Lista de Poemas

Ilusões


Apagam-se as luzes, esmorecem as cores,
Anulam-se sonhos, morrem razões...
Foge a alma e com ela os desejos,  
Quando se acabam, as ilusões.

As chuvas são frias, as noites congelam,
O tempo parado se nega a passar,
Ficamos inertes, sofrendo calados,
Nada mais resta, a não ser esperar.

Mas o sol talvez nasça, atrás da vidraça,
E mil passarinhos fazendo arruaça,
Ensinem que a vida, é recomeçar

E as nuvens cinzentas, que escondem o céu,
Deslizem ligeiras,  removendo o véu,
Que encobre o amanhã, e limita o sonhar.
 
No replantio, dos anseios perdidos,
Acontece o milagre do renascer,
Apostando em fartas colheitas da vida,
Certamente  ilusões, voltem a florescer.
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Contrapondo o amor.


Por Deus, não falem de amor,
Não para mim! Não agora!
Aquela mulher que eu amava,
Mais que isso, idolatrava!
Partiu, sumiu, foi-se embora!

E  disse que era pra sempre,
Levou tudo o que era seu.
Eu fiquei sem coração,
E isso com toda razão:
Aquele, não era mais meu...

Se amar é sofrer, com licença,
Preciso mudar meus costumes
Passei tantos anos amando,
Doando, me subjugando,
Dominado por tantos ciúmes...

Eu era uma propriedade,
Com direito a registro em cartório,
Sequer tinha uma identidade.
Qualquer coisa que pensasse,
Não passava do ilusório.

Mas de prisão a prisão,
Nunca houve diferença.
Essa mania de amar,
De querer, sofrer, se entregar,
Já devo ter de nascença.

O amor é lindo, em contos,
Onde se escolhe o final.
De fundo um lugar bem bonito,
Com vista para o infinito,
E luz, artificial...

Mas, resta continuar,
Investindo no querer.
Porque além do trabalho,
Ou um jogo de baralho,
Pouco se tem a fazer...
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Sem nunca ter sido


E ouvindo suas promessas, 
Juras de paixão eterna,
Dormi o sono dos justos.
Sonhei sonhos nunca sonhados, 
E como nos sonhos dourados,
Vivi um amor, não vivido.

Amei, sem nunca ter amado, 
Sofri, sem jamais ter sofrido.
E hoje, se morro acordado
Sem ter você ao meu lado
Foi por ser, sem nunca ter sido.
434

Você, poesia...


Você, poesia...
 
Por que me domina, escraviza? Faz-me pensar e escrever pelas madrugadas insones.
Não permite que eu seja apenas eu mesmo, como são tantas outras pessoas ...
Deixe-me sonhar meus próprios sonhos e viver apenas minhas realidades...
Mas como faço?
Se essa poesia me faz ver beleza nas flores que enfeitam a morte,
Faz-me ouvir músicas nas águas dos rios e cachoeiras...
Faz pássaros parecem conversar comigo, em seus gorjeios
É normal sentir o amor com essa intensidade com que sinto?
Ver sempre os olhos dela, brilhando mais que a luz do sol?
Ver na sua pele, a uma suavidade e brandura, como em um raio de luar?
Olhar para o horizonte e ver alegria na sua beleza, e ao mesmo tempo, tristeza pela sua distância?
Por que me escolheu para seu pouso?
Por que engana meus olhos e amplifica meus sentimentos?
Por que dominas meu coração e minha razão?
Sua presença é um misto de alegria e dor...

Quem é você, poesia?

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Humanidade


Bilhões! Somos bilhões sobre a Terra!
Humanos em plena expansão.
Criamos nossas sociedades,
Cada qual com suas verdades,
Cada qual com suas razões.

Somos humanos servis?
Cultos, educados, gentis?
Ou, aceitamos de tudo?
O estudo,  o trabalho, a labuta,  
Também  as guerras, disputas,
A fome, a miséria, o frio...

Aceitamos ser subjugados,
Por outros humanos! Coitados!
Vivemos em um mundo sem luz?
A vida exige cuidados,
Porque um humano amestrado,
Sequer sua história conduz.

Bilhões, somos bilhões!
De humanos em fila, na Terra!
Bilhões,  largados a esmo,
Cada qual pensando em si mesmo,
Em meio à multidão.

Somos bilhões de humanos,
Somamos mais, cada ano
Em cada um, desenganos,
Em cada um, solidão.
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Amanhã vazio


O sol que hoje nasceu, já não é aquele...
Que ontem me flagrou, sorrindo , 
Cantando em versos, o amor.
A luz que com ele morreu, carregou 
As ilusões  que  em meu  peito viviam,
Só deixando  em mim, as marcas da dor.

E eu, que sonhei nossas vidas,
Suas mãos em minhas mãos,
Sempre sendo nós dois.
Hoje, me pego sozinho,
Seguindo o caminho, que a vida impôs.

E os sonhos que a noite traria,
Silenciosamente, ela os levou.
Roubou o amanhã que eu queria,
E o dia seguinte, jamais despertou.

Por que o sol me obrigaria, a ver uma nova manhã,
Se minha felicidade, naquela noite ficou?
E me fazer despertar para a cruel realidade,
Se o que quero somente, é dormir, com a saudade...
2 108

Ah! Não pode...


Não! Não é verdade, 
Isso não aconteceu!
Como eu pude deixar
Mesmo querendo evitar... 
-Me perder nos olhos teus?

Ah! é brincadeira...
Fala sério aqui comigo!
Tentei ser indiferente, 
Quis parecer ser somente, 
Um conhecido! Um amigo!

Olha, que coisa mais louca,
Que é esse meu coração.
Nunca foi do meu costume
Me derramar de ciúmes
E me perder de paixão!

E agora? Que espero?
Se tudo o que mais quero
É ficar só ao teu lado?
Eu era livre e feliz, 
E vejam só o que fiz!
-Fui ficar apaixonado...
1 869

As razões


Não são as razões, efêmeras!
Pois impedem meus trôpegos passos.
Parecem cercar-me entre as pernas,
E não são poucas - inúmeras!
Por vezes, parecem eternas...

Razões para agir, nesta hora: 
Se é pra fazer, seja agora!
Não dá pra ficar, vou-me embora!
Viver deste jeito? - Estou fora!

Quantas utopias no entanto, 
Permeiam tais decisões...
Preciso ir, mas não quero, 
No fundo ainda espero, 
Que morram, as minhas razões.

Se estarmos juntos, não é bom, 
Sozinhos será bem pior.
Pensei muito na partida
Mas a dor da despedida
Já me fez pensar melhor...

Talvez, seja apenas costume,
Dormir e aspirar seu perfume, 
Tocar e sentir seu calor.
Quem sabe, não queira a saída, 
Por certo, a verdade escondida, 
Já tenha outro nome: Amor!
1 240

Brisas


Deite-se sobre meu peito...
Ouça... lá dentro estou eu.
Sinta o meu respirar,
Perceba... você é o ar,
Que meu coração escolheu.

Cálidas noites de inverno,
Faz do meu tempo um eterno
Dom, de viver e sonhar.
Sangue que queima e impele
Meu corpo a roçar sua pele,
Qual noite, tocando o luar.

Mil pensamentos me afligem,
Quando em busca da origem
Desta alquimia da sorte.
Sou como fera acuada,
Que pela vida e mais nada,
Luta fugindo da morte.

A brisa que bate e acarinha,
Seu corpo e te faz toda minha,
Você ainda não percebeu...
Siga o caminho do vento,
E veja que nesse momento,
Quem sopra a brisa, sou eu.

 

 

 

 

 

 
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Falta você. (Poema musicado)


Ah! Essa saudade de você,
Traz, essa vontade de te ver...
De estar assim, no teu calor
E poder sentir o seu amor.

Ah! Essa ausência que hoje dói,
Me maltrata tanto e me destrói, 
Cria esse vazio instransponível, 
Viver, sem você... é impossível!

Eu, luar sem mar,  amor sem par,
Eu, algum lugar, longe daqui...
Eu, sou tão somente, esperar 
Eu, recomeçar...  Você chegar...
Aqui...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.