Lista de Poemas

Lugar luar (poema musicado)


Lá longe o sol, se espreguiça nas manhãs,
E à tardinha chega aqui. Vai do dia descansar...
Na noite sonha, com os verdes, com os rios...
Tal qual eu sonho, com a luz do seu olhar.

Na madrugada, passarinhos em seus ninhos,
Buscam abrigo e um pouco de calor.
Busco em seus braços um momento de carinho,
Encontro paz, ao me entregar ao seu amor.

No alto a lua, vaidosa se descobre,
Afasta as nuvens e libera o luar.
O firmamento, vendo este gesto nobre,
Espalha estrelas, para a noite enfeitar.

Tanta pureza, guardo no meu coração,
Só no ponteio da viola pra contar...
E da varanda, solto a voz em serenata,
E canto pra minha amada, as belezas do lugar.
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Reflexo


Pude ver pelo reflexo nas águas translúcidas da lagoa, que o brilho do seu olhar desvanecia.
Flagrei o sol roubando-te a luz para dourar o entardecer que se fazia.
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Confesso


Ficou o vazio. Restou a solidão.
Em meu coração a sensação de perda é muito grande.
Parece até que sempre estivemos juntos,
E eu não consigo mais  me acostumar a estar sem você.

Como é estranha essa casa vazia,
Como sinto a falta de ouvir seus passos.
O silêncio é um punhal que entra aos poucos na carne.
Rasga, fere, aniquila qualquer tentativa de resistir a dor.

E aí, eu me entrego e fico assim, olhando para o nada.
Fico pensando que talvez eu não tenha tentado ao menos, perdoar.
Fico imaginando que poderia ser diferente,
Fico ensaiando pequenos sorrisos enquanto brinco com nossas lembranças...

Imaginar que nada restou do que fomos,
Imaginar que tantos planos não representam mais nada,
Imaginar o tempo que me resta para quem sabe, um dia
Acalmar a dor da sua ausência.

Estranho, mas agora me dou conta que em nossa despedida,
Eu não disse nada disso enquanto a porta se fechava.
Apenas deixei minhas mágoas falarem, mas elas não são nada.
Mágoa alguma poderá justificar estar agora, sem você.


Em mim, a dor da sua ausência.
Dentro da nossa casa, o vazio.
Acontecendo em nossas vidas, o desencontro
Dentro de cada dia, a saudade...
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Algoz, o destino.


E tendo como algoz o próprio destino,
Mergulhava nas águas da solidão.
Era escuro e frio o seu caminho
Era vida por vida, sem emoção.

E como é difícil ser sozinho,
Vagar nesse mundo, mar de amplidão.
E como é triste sofrer sem carinho,
Sem um querer, um amor, uma ilusão.

Aos ventos soprava em confissão,
Desejos, sonhos não mais que quimeras.
E os dias a passar se seguiam,
E as horas, somavam em esperas.

E quando só nos sentimos,
Mal maior não pode haver.
Não saber o por quê de existirmos,
Não compreender o por quê de viver.
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Morrer (texto)


Vi a planície verdejante e o riacho que se retorcia em meio a ela.
Da altitude em que voava, vi animais minúsculos que corriam por entre um pujante arvoredo.
Vi minha sombra atravessar  velozmente os espaços... Eu era um pássaro!  Mas, como?
Um pássaro de grandes asas. Planava livre e com facilidade.
Sentia o vento no rosto. A brisa guardava o frescor das manhãs daquela primavera. Uma sensação inexplicável de liberdade tomava conta de mim. Eu voava!!!
Lembro-me bem que ainda ontem, revirava em um leito de hospital, sentindo dores terríveis... Lembro-me  de diversos médicos entrando no quarto.. o corre-corre dos enfermeiros... o sono profundo e aquela sensação de paz. Como eu poderia estar agora, voando? Eu morri? 
Lembro-me de te ver ao meu lado, segurando minhas mãos... Lembro também das lágrimas que vi nascerem em seus olhos e rolarem pelas suas faces, já marcadas pelo tempo... Onde estou? Que lugar é esse? Como vim parar aqui? Onde está você?
Não desejo essa liberdade, se o preço dela for a sua tristeza Não desejo ser feliz se por isso tenha que aceitar a sua ausência. Não quero morrer para você... Não quero que você morra para mim...
Uma velha e frondosa árvore me chamou a atenção. Voei até ela e pousei no alto de sua galhada. Vi um ninho. Voei para perto dele... Lá havia outro pássaro. Era igual a mim.

Você?...
Mas....como?
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Era o sol de Maria (poema musicado)


E o sol que nascia, no mês de dezembro,
Já via Maria, nas ondas do mar.
E a luz que ofuscava, e dourava o horizonte,
Fazia seu corpo, sensual, brilhar.

O vento que vinha, soprando na praia,
Sua pele molhada, teimava em secar.
Pra longe levava, sabor de Maria,
Perfume envolvente, a inebriar.

Manhãs de alegria, manhãs de dezembro,
Na história ficaram, como a enfeitar,
O tempo de ontem, tempo de Maria,
Quando o amor, se banhava no mar...
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Minha lua (poema musicado)


Vivia perdido e sozinho no mundo,

Andava vagando, sem ter um porquê.

Até que deitado na areia da praia

Meus olhos se abrem e vejo você.

 

Assim sua luz, entrou na minha vida,

Assim meu amor por você nasceu.

Eu sempre lhe olhava mas, nunca lhe via

Eu sempre lhe tive, mas nunca fui seu.

 

Assim que o seu brilho entrou na minha alma,

Me trouxe a calma, me deu a razão,

Você é guia e mentora da vida,

E estará para sempre no meu coração.

 

Agora eu passo as noites nas ruas,

Olhando o céu, a lhe procurar.

Assim que a vi, brilhando tão nua,

Eu soube que, lua... Eu nasci pra lhe amar!

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Minhas verdades


E eu gritei aos ventos.
Eram as minhas verdades e não cabiam mais no peito...
Precisava explodir.

E o vento levou-as a você,
E você pensou que fosse uma canção.
E cantou e cantou, sem prestar atenção às palavras.
 
E o vento levou-as às montanhas
E lá, foram de encontro aos rochedos,
E se transformaram em ecos, que se confundiram e morreram...

E o vento levou-as ao mar,
Que as repetiu no murmurar das ondas,
Até que se perdessem na vastidão das praias...

E o vento levou-as aos céus,
E elas choveram sobre mim, fazendo-me compreender.
Serem apenas minhas, estas verdades.
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Presença


Quando a saudade, bater em seu peito
E a distância nos separar
Pense em mim, porque do mesmo jeito,
Só em você, estarei a pensar.

Quando a tristeza chegar à sua alma
E não tiver a quem confessar,
Fale ao vento, eu escutarei
E seu coração, saberei confortar.
 
Quando enfim precisares de mim,
Só para estar perto e poder abraçar,
Basta chamar o meu nome, baixinho,
Que junto a você eu prometo estar.

 
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Não vou morrer de amor.


Não, não vou morrer de amor...
Não pela sua presença marcante, seu perfume único, seu charme irresistível.
Não, não vou morrer de amor...
Não pelo seu olhar, que transmite essa calma, serenidade tamanha, paz da minha vida.
Não, não vou morrer de amor...
Não pelo seu sorriso, que me contagia e inebria.
Não, não vou morrer de amor...
Não pela sua voz, doce e intensa, como a mais bela sinfonia.
Não, não vou morrer de amor...
Não, não agora que estou contigo. Mas quem sabe, se você se for...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.