Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Sequer olhou para trás... Eram tantas as mágoas daquele amor, E era tanto por ele sofrer, Que o caminho que se abriu, seria a única opção. Por ele iria seguir...
Olhar fixo nas linhas do horizonte... A forte brisa que soprava no rosto, Transformava as lágrimas que rolavam Em pequenos pássaros diamantados. E eles voavam, pousando em um passado que não mais se veria.
No encontro do horizonte, a morada da paz que almejara. Lá onde o sol se põe nas tardes espalhando ouro no céu, Encontraria razões, verdades, esperanças... Lá onde o dia termina, entregaria seu fardo de dor E a vida enfim, poderia recomeçar.
Porque nem todo adeus, é uma partida. Por vezes, é apenas o prenúncio de uma chegada. As paisagens passam e assim como a vida, se transformam... Os caminhos tortuosos levam ao mar e este, nos oferece o mundo.
Sequer olhou para trás... Lá ficaram apenas sonhos que não se realizaram, Assim como um dia se apagarão as lembranças e com elas, as saudades. É quando um passado se transforma em serenas lições de vida E assim, começamos a escrever, uma nova história.
409
Desatino
Intermináveis dias de pensar, infindáveis reflexões. Incontáveis horas perdidas, em busca de soluções. Quantos anos já se passaram e nada foi diferente? Quantos serão necessários até desistir, finalmente?
Afinal, o que é mesmo esta vida, que a tanto tempo persigo? É estranho, mas quanto mais navego, menos portos eu consigo... Fui eu mesmo que escolhi, seguir por estes caminhos? Quanto mais apoio eu procuro, mais me sinto sozinho.
Estou atrás de realizar-me ou satisfaço uma sociedade? Luto tanto por coisas, mas as quero, na verdade? Sei que a paz é ilusória. Porque ainda a procuro? Parece até nada mais, que só um lugar no escuro...
Procuro uma realização, que sequer saiba qual seja, Chegar ao fim de uma estrada, sem que ao menos a veja? Sigo na direção certa ou vou no sentido oposto? Vou para onde desejo, ou obedeço algo imposto?
Ah! Destino meu, meu destino... Se te cantar, desafino. Se decifrar, desatino! Peguei carona em você, mas creia-me: Sou clandestino! Almejo o fim da jornada. Talvez não chegue em nada ou ancore em lugar nenhum. Talvez eu encontre a luz...Aquela do fim do túnel! Talvez seja apenas, mais um.
519
Palavras
As palavras que ouvimos são assim como implantes colocados em nossa mente. Algumas acabam por resolver nossas vidas já outras, provocam reações diversas. Podem causar rejeição e até levar à morte.
430
Reflexo
Pude ver pelo reflexo nas águas translúcidas da lagoa, que o brilho do seu olhar desvanecia. Flagrei o sol roubando-te a luz para dourar o entardecer que se fazia.
440
Lugar luar (poema musicado)
Lá longe o sol, se espreguiça nas manhãs, E à tardinha chega aqui. Vai do dia descansar... Na noite sonha, com os verdes, com os rios... Tal qual eu sonho, com a luz do seu olhar.
Na madrugada, passarinhos em seus ninhos, Buscam abrigo e um pouco de calor. Busco em seus braços um momento de carinho, Encontro paz, ao me entregar ao seu amor.
No alto a lua, vaidosa se descobre, Afasta as nuvens e libera o luar. O firmamento, vendo este gesto nobre, Espalha estrelas, para a noite enfeitar.
Tanta pureza, guardo no meu coração, Só no ponteio da viola pra contar... E da varanda, solto a voz em serenata, E canto pra minha amada, as belezas do lugar.
417
Dores que não sei
Sinto dores. Elas me incomodam... Hoje estão terríveis. Devo ter cometido algum excesso.
Pode ser alguma coisa que tenha visto ou mesmo ouvido. Alguma notícia ruim ou que tenha me desagradado. Uma decisão política, talvez. Ou uma discussão. Pode ser aquela cena de crime que vi na televisão. Senti na mesma hora que doeu meu futuro. Senti também uma pontada forte na minha esperança. Ela já não anda muito bem, ultimamente. Tem estado fragilizada e as doses de otimismo que tenho tomado pelas manhãs, não conseguem me trazer conforto até o final do dia.
Ontem tropecei em uma incompreensão que estava atravessada em meu caminho, e machuquei meu amor. Hoje ele ainda sangra. Já apliquei uma camada de perdão sobre ele, mas ainda não surtiu o efeito esperado. Não poder contar com ele saudável me deixa mal. Desde aquela situação que passei quando fui literalmente atropelado por uma ignorância desgovernada, caiu a resistência da minha compreensão e isso me fragilizou bastante. Ontem à noitinha, sai na sacada e senti um frio de saudade gelar minha paz. Sabia que não iria me fazer bem.
Hoje vou iniciar um tratamento. É uma sessão de recordações que vai me fazer voltar aos tempos de criança. Vou ter que recarregar velhas inocências. Elas irão me ajudar.
Bem, preciso ir. O tempo está passando, e disse que não pode me esperar. Fui.
495
O homem
Tinha no olhar um mistério, seu jeito um tanto sério De olhar para a vida e a morte, Tinha o dom do improviso, irradiava paz no sorriso, Contava em tudo, com a sorte.
Ninguém soube de onde veio, nem se soube para onde ia, E quando lhe perguntavam, ele desconversava, e seu caminho seguia. No seu trajar a elegância, perdia-se nas roupas surradas, Deixava a perceber, da vida abastada de outrora, não ter sobrado mais nada.
Gostava de assoviar, lindas e antigas melodias, Assim e cantarolando, passava todos seus dias. Sentado em um banco da praça, a todos dizia uma graça, E um elogio, fazia.
Rodeavam-no as crianças e era uma festança, tudo o que acontecia. No colo os pequeninos, a todos dava carinho, e transmitia alegria. Não se soube na verdade, qual era a sua idade, qual era o seu grau de estudo, Mas falava com propriedade e nos assuntos diversos, mostrava saber de tudo.
Assim como veio, se foi. Quando se deram conta, ele já não estava. Não tinha onde procurar, morava em todo lugar e pouco tempo ficava. Deixou além da saudade, uma grande amizade e também muito respeito. Era um homem misterioso, um tanto até curioso... Era um grande sujeito!
393
Amor remanso
Tão pequenino, esgueirando-se na mata, Um regato ao longe ouço, mansamente borbulhar. Tão cristalina e tão pura suas águas, Que iguais às minhas mágoas, Não sei onde irão parar.
Vai meu querido regato, meio à vegetação... Segue levando a vida, segue molhando o chão. Meus olhos fazem jorrar água salgada no rosto, E sozinho, por desgosto, não quero seguir mais não.
Ontem ela se foi, assim como suas águas, Foi e levou minha vida, deixando vazio o meu leito. Formam um riacho, as águas que brotam do fundo da terra, Assim como minha dor, formou-se de um sonho desfeito.
A correr pelo regato, sempre estão águas novas, Que iguais as esperanças vão e não voltam jamais. Mas o meu peito doído, diferente das nascentes, De amor agora chora, por ela e por ninguém mais.
981
Morrer (texto)
Vi a planície verdejante e o riacho que se retorcia em meio a ela. Da altitude em que voava, vi animais minúsculos que corriam por entre um pujante arvoredo. Vi minha sombra atravessar velozmente os espaços... Eu era um pássaro! Mas, como? Um pássaro de grandes asas. Planava livre e com facilidade. Sentia o vento no rosto. A brisa guardava o frescor das manhãs daquela primavera. Uma sensação inexplicável de liberdade tomava conta de mim. Eu voava!!! Lembro-me bem que ainda ontem, revirava em um leito de hospital, sentindo dores terríveis... Lembro-me de diversos médicos entrando no quarto.. o corre-corre dos enfermeiros... o sono profundo e aquela sensação de paz. Como eu poderia estar agora, voando? Eu morri? Lembro-me de te ver ao meu lado, segurando minhas mãos... Lembro também das lágrimas que vi nascerem em seus olhos e rolarem pelas suas faces, já marcadas pelo tempo... Onde estou? Que lugar é esse? Como vim parar aqui? Onde está você? Não desejo essa liberdade, se o preço dela for a sua tristeza Não desejo ser feliz se por isso tenha que aceitar a sua ausência. Não quero morrer para você... Não quero que você morra para mim... Uma velha e frondosa árvore me chamou a atenção. Voei até ela e pousei no alto de sua galhada. Vi um ninho. Voei para perto dele... Lá havia outro pássaro. Era igual a mim.
Você?... Mas....como?
382
Choram anjos
Choram os céus sobre as folhas e flores do nosso jardim. Derramam chuvas de esperas, porque estás longe de mim. Choram anjos sobre a terra, que ao molhar o grão germina E faz nascer nova vida, enquanto a minha termina...
Hoje sou folha morta, tamanha angústia me invade... Só te envolvendo em meus braços, abrandarei a saudade. Que chovam assim como as lágrimas, bênçãos sobre o nosso amor E assim, ao chorar sua ausência, não sentirei tanta dor.
Trovões anunciam aos ventos, a força de um raio certeiro. Meu coração atingido, parece explodir por inteiro... É esse desejo que sinto, de acalmar minhas mágoas, Quando meus olhos parecem, apenas duas quedas d’água.
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime