Lista de Poemas

O primeiro sorrir


O que representa o primeiro sorriso de uma criança?

Se não existe o conhecimento sobre o bem e o mal, se não existe o conhecimento sobre a malícia, sobre os bens materiais, sobre o certo e o errado?

O primeiro sorriso de uma criança nada mais representa do que seu primeiro contato com aquilo que aprenderá a denominar como sendo:  Felicidade.

Uma criança sorri, por puro, ingênuo e espontâneo sentimento de felicidade.

E por que esse sorriso com o passar dos anos, vai ficando mais raro, mais difícil, mais distante de nós?

Porque aprendemos com a vida, que existe bem e mal, a inveja, o rancor, o menosprezo, a fome, a miséria, as necessidades materiais, o desconforto, as desilusões e tantas coisas mais...

Olhe para uma criança a dar seus primeiros sorrisos, e procure onde perdeu os seus...

A pureza do primeiro sorrir se perde, conforme perdemos a pureza de ser. Quando nos afastamos do espiritual para nos tornarmos materialmente, humanos.
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Encruzilhada


E vi a indiferença a nos separar,
Quando senti que apenas seu corpo,
Estava dentro do meu abraço.
Nosso olhar distante, nossas mãos inertes,
E todo aquele calor transformar-se em ausência.

Não mais importam os motivos, apenas a realidade.
Mesmo tão pertos, nos sentimos perdidos,
Seguindo caminhos diferentes, na encruzilhada de um adeus.

Como um feixe de luz, nosso amor foi-se dissipando
Até perder seu brilho, seu fulgor.
Como se outro viver surgisse, fomos nos desconhecendo
Até chegarmos aqui, como dois estranhos.

Um livro que se fecha e guarda dentro de si, as histórias.
Águas de um rio que desagua na imensidão do mar
E passa a ter outra cor, outro sabor.

E os corações baterão por outras vidas,
E as razões procurarão novos objetivos
E o que que foi, talvez se encontre no rebuscar das lembranças...
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Quando só um é partida.


 
E aqui nos despedimos...

Como não relembrar momentos,
Que juntos vivenciamos,
Envoltos em um sentimento,
E em tudo que acreditamos.
 
Um fica e o outro é partida...
 
Como esquecer nossas juras,
De amor para nunca ter fim
E agora nesta despedida,
Ver tudo acabar-se assim...
 
Será que o amor acabou?
 
Ou apenas nos desgastamos,
Com tantas brigas inúteis.
Mas, e os nossos planos?
E tudo o que juntos sonhamos?
 
Nunca deixei de querer-lhe...
 
Tenho tanto amor pra lhe dar.
Não consigo pensar em abandono,
Nossas vidas se separando...
Não ser mais você o meu par.

Talvez eu esteja sozinho...
 
Pensas assim como eu?
Ou será que na verdade,
Cumpre-se aqui o destino
E você já me esqueceu...

 
JRUnder
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Não tente


Não tente saber dos segredos,
que guardo por lhe querer.
Talvez não consiga falar.
Talvez não consiga entender.
E hoje, viver por te amar
é tudo o que eu saiba fazer.

Só sei que de amar, nada sei.
Sequer tenho a pretensão,
De um dia vir a saber,
os motivos que levem à paixão.
Não me pergunte como...  
Simplesmente aconteceu!
Lhe entreguei, sem perceber,
a vida que me pertenceu.

Tão estranho estar amando.
À noite, ainda não amava...
Deitei e dormi .
De manhã... Acordei...
E pronto!  Já estava!
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Espreita Felina

Vejo nos olhos, a luz,
Do amor que incandesce e ilumina!
Amor é espreita felina,
Na caça de corações.

E estes, por Deus, coitados!
À solta, despreocupados,
Desconhecem esse perigo,
Não tomam nenhum cuidado.

O amor tem longas garras,
Fortes e afiadas.
Prendem nossa atenção
Junto à pessoa amada.

É uma prisão consentida,
Tortura atroz permitida!
Impede qualquer reação,
Domina a nossa vida.

Ergo as mãos para os céus,
Ao seu domínio me entrego.
Por teu amor, eu me rendo,
Amo demais e não nego.
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Um rio que morre

 

As lágrimas afloravam e como as águas de um rio que morre, o pranto lacrimejava seus últimos sentimentos.

Cascatas de mágoas que outrora arrastavam em turbilhões as roliças pedras do desespero, hoje mal se deixavam ver.

Mas precisava sentir, para poder acreditar. E precisava acreditar.

Somente deitando-se sobre o leito da realidade  tocaria o fundo da amargura

 e a tênue luz da sobrevivência se deixaria ver, indicando que o sol ainda brilhava.

E como é difícil a ascensão.

Os segundos se transformam em horas, o ar se rarefaz nos pulmões e a vida parece se esvair aos poucos.

A dor de um adeus, do nunca mais, do fim, do “para sempre”.

A incerteza de que existirá um amanhã e o hoje não será eterno.

Gira mundo...gira...

Chora céu...


 

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Quando se conhece a luz.

E quando procurei no pesar do fim de um amor,  a esperança de um recomeço, fiquei frente a frente com o querer.
Não quero um novo amor. Não desejo reviver velhos e conhecidos desenganos.
O amor sublima ao mesmo tempo em que sufoca. Traz luz à vida, mas como nenhum outro sentimento, nos entrega à escuridão.
E a escuridão se torna insuportável, depois que se conhece a luz. A vida solitária torna-se sem objetivos, depois de se viver um amor.

E pude fazer do amor, uma ilusão
Pude preencher com esperanças, minha antiga solidão.
Teci com fios de lembranças uma história
Hoje não sou mais só. Vivo com minhas memórias...

77

Vidas vazias

 

 

E no adeus incluíram-se sonhos e realidades.

Partiram-se ao meio as esperanças. Fiquei com as suas e você levou todas as que eu tinha.

Que importa? De nada mais serviriam...

Tive medo de me encontrar com a solidão do entardecer. Sabia que seria minha companheira da noite e minha verdade no amanhecer.

O relógio estava silente. No calendário não existiam dias futuros...

Nossa história transformou-se em um livro, onde ficaram guardadas as recordações e nossas fotos que registraram tantos momentos felizes, agora  transformavam-se em simples figuras decorativas que se deixavam ver em cada página folheada.

Um livro de alegres amarguras, que traz o gosto do fel em cada lágrima que corre pela face.

O adeus machuca. O adeus queima. O adeus destrói.

As mãos acenam mas os pés não se movem. As palavras morrem nos lábios. O olhar turvo procura apagar o momento.

E as vidas tornam-se vazias.

39

Insanidade

 

 

Penetrante é o teu olhar que qual lâmina cortante

rasga as vestes que me acobertam e escancara a nudez que protejo.

O que me é íntimo e oculto, o que disfarço e não revelo.

Em meu resguardo coleciono segredos e oculto sentimentos.

Dentro de minhas razões me defendo e me absolvo.

Ao relento, expõe-se toda a minha fragilidade deixando à mostra,

acovardadas e encolhidas, as minhas paixões

e a minha insanidade.

139

Alquimia dos poemas


 
Porque não te calas, poesia?
Deixe em paz minha alma!
Não vês que já é sem tempo?
Preciso um pouco de calma!
 
Passo os dias a transformar,
Desenganos em esperanças.
De lágrimas faço saudades,
Solidão transformo em lembranças.
 
Sofre o poeta a dor, na alegria
Mas veja só a ironia
Sofre o poeta a alegria, na dor.
 
Sofre o poeta de nostalgia
E vejam só, quem que diria?
Sofre o poeta de amor.
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.