Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
No que o amor me transforma? Do que o amar me redime? Se amo na solidão calada, Que o viver pelo amor, me imprime.
E se aconteço nas frases Em que crio meu próprio destino, Me faço de alma e rimas, Que em horas insones imagino.
A luz tênue ao meu sonho em desperto Acalenta estes tempos sombrios, Se sonhar acordado é pecado Por pecar, fiz mil versos vazios.
204
Olhando o mundo
O mundo precisa de amor e isso é uma verdade... Mas o mundo carece também de homens com dignidade. Homens que queiram a honra acima de bens materiais. Homens que sejam honestos e lutem por seus ideais, Ideais que abracem a todos, que falem de igualdades, Ideais que eduquem, ensinem, que tragam oportunidades.
De que serve o poder, se a moral se enxovalha? Querer parecer gente bem, quando se é um canalha? Tirar proveitos daqueles que por sua boa-fé, Imaginam uma pessoa por tudo o que ela, não é?
O mundo precisa mesmo é de mais informação, Mas isso o ignóbil não quer, não lhe chama a atenção... Quer o poder, tanto faz seja à custa do engodo, O que é uma mancha na alma de quem está sujo de lodo? “De milho aos porcos, mas pouco, deixe-os sempre com fome!” Assim, submetem-se às vontades, daqueles que mancham seus nomes.
200
Preferências
Ah! Vida que se esvai, Por entre os dedos das mãos... E traz a mim o tormento, Da morte e da solidão.
Passo as horas entre sonhos! Sonho que estou a sonhar... E se esta vida termina E não os possa realizar?
Se acontecer desta vida, Acabar-se e dela me for, Como ficarão tantos sonhos, Algures, sem meu amor?
Se aqui não sei viver, Longe da minha paixão, Saberia eu na morte, Amar, sem ter coração?
Não quero morrer a morte, Prefiro viver a vida... Já que esta eu conheço, E a outra é desconhecida...
172
Soneto épico
Posso serpentear entre teus querubins de ouro, Deslizar sobre as madrepérolas de teu chão. Posso curvar-me à tua majestade e sem piedade. Podes de sangue macular meu coração.
Se são estes os caminhos da paixão, Não a maldigo por me fazeres sofrer. A dor de amar tem um escopo definido. Só teu amor justifica o meu viver.
Quando persigo um sonho, sem descanso, E sou feliz por me fazer assim, Na persistência reforço meu querer.
A luta árdua enobrece o lutador, E se a vitória for conquistar teu amor, Vou à batalha, pois quero muito vencer!
202
Mal de amor
Não sei o que é o amor, Tampouco o posso explicar. Quem dirá compreender, Ou mesmo justificar.
Mas sofro do mal de amar E dele sinto os sintomas... Começa com um desconforto, E quase atinge o coma.
Mas dentro da inconsciência, Eu permaneço pensando E ao pensar, percebo, Que continuo amando...
135
Libertas
Ah! Liberdade...Qual é o seu valor?
Quanto custa para poder falar, Tudo o que guardamos em nossas mentes? Que valor possui a palavra sincera E o relato das conclusões?
Ah! Esse nó na garganta... Que clama para que a voz se levante E ouçamos o brado levado pelos ventos a todos os cantos Onde se encontram as almas resguardadas.
E esse desejo enorme de vida e futuro. O sonho de respirar o puro ar, De ver germinar a semente que irá gerar o fruto Que colheremos nas manhãs de sol e chuva dos dias que virão.
Não existem grades de aço nas celas, Apenas o medo que nos impede ultrapassar as marcas no chão, Que nomes sem carne e ossos, ou sangue a correr, Picharam nas sombrias noites, enquanto sonhávamos...
158
O vento e o tempo
O vento e o tempo
Sopra vento e leve o tempo, que em seus braços parece voar, Sopra constante e carregue o instante, que vi passar neste mesmo lugar. Vento que surge no mesmo momento, em que a vida criança desponte, Tempo que voa ao sabor dos ventos, que sopram os anos por sobre estes montes...
Sopra a vida como fosse o tempo, assim como sopram as brisas do mar, Sopram os sonhos que o tempo desfolha e os carrega soltos no ar. Passa o tempo, nos braços do vento e leva o amor que igual ao perfume, Deixa no tempo levado ao vento apenas a luz desprendida do lume.
No vendaval que traduz cada vida, passa o tempo do amor e da dor, No atropelo das horas que passam, nasce um botão quando morre uma flor. Sopra vento, sopra ligeiro, que o tempo tem pressa, não pode esperar, Corre tempo, que a vida só para, antes que o vento volte a soprar.
236
Singelo soneto ao amor maior.
Para ver você feliz Optei por me doar E das ilusões da posse Decidi renunciar.
Satisfazer seus desejos Lhe cobrir de atenção Nada exigir em retorno, Aquietar seu coração.
Porque amar é renúncia E não objeto de troca Ou mesmo exclusividade.
Ver feliz a quem se ama É a maior recompensa De quem sente amor de verdade.
177
Maré cheia
Olhe as pegadas, passos na areia E saberás de onde vim. Pois logo mais, na maré cheia, A minha história terá um fim.
Marcas profundas na fina areia, Vidas repletas de solidão. Ao pouco, o nada se acrescenta Pois todo sonho, é sonho em vão.
Olhar na linha do horizonte, E além dela, nada em haver. O que existe atrás dos montes, Somente o tempo nos deixa ver.
Linhas impressas, na palma da mão, Onde o destino se pode ler... Hoje o futuro é tão só ilusão, E no agora, faz-se o viver.
250
FIM
E tudo não passou de poesias, que à beira mar ou no topo de alto monte, o vento escreveu no livro do tempo.
E lá ficaram palavras que formaram juras, que passaram a compor a brisa de cada nova manhã de solidão. E lá nos perdemos do que fomos e seguimos tendo como abrigo apenas um manto de lembranças.
Deixamos inertes as carícias, carregamos apenas olhos vazios, olhando o nada como futuro.
As marcas dos beijos em nossas bocas, E o calor dos abraços foram aos poucos se dispersando na brisa fria do inverno que invadia nossas almas.
Lágrimas que contaram histórias de alegria, querem chorar a saudade que virá. E a noite que se faz em nossos corações, turvará nossa visão e nos fará olhar para trás.
E só veremos a distância. Em nossa lembranças, ecoará uma última palavra...
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime