Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Não, não vou morrer de amor... Não pela sua presença marcante, seu perfume único, seu charme irresistível. Não, não vou morrer de amor... Não pelo seu olhar, que transmite essa calma, serenidade tamanha, paz da minha vida. Não, não vou morrer de amor... Não pelo seu sorriso, que me contagia e inebria. Não, não vou morrer de amor... Não pela sua voz, doce e intensa, como a mais bela sinfonia. Não, não vou morrer de amor... Não, não agora que estou contigo. Mas quem sabe, se você se for...
385
Eu, seu caminho.
Sonhava acordado, e neste sonho, eu era o seu caminho... Um caminho só seu, onde os raios de luz, emanavam do meu sol para refletir unicamente no seu olhar. Um caminho marcado pelo verde de seu chão e pelo esplendor de suas coloridas margens, que serpenteava por enormes pedras, exuberantes pradarias, altas montanhas.
Não era um caminho fácil talvez, mas sempre estaria ali. E você me conhecia tão bem... Um caminho que não tinha bifurcações, mas era repleto de atalhos. Atalhos que você, como ninguém mais, conhecia e sabia como e quando utilizar, quando queria ou precisava chegar depressa a um destino, onde eu poderia leva-la com segurança.
Árvores frondosas e enraizadas a protegiam dos fortes ventos. A abundância das nascentes, que deixavam a água límpida brotar, assim como brota incessantemente todo o carinho que sinto por você. garantiam a tranquilidade de por mim caminhar , observando as flores, os pássaros, os pequenos animais silvestres, assim como as abelhas, agitadas na incessante busca do mel da confiança, néctar de nosso relacionamento antigo e profundo.
As cores das mil flores que me margeavam, sendo este caminho, nada mais eram do que a materialização da alegria que sempre senti ao vê-la, quando você passa com seu jeito de menina mimada, adorada, confiante. Eram flores só suas, que nasciam por você e para você, e apenas as suas mãos saberiam como colhê-las.
Sonhava que sempre a levaria a abrigos seguro, que a protegeria e faria do seu mundo, um lugar mágico. Todo caminho, tem uma razão forte para existir. Todos levam a algum lugar. Eu a orientava para que um dia chegasse, linda, calma, sorridente, completa, como sempre a conheci, até o final de nossas vidas, protegida por todo amor que eu pudesse lhe oferecer.
375
Filosofando insetos (texto rápido)
Era um final de tarde. O sol forte do dia começava a dourar o céu. Eu observava um pequeno inseto. Bem, na verdade, nos observávamos... Sim, porque ele reagia a qualquer movimento que eu fizesse. Nos seus passinhos apressados de quem tem muitas pernas a contar, procurava em vão um esconderijo, mas nenhuma fresta, nenhum móvel, nenhuma pedra, nada se apresentava para resolver sua agonia. Eu era o mal. Mas, eu? Ele tinha invadido minha casa, andado sobre meus alimentos, minhas louças limpas (?) no armário! Ali era o MEU lugar... Só, que não. Eu havia construído sobre a sua mata. Aliás, eu havia acabado com ela. Eu tinha colocado cimento sobre seus esconderijos de cascas e folhas. Eu tinha trocado suas plantas por meus tijolos, seu habitat pelo meu. Devia ter ficado difícil para ele atravessar o chão de cimento quente e encontrar um abrigo à sombra. Devia estar mais difícil encontrar alimento. E ali estava ele, minúsculo, acuado, defendendo sua vida. Por que um inseto teima em defender sua vida? Acho que porque cada vida é uma vida... Eu às vezes ficava imaginando que os animais em geral soubessem mais da origem da vida, do que nós, humanos. Eles possuem uma espécie de instinto grupal. Você viu um, viu todos daquele grupo. Será que é mesmo assim, ou sou eu que não consigo perceber as diferenças? Minha nossa! Os insetos pensam! Claro, porque se não pensasse, por que estaria com medo de mim? Ele sabe muito bem, o perigo que represento em sua vida. O chinelo que já estava em minhas mãos, foi ao chão. Longe do inseto. Eu não era um monstro aniquilador de vidas. Que culpa ele teria por ter nascido inseto? E quem disse que ser inseto é ruim ou menos digno que um ser humano grandalhão e mal intencionado? Minha nossa! Já estava delirando, eu acho. Eu ali, parado, filosofando sobre insetos. Percebi que enquanto filosofava, tinha relaxado na guarda. Quando procurei pelo inseto, não mais o vi. Será que ele tem algum poder sobre mim? Não o procurei. Afastei-me resignado a conviver com os insetos, pelo menos até que outra crise de importância, magnitude, prepotência ou outro mal humano qualquer venha a me acometer.
380
Estranhos
Somos estranhos. Estranhos nas noites. Somos corpos cobertos em mentes nuas, perambulantes, largados nas ruas, cobertos de céu, banhados de lua.
Eu e você, dois caminhos Que só pelo acaso, por vezes se cruzam, nos bancos dos bares, costumes que usam. Na troca de olhares, nas roupas que ousam.
Somos dois, mas somamos milhões, de almas diversas em mundos iguais. De feras perdidas em seus rituais, na busca constante de suas razões.
Somos garotos, vestidos de adultos, que na liberdade expressam seus cultos, nas pistas de dança, libertam seus vultos, nas horas perdidas, procuram emoções.
Perdidos! De nós não sabemos, alem do momento, este que vivemos. Apenas do amor, que por vezes fizemos, mas que se acabou, como as ilusões.
455
Volúpia
Eis que em tuas mãos entrego, toda a volúpia que amargo nesse sentimento. Não queiras nem por um momento domina-la, ela é por ti, mas só a mim pertence este tormento.
Não imagine viver das minhas insônias, as horas que a pensar em ti dedico. Pois sofrer de amor é meu alento, que empresto a ti, mas de forma alguma abdico.
Quero possuir a cada movimento, do relógio que marca o meu tempo, o direito, pela angustia que me oprime, ao prazer por viver em sofrimento.
Já que sofrer é legado de quem ama, por ser assim, sofredor assíduo, me confesso. E neste mundo dos amantes assumidos, preso cativo, renuncio a ser egresso.
Toma então do meu corpo frio, tudo o que me resta a entregar. Pois se alma já não mais possuo, é que a troquei, pelo prazer de amar.
471
Brigamos
Estou caminhando pelas ruas nuas da cidade. Uma confusão absolutamente desordenada invade e domina meus pensamentos. Estou caminhando pelas ruas, sem uma direção, sem ter onde chegar. Não tenho um destino. A noite é fria e parece congelar a alma. O chão umedecido pela garoa insistente, deixa meus pés molhados, mas não me importo.
As luzes dos faróis dos carros que passam, transformam-se em estrelas ao atravessarem as gotas de água que inundam meus olhos. Algumas doces, misturam-se às lágrimas salgadas. Algumas frias outras, quentes. Algumas indolores, outras... doídas.
Brigamos. Discutimos. Dissemos coisas horríveis. Ficamos magoados. Fiz você chorar. Não sei por que aconteceu. Não sei como começou, como cresceu e atingiu essa grandeza. Agora, nesta solidão que me encontro, caminhando por ruas repletas de pessoas, cada qual com suas preocupações, problemas, alegrias... sou apenas mais um.
Mais um a caminhar sem rumo. Mais um a procurar soluções. Mais um a se culpar, a não se perdoar. Mais um que não sabe o que fazer, com todo amor ferido que carrega no peito.
567
Desencontrar
A razão demorou tanto a chegar, que quando finalmente aportou, a vida já estava de saída. Mal se comunicaram.
511
Hoje, és pó.
Vi o fogo queimar sua carne. Senti o odor característico dos infernos. Vi músculos que se retesavam em uma espécie de dança macabra.
Aspirei a fumaça de sua existência Inalei sua alma, exalei seus pecados. Esperei que o tempo pousasse no chão seco, suas cinzas E esfreguei-as em minhas mãos, até que fugissem pelo vão de meus dedos.
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime