Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Os piores momentos passaram e hoje fazem parte de um longínquo passado. O ódio, o rancor, as mágoas, as incertezas, angustias, expectativas, esperas e tudo aquilo que fora tão marcante, hoje se resume em solitárias e opacas lembranças perdidas no tempo.
E ao nos reencontrarmos com a calma perdida e com o poder da ponderação, questionamos o que nos tenha levado àquelas atitudes, hoje... Incompreensíveis. O que afinal era tão importante a ponto de tirar nossa paz? O que enfim nos fez desviar do caminho traçado para abandonar-nos em um emaranhado de dúvidas?
Por que não entendemos, por que não dialogamos, por que não fomos verdadeiros e não expusemos nossas fraquezas? Por que não pedimos perdão, por que não perdoamos, por que permitimos que tudo terminasse assim?
Hoje, saboreamos o amargor do arrependimento e já conseguimos enxergar com clareza, tudo aquilo que outrora nos cegava. Mas o relógio cumpriu sua sina e fez com que este abismo que agora nos separa se consolidasse. Sentimos o desejo de voar sobre ele, mas falta-nos a força para transpô-lo pedra por pedra.
E agora?
O que esperar da vida que não se fez?
Do destino que não se cumpriu?
Do futuro que nunca chegou?
Do amor que não aconteceu?
289
Nenhuma palavra
A mão paira sobre a folha em branco. Nenhuma palavra...
Meus pensamentos sobrevoam esse oceano de ilusões Em que agora navego, como se fossem gaivotas, Prontas para se alimentarem dessa fragilidade e desta incerteza.
Assim como é incerto o momento, Assim como é incerto o futuro. Assim como são incertas as lágrimas, Assim como é incerta a solidão.
Lembranças de chegadas e partidas, Abraços de despedidas e de reencontros Lenços molhados por um adeus, Olhos marejados por uma esperança.
Ah! Como o pensamento veleja nas águas da amargura, Levado pelos vendavais da dor, rumo às ilhas dos desenganos.
Talvez, me reencontre no amanhã. Talvez o sono profundo venha em meu socorro. Talvez consiga encontrar nesta confusão de sentimentos Alguma frase esquecida no tempo E que me faça entender o porquê dessa ansiedade e o porquê dessa saudade...
568
Quase nada
Sendo o tudo, quase nada, Mesmo que pouco pareça É o que tenho a oferecer.
Ficou perdido na estrada, O sonho que nas madrugadas, Vi aos poucos fenecer.
Sonhei com lindas auroras, Mas tantas lutas inglórias, Fizeram-me perceber,
Que o amor tem poder infinito, Mas hoje não me iludo, Pois pode também morrer.
“Sono alegre, ma non tropo” Porque a felicidade, Também fez-me compreender,
Que pode o pouco ser muito, Que pode o nada ser tudo, Quando se fala em viver.
553
Falando de nós
Pairou sobre nós, a mística do momento. A comunhão de nossas almas, rebuscando velhos sonhos e anseios, já maltrapilhos.
Ah! Por quanto tempo esperei...
Toda uma vida de busca se fez findar, em um olhar, meigo e vívido. Fascinante! Todo um mundo de rotas desilusões, se permitindo renascer em uma avalanche de esperanças.
Estava escrito e selado, lacrado à fogo: Seria para sempre!
Quando um sentimento invade nossas vidas de forma tão avassaladora e ao mesmo tempo tão transparente, tudo se transforma em lógica e realidade.
Quando nossos corações perdem o compasso e passam a bater em uníssono com outro coração, deixamos de nos pertencer, deixamos de ser apenas um
e mergulhamos nas águas turbulentas das loucas paixões, quando lutaremos pela sobrevivência, buscando as areias mornas das praias onde o futuro nos espera de braços abertos.
Sei que hoje, sou você. É assim que me completo.
Sinto que você está em mim. Sinto seus dedos entrelaçados aos meus, mostrando para o mundo de que forma nossas vidas estarão unidas para a eternidade.
Sinto a paz dominar minha existência.
Na serenidade dos seus olhos, Na beleza do seu sorriso, Na presença do seu perfume, No calor do seu corpo,
Na imensidão do nosso amor.
557
Silente
Silente. Apenas meu olhar sobrevive. Silente. No peito, a tristeza grita, ensurdece. Silente. Desisti das palavras. Elas não tem mais sentido. Silente. É o que me resta. É o que nos resta. Chegamos aqui... E então, me calo. E na minha mudez me resguardo de todos os pensamentos sombrios. Porque faltam-me adjetivos e verbos que expressem essa totalidade de sentimentos. E mudo sou conselheiro. Calado sou poeta. Inexpressivo sou compreensivo.
746
A morte da poesia.
Quando a poesia for morta, não ofereça flores.
Pois qualquer forma de amor Ou demonstração de beleza, Sutileza, delicadeza, pureza, A fará ressurgir para a vida.
Poesia é o amor oculto, É a paixão retumbante, São os olhos marejados, Um coração pulsante.
Porque, poesia é o vento Que move as pás do moinho. É o desígnio divino Que torna a ave ao seu ninho.
É a palavra sentida, Revelando o sentimento, É a lágrima sofrida E o retrato de um momento.
693
Mergulhado em poesias
Desculpe, mas estou lhe amando. Sei que você não pediu. Mesmo assim, aconteceu... E enquanto o tempo, veloz, vai passando, Em meu peito vou carregando, este amor que é todo seu.
Perdão, por não me conter... Tem fatos que a vida não explica. Não poderia eu saber, que mesmo assim, sem querer, O amor aparece, e fica.
Se hoje me faço poeta, ouço falar: Quem diria! Mas, por não poder lhe abraçar, Passo meus dias na escrita, Mergulhado em poesias...
759
Desenganos.
Vi refletida nas aguas calmas, a tua imagem. Era assim, como as árvores do entorno, De plácida e exuberante natureza. E quedei-me por momentos, entre encantado e absorto.
Mas a fidelidade do espelho, não revela a alma. E o tempo agirá, como a brisa que sopra serena, E fará turvar o que é tão somente reflexo, Fazendo-nos olhar de frente para a realidade.
E assim nossos olhos enganam nossos corações, Quando permitem que nos apaixonemos pelas aparências, Imaginando que elas possam nos revelar o íntimo.
E assim nossas ilusões transformam-se em amarguras, Nossos sonhos se desfazem massacrados pelos fatos, E nossas vidas se perdem em labirintos de desenganos.
679
A tela da saudade
Sob a languidez da tarde que se arrasta, ainda adornada pelos últimos e doirados raios de sol, ouve-se ecoar em meio aos montes que emolduram a velha vila, o badalar dos sinos da antiga e desbotada capela.
O meditar é incontrolável e nos arrasta à introspecção... A vida vai passando sorrateira, fingindo-se dormente. Os dias que se sucedem são iguais e os momentos perdem-se no tempo.
Até os pássaros da praça central parecem ser sempre os mesmos, como se o passar dos anos nada modificasse. As crianças continuam a correr por entre os canteiros de flores, felizes, barulhentas, ligeiras, extravasando toda a alegria que viver possa oferecer.
Casais de namorados passeiam pela calçada, alimentando a esperança do amor eterno. As cadeiras nas varandas acomodam pais e avôs, que trocam suas experiências do dia, como fosse um ritual, onde histórias se eternizarão nas memórias.
E a lágrima que rola na face tem o sabor doce, de uma saudade que certamente, virá...
1 067
Maravilhoso amar.
Nosso amor é sol de verão!
Bronzeia nossos corpos e nos dá a grandeza da luz.
Essa paixão é calor, é fogo que aquece a alma
E faz do mundo um lugar apenas nosso...
Nossos sonhos são vapores de água do mar,
Que ascendem aos céus em forma de desejos
Para depois se precipitarem sobre nós,
Formando chuvas de comemoradas realizações.
E emergimos da terra e florescemos entre pétalas e folhas,
Para que uníssonos brademos nossa alegria.
Porque é maravilhoso te amar, porque é gratificante ser amado,
Porque resumimos todo esse querer em uma só palavra: Vida!
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime