Lista de Poemas

Alma


Alma...
Quem sou realmente?
Um ser comum no Universo,
Ou deste planeta somente?
Sou carne e osso – Mortal!
É assim que me defino?
Ou viverei pós a morte,
E tenho mesmo, um destino.

Alma...
Eu sou você? Você, sou eu?
Não consigo encontrar a razão,
Da vida ser esse mistério,
Profundo e sem solução.
Não tenho onde buscar
Respostas, senão neste céu,
Que quanto mais observo,
Mas se esconde sob um véu.

Alma...
Nem mesmo crer em um Deus
Presente e onipotente,
Que tudo tenha criado,
Posso acreditar e assumir.
Pois  interesses humanos,
Que vendem somente enganos,
Procuram me iludir.

Alma...
Se sou apenas a carne,
Se sou apenas memória,
Se vivo servindo o nada,
Se morro apenas história,
Tenho comigo a certeza
E nela não me iludo,
Se hoje sou apenas nada,
Amanhã, eu posso ser tudo.

Porque se a carne apodrece
E volta ao pó da origem,
Meus pensamentos, já livres
Perpetuarão pelos ares.
E assim, se após nascer,
Morrer, seja só o que se espera
Minha alma, que seja mais luz,
Meu corpo, que seja só terra.
1 908

Hoje, és pó.


Vi o fogo queimar sua carne.
Senti o odor característico dos infernos.
Vi músculos que se retesavam em uma espécie de dança macabra.

Aspirei a fumaça de sua existência
Inalei sua alma, exalei seus pecados.
Esperei que o tempo pousasse no chão seco, suas cinzas
E esfreguei-as em minhas mãos, até que fugissem pelo vão de meus dedos.

Hoje, és pó.

Ontem, foste amor.
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Volúpia


Eis que em tuas mãos entrego,
toda a volúpia que amargo nesse sentimento.
Não queiras nem por um momento domina-la,
ela é por ti, mas só a mim pertence este tormento.

Não imagine viver das minhas insônias,
as horas que a pensar em ti dedico.
Pois sofrer de amor é meu alento,
que empresto a ti, mas de forma alguma abdico.

Quero possuir a cada movimento,
do relógio que marca o meu tempo,
o direito, pela angustia que me oprime,
ao prazer por viver em sofrimento.

Já que sofrer é legado de quem ama,
por ser assim, sofredor assíduo, me confesso.
E neste mundo dos amantes assumidos,
preso cativo, renuncio a ser egresso.

Toma então do meu corpo frio,
tudo o que me resta a entregar.
Pois se alma já não mais possuo,
é que a troquei, pelo prazer de amar.

 
462

Filosofando insetos (texto rápido)


Era um final de tarde. O sol forte do dia começava a dourar o céu.
Eu observava um pequeno inseto. Bem, na verdade, nos observávamos...
Sim, porque ele reagia a qualquer movimento que eu fizesse. Nos seus passinhos apressados de quem tem muitas pernas a contar, procurava em vão um esconderijo, mas nenhuma fresta, nenhum móvel, nenhuma pedra, nada se apresentava para resolver sua agonia.
Eu era o mal.
Mas, eu?
Ele tinha invadido minha casa, andado sobre meus alimentos, minhas louças limpas (?) no armário!
Ali era o MEU lugar...
Só, que não.
Eu havia construído sobre a sua mata. Aliás, eu havia acabado com ela. Eu tinha colocado cimento sobre seus esconderijos de cascas e folhas.
Eu tinha trocado suas plantas por meus tijolos, seu habitat pelo meu. Devia ter ficado difícil para ele atravessar o chão de cimento quente e encontrar um abrigo à sombra.
Devia estar mais difícil encontrar alimento.
E ali estava ele, minúsculo, acuado, defendendo sua vida. Por que um inseto teima em defender sua vida?
Acho que porque cada vida é uma vida... Eu às vezes ficava imaginando que os animais em geral soubessem mais da origem da vida, do que nós, humanos.
Eles possuem uma espécie de instinto grupal. Você viu um, viu todos daquele grupo. Será que é mesmo assim, ou sou eu que não consigo perceber as diferenças?
Minha nossa! Os insetos pensam!
Claro, porque se não pensasse, por que estaria com medo de mim? Ele sabe muito bem, o perigo que represento em sua vida.
O chinelo que já estava em minhas mãos, foi ao chão. Longe do inseto. Eu não era um monstro aniquilador de vidas. Que culpa ele teria por ter nascido inseto? E quem disse que ser inseto é ruim ou menos digno que um ser humano grandalhão e mal intencionado?
Minha nossa! Já estava delirando, eu acho. Eu ali, parado, filosofando sobre insetos.
Percebi que enquanto filosofava, tinha relaxado na guarda. Quando procurei pelo inseto, não mais o vi. Será que ele tem algum poder sobre mim?
Não o procurei. Afastei-me resignado a conviver com os insetos, pelo menos até que outra crise de importância, magnitude, prepotência ou outro mal humano qualquer venha a me acometer.
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Perdoa-me


Perdoa-me.
Não confessei o meu amor,
Porque eu não o conhecia. Não sabia.
Foi preciso imaginar não mais te ver,
Para sentir meu coração se apertar desse jeito.

A cada segundo que fiquei te esperando,
Imaginando que você não viesse.
Em cada rosto que se aproximava que não era o seu,
Somaram agonias, angústias, desespero e isso,
Foi de tal forma revelador, que não tenho mais dúvidas...

Amo você!

Como ser indiferente a isso, como não entender?
Deixou de ser amizade há muito tempo. Deixou de ser costume.
Eu já reconheço o som do seu caminhar. Ele acelera meu coração.
Eu distingo a sua voz em meio à multidão.
Eu percebo o seu perfume, em meio a tantas outras flores.
 
Sei que esse amor, será eterno, porque ele não está formado no tempo.
Está gravado no espaço, no todo do universo, no livro da criação.
É assim que lá estará talhado, explicita e eternamente, de forma imutável.
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No alto, naquela paineira.


No alto, naquela paineira,

Sopram os ventos do norte.

Na copa daquela árvore,

Batem estes ventos, tão fortes,

Que sua folhas folhas não voam

Por puro acaso, ou sorte.


 

No alto da minha paixão

Sopram ventos dos desejos.

Cá dentro, o meu coração,

Reclama se não te vejo.

E quase explode no peito

A esperar por seu beijo.


 

No alto da minha vida

Sopram as horas passadas.

Tantas noites de insônia,

Olhando as madrugadas.

Se não morri por amor,

Não morrerei, por mais nada.

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Submissão


Velejo sobre o azul das águas do seu oceano,
Mergulho em seus pensamentos...
Sobrevivo submerso em seus anseios,
No mais profundo abismo da sua existência.

Sou parte de você, estou em você, vivo em você.
Ilumino Minh ‘alma no reflexo da sua superfície,
Oculto meus desejos na escuridão do seu chão,
Deixo-me levar pelas correntes do seu amor.

Sou a imensidão deste vazio, a solidão deste nada.
A rocha banhada pelas ondas de seus carinhos,
A fina areia que mostra sua eternidade,
A única realidade presente nos seus sonhos...
354

PEDAÇOS


São tantos os nossos momentos, que me vem à lembrança...
Beijos prolongados, abraços apertados, noites especiais...
Mas  a solidão insiste em projetar, na tela da minha mente,
O filme Eu e Você... Dois apaixonados, rindo, mãos dadas, passeando nas ruas...

Como protagonistas, nossos olhares. Às vezes transbordantes de alegria.
Em outras, aquela paixão que queimava e em outras mais, uma intensa ternura.
Eram olhares que ao se cruzarem, pareciam cumprir um destino.
Um destino escrito para nós dois, e que momento a momento, se cumpria.

Lembro-me dos risos altos, que se soltavam facilmente dos lábios...
Risos que denunciavam a alegria de estarmos juntos.
Se hoje me fosse pedido um exemplo de felicidade,
Certamente eu falaria sobre esses nossos dias de amor e liberdade.

As ruas ainda são as mesmas, mas hoje estão tristes.
As tardes, frias e intermináveis, estão vazias.
Os sorrisos, perderam seus motivos para florescerem nos lábios,
E os olhares que tanto diziam, se emudeceram.

Ainda passo pelos mesmos lugares, procurando talvez a vida que se foi.
Os mesmos bancos, mesmas calçadas, mesmas praças.
Surpreendo-me abraçando as mesmas árvores, passando pelos mesmos pombos...
Olho ao longe, lugares onde ainda não consegui coragem para me reaproximar .

Vejo em outros casais, a cumplicidade nos olhares,
O sorriso descontraído, a troca muda de palavras... Isso me faz bem.
Já ouvi muito falarem que a felicidade é uma colcha de retalhos...
Serei feliz, sempre e enquanto puder relembrar, pedacinhos do eu e você.

431

A culpa é da saudade *


Desculpe, mas nem mesmo sei
De que forma lhe explicar,
Mas hoje, minha amiga Saudade,
Me pediu para te ligar.

Eu, até que tentei,
Resisti por um momento.
Mas ela trouxe um amigo,
Conhecido por Tormento.

Os dois também convidaram
Uma tal de Ansiedade,
E essa trouxe sua irmã, 
Que se chamava Vontade.

Aí não teve mais jeito,
Com saudade e atormentado
Fiquei de tal forma, ansioso
Que não resisti a vontade.

O Telefone, bandido
Pulou em minhas mãos tão veloz,
Parece até que sabia
Que amo ouvir sua voz...
682

Ajude


Desculpe
Mas meu desejo não tem culpa
De só pensar em você.

Acho que é seu jeito de andar,
Cheio de graça, regado por este balançado especial.
Acho que é sua feminilidade, que esparze  esse charme irresistível...

Desculpa essa minha insistência
Mas pensar em você, se tornou mesmo um costume.

Acordo assim,
Passo o dia todo assim,
Vou dormir...assim.

Te vejo na realidade,
Te reproduzo nos sonhos.
Te cumprimento formalmente nas tardes,
Te amo alucinadamente nas noites.

Não fique aí parada,
Vendo-me assim, sem dormir direito.
Meu mal é sofrer de amor
Quem sabe, você não dá um jeito...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.