados, mão segurando mãos. A brisa da tarde que antes acariciava o rosto, agora enxuga a lágrima que teima em rolar pela face.
O sabiá, aninhou-se choroso. O lambari escondeu-se por debaixo da rama. E o silêncio aconteceu.
Ah! Coração!
Entendo seu descompasso, que busca bater no tempo de um soluço. Entendo o ar que se rarefez desconcertado e faltou à respiração ofegante. Entendo a turbidez do olhar, que procura em vão ver o que não mais existe.
Deixe que a noite venha... Espere a lua sair e quem sabe em seu lume encontre forças. Em sua cor prateada consiga ler palavras de consolo. Quem sabe a dança dos pirilampos possa trazer algum alento. Quem sabe exista vida, após o amor.
Quem sabe, depois da noite, o sol se deixe ver brilhar...
148
E quando...
E quando a velha alegria, transformar-se em agonia E as lembranças de outros dias, lhe impedirem adormecer, Lembre momentos felizes, lembre as horas vividas, Lembre-se da nossa vida, lembre o nosso querer.
E se a tristeza vier, de mansinho, sorrateira, Pra ficar horas inteiras aguçando seu sofrer, Pense no amor que fizemos, nos momentos que tivemos, Pense na eternidade que juntos juramos viver.
E sempre que a solidão, for a sua companheira E no seu peito a dor, não for coisa passageira, Não permita que a saudade, transforme-se em ansiedade, Você conhece o caminho! Venha correndo, me ver...
174
Essa aflição matadeira
Ah! Essa aflição “matadeira”, Que chega assim tão ligeira Nem dá tempo pra pensar... Chega sem fazer afago, No coração faz estrago, Judiando sem cessar.
Ah! Essa ansiedade! Que age sem piedade, Transforma as horas em dor. Essa agonia incessante, Não dá trégua um só instante... Esse mal é mal de amor!
Não sei quem foi que criou, Esse sentir tão profundo, Que domina nossa vontade. Juro! Queria saber, Quem fez isso acontecer... Quem inventou a saudade?
230
Remorsos
Os piores momentos passaram e hoje fazem parte de um longínquo passado. O ódio, o rancor, as mágoas, as incertezas, angustias, expectativas, esperas e tudo aquilo que fora tão marcante, hoje se resume em solitárias e opacas lembranças perdidas no tempo.
E ao nos reencontrarmos com a calma perdida e com o poder da ponderação, questionamos o que nos tenha levado àquelas atitudes, hoje... Incompreensíveis. O que afinal era tão importante a ponto de tirar nossa paz? O que enfim nos fez desviar do caminho traçado para abandonar-nos em um emaranhado de dúvidas?
Por que não entendemos, por que não dialogamos, por que não fomos verdadeiros e não expusemos nossas fraquezas? Por que não pedimos perdão, por que não perdoamos, por que permitimos que tudo terminasse assim?
Hoje, saboreamos o amargor do arrependimento e já conseguimos enxergar com clareza, tudo aquilo que outrora nos cegava. Mas o relógio cumpriu sua sina e fez com que este abismo que agora nos separa se consolidasse. Sentimos o desejo de voar sobre ele, mas falta-nos a força para transpô-lo pedra por pedra.
E agora?
O que esperar da vida que não se fez?
Do destino que não se cumpriu?
Do futuro que nunca chegou?
Do amor que não aconteceu?
286
Quase nada
Sendo o tudo, quase nada, Mesmo que pouco pareça É o que tenho a oferecer.
Ficou perdido na estrada, O sonho que nas madrugadas, Vi aos poucos fenecer.
Sonhei com lindas auroras, Mas tantas lutas inglórias, Fizeram-me perceber,
Que o amor tem poder infinito, Mas hoje não me iludo, Pois pode também morrer.
“Sono alegre, ma non tropo” Porque a felicidade, Também fez-me compreender,
Que pode o pouco ser muito, Que pode o nada ser tudo, Quando se fala em viver.
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime