A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

Perfil
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Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
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Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

728

Não me fale de amor.


Não me fale de amor, se as palavras não embargarem em seus lábios.
Não me fale de amor se seus olhos não lacrimejarem, 
Se seu coração não disparar feito louco, 
Se não lhe faltar o ar.
Não me fale de amor se suas mãos não tremerem e seus sentidos não esmorecerem.
Não me fale de amor, se ele não te fizer sofrer.

243

Uma nova felicidade

 

 

Preciso urgentemente de uma nova felicidade.

Há tempos tenho utilizado das mesmas que adquiri na vida,

Mas embora ainda brilhem, estão desgastadas, carcomidas

E exploradas minuciosamente em seus conteúdos.

Preciso sentir-me leve, livre, isento do passar das horas

Despercebido das noites e dos dias

Esquecer de olhar para os ponteiros do relógio,

Na espera de acontecer, sem saber exatamente, o que...

Sorrir livremente, sentir uma vontade enorme de correr.

Olhar e ver os jardins, os pássaros, as pessoas.

Sentir-me ao mesmo tempo participante

E estranho ao mundo e seus grilhões.

Preciso urgentemente ser feliz

Feliz na alma, nas crenças e nos anseios.

232

Vida. Esta que se vive.

 

Hoje, estou por aqui. Amanhã, talvez esteja.

A probabilidade é boa, caso não aconteçam imprevistos.

Mas, o imprevisto é viável quando se vive o comum.

quando se olha pela janela,

                                                atravessa uma rua,

                                                                                 passeia de barco...

                                                                                                 Ou, pega um voo para o Rio.

                                                       Bem, o Rio por si só já é um imprevisto.

Assim como São Paulo, assim como Belo Horizonte, assim como Salvador e assim como qualquer lugar do mundo...

                                                           O imprevisto é sempre imprevisto.

Mas pretendo estar por aqui amanhã e caso não esteja,

                                                                                             aplique a regra do imprevisto.

E se não nos virmos mais por aqui, talvez nos vejamos por lá, qualquer dia,

Naquele lugar onde todos se encontram, ou onde todos se...  Perdem!

                                                                     Aproveitem hoje, já que estou por aqui.

264

Renúncias

Não espero que me ames,

Porque é muito sacrificante amar.

O amor requer renúncias

E renunciar, pode causar a dor.

 

É como se o luar renunciasse ao brilho,

O mar renunciasse ao azul,

O infinito renunciasse às estrelas,

O hoje, renunciasse ao amanhã...

 

Não quero que renuncies a nada porque, por amor

Renuncio a que me ames.

12

Ausência

O inexplicável de uma dor que faz com que não se encontrem as palavras.

Dentro deste vazio, o silêncio acontece e traz o peso da ausência. É como se algo tivesse sido arrancado do lugar onde sempre esteve e deveria estar, mas não está.

Uma lacuna que esvazia a alma e abafa os ecos dos sentimentos.

A saudade é cortante e as lembranças formam feridas abertas. O aperto no peito não passa, não se distrai, não se dissolve. O desamparo, o desalento, o grito que se perde no nada. Não se sabe como seguir, onde buscar forças para combater o som mortal do silêncio.

Fogem as palavras para explicar a falta de alguém que era presença. Uma falta dolorida, uma distância que fere e queima a memória como ferro em brasas. Nada mais é o bastante. Nada nos alenta.

A ausência é grande demais para caber nas palavras e são incontidos os gestos e as noites mal dormidas que se perdem em pensamentos. Ela está dentro de nós como uma quietude que não sabemos preencher, maior que uma saudade ou a certeza de que jamais existirá um retorno, um recomeçar. O olhar insiste em procurar o que não alcança ver.

O ranger de portas trancadas, sombras que passamos a ver em cada canto da casa. Uma maré por vezes calma, por vezes, devastadora. Uma luz que não se acende e deixa no escuro os espaços que não mais reconhecemos pois agora fazem parte daquilo que fomos.

A falta que preenche espaços e faz com que nos percamos dentro de nós mesmos. O peso de uma mão invisível que pousa sobre nosso peito, e torna silencioso o grito de um nome, que por falta de forças, morre dentro de nós.

18

Sombras

 

A noite silente e fria,

debruçava seu manto de sutil tristeza...

Nuvens no céu bordavam a nostalgia

do pálido momento, em tons de rara beleza.

 

Apenas vultos nas ruas se moviam,

em contraste com a quase inerte natureza

dos arbustos, que nas calçadas sombrias

bailavam aos ventos, em parcas correntezas.

 

Lua de prata, luzes que criam,

sombras sem almas, vidas ilusórias.

E cada uma escreve nas folhas

do livro do tempo, as linhas da história.

218

Sonho

 

E na noite que se fez, pude abraçar a sua voz

E adormeci sob o manto do seu encanto, dentro deste imaginário enlace.

E pude ouvir o rumor dos ventos que carregavam pétalas de flores,

E o murmurar do vai e vem das ondas alisando as areias.

Viajei sob a terra e sobre as nuvens, cavalgando este som divino.

Sorvi das fontes o néctar da existência e o tinto vinho dos desejos.

Fui ar e fui chuva, raiz e fruto, tempo e distância.

Fui meu próprio deus e único dono da minha ilusória verdade.

O que importa se os sonhos não se materializem? Basta que existam!

Se posso possuir tudo de você dentro do silêncio de cada noite,

entregue às planícies floridas da imaginação, enquanto remo sobre pedras e cascalhos.

Não desejo o amanhã, se ele vier me fazer despertar.

A realidade dolorida irá fustigar-me nas horas despertas, e não saberei de você, não ouvirei sua voz,

Não serei a brisa a brincar com seus cabelos e não conhecerá da minha paixão.

 

51

Inexplicável

 

E mergulhei no inexplicável abismo, 

Paralisado, sem interagir...

Aos vultos que voam, inexpressíveis, 

Em um quase ocultar, ou não existir.

 

Olhar distante, horizonte dos tempos, 

Onde os desejos se mesclam aos sonhos.

Quando o querer resguardar-se dos medos, 

Tal a um sorriso, em um rosto tristonho.

 

Palavras vazias, não formam sentidos

Como um céu que não mostra sua cor.

Assim são os ventos que sopram moinhos, 

E movem as asas de um beija-flor.

 

Lembranças latentes em tempos perdidos, 

Aromas de flores, seguros na mão...

Prever o futuro em meio ao escuro

Da vida, da noite, do amor, da ilusão...

300

Preferências

Ah! Vida que se esvai,
Por entre os dedos das mãos...
E traz a mim o tormento,
Da morte e da solidão.

Passo as horas entre sonhos!
Sonho que estou a sonhar...
E se esta vida termina
E não os possa realizar?

Se acontecer desta vida,
Acabar-se e dela me for,
Como ficarão tantos sonhos,
Algures, sem meu amor?

Se aqui não sei viver,
Longe da minha paixão,
Saberia eu na morte,
Amar, sem ter coração?

Não quero morrer a morte,
Prefiro viver a vida...
Já que esta eu conheço,
E a outra é desconhecida...
174

Pasión


Deixe o luar rolar em seu rosto

Para morrer no rubro de seus lábios...

E que as vozes aos poucos se calem,

Para que a paz seja seu manto e seu abrigo.

 

Deixe que seu olhar se perca no infinito,

E saberei que este infinito é apenas seu

E assim, jamais me atreverei tocá-lo.

 

Deixe-me saber em que mares navegam seus pensamentos,

Nesta noite em que o tempo lhe subordina momentos,

Para que a magia do seu fulgor, apenas adormeça...

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Comentários (21)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.