Lista de Poemas

Sobrevoo

 
Eram  deuses no templo aceitando oferendas...
Eram  retas no espaço, sentidos opostos
Eram poses nas fotos, eram mares, eram rios...
Eram vidas unidas, eram mundos vazios...
 
Seja o gado estourado, seja a queda da água,
Seja o sol de amanhã, seja o pouco do nada
Seja o tudo do pouco, seja o quase do fim
Seja o são, seja o louco, seja um pouco de mim...
 
Tão distante do perto
Tão igual ao espelho
Tão real quanto incerto
Tão sutil... qual guerreiro...
 
Mostre a uva do vinho, mostre a pedra do tombo
Mostre o ramo do ninho, mostre o reio no lombo,
Mostre o não que consente, mostre o sim que proíbe,
Mostre a dor que se sente, mostre a mão que agride.
 
Segue o raio da luz, pegue a sombra da ave,  
Ouça o grito que dói, o fim da  eternidade...
Segue o instinto felino, seja a fome da fera
Siga em frente, caminhe, seja  a pedra que espera.
623

Saudade


Dor que meu peito invade, 
Angústia, ansiedade...
Tantas coisas se resumem
Em uma palavra: Saudade!

Saudade, dor por não ter
Não ver, não poder tocar.
Esse aperto no peito,
Que não tem como explicar.

Saudade, intensa agonia, 
Que inunda o coração.
É um querer ir embora, 
Que não justifica a razão.

Saudade, quanta vontade
Em fazer acontecer... 
Sentir, dentro do abraço, 
Aquilo que não pode ter.

Saudade, tormento da ausência, 
Que os sentimentos alcançam.
É morte, brincando de espera
É vida, buscando esperanças.
601

Reflexões


Então disse: - Olá!
Foi um segundo que representou um século, uma existência.
Um simples aperto de mãos transmitindo toda ansiedade...revolução do íntimo...
Não era o normal, não era o casual, impunha-se o especial.
Pulsavam as sensações no peito, debatiam-se o sentimentos em uma mistura heterogênea de inquietação e felicidade.

Então disse: - Te amo!
Foram palavras que saíram do coração e se transformaram em brados ressonantes, em hinos, em gritos suplicantes...
Poder de querer e sentir, domínio da alma, paz do refúgio, corrente de águas límpidas que renovava a existência. 
O amor explodia, feria, rasgava, dilacerava e queria mais, muito mais...
 
Então disse: - Te quero!
Emoções incontroláveis que vibravam os pensamentos. Tormentos, desejos irrefreáveis e incompreensíveis.
Coisa de corpo, de pele, de estar, de sentir!
Desejos de posse, sonhos de ícaro, conquista do irreal, querer místico onde tudo é muito pouco...
 
Então disse: - Espere!
Torturas da vida, confusões de sentimentos, dificuldade  em compreender.
O ontem se sobrepondo ao amanhã e sufocando o hoje!Lembranças incontidas, lágrima da dor, morte das paixões...
O Eu avolumando no peito, dominando, queimando, reinando.
A dúvida de quem não soube, o caminho de quem nunca esteve...
 
Então disse: - Adeus!
Quase um sussurro, voz frágil e comprimida, tremor de mãos...
Sentido de vida que foge de si mesmo, esperança de acordar, anseios confusos de quem quase morre.
Encruzilhada criada pelo existir, pondo em prática o impraticável, determinando o indeterminável, solidificando o insolidificável...
Sentido de quem nunca foi...razão de quem nunca quis...
558

Ela tem


Ela carrega no olhar,
O que poucas pessoas tem:
Um certo "que" de magia
Mística, como ninguém!

Tem no olhar penetrante
A espada, que mata o dragão!
E nos olhos tão profundos,
Um mundo de amor e paixão.

Reflete naqueles olhos
Um jeito mulher de ser.
A força de quem já sabe,
Quanto vale um bem-querer.

Ela tem nos seus cabelos,
O toque e o perfume das rosas.
Os fios encaracolados,
Que a deixam assim vaidosa.

O negro tom, tão sereno,
A torna linda, sem par!
Seu jeito assim, natural...
É de se admirar!
 
Dá vida aos seus cabelos,
O movimento das brisas.
Que reflete o frescor,
de sua pele, tão lisa.

Ela mostra no sorriso,
O brilho nascido no Sol.
No entreabrir de seus lábios,
As pétalas de um girassol.

E ela sorri tão lindo,
Que meu coração quase chora...
E por outro sorriso,
Pede, clama, implora!

Ela possui ao sorrir,
Um dom: transmitir a calma!
Deixa minha vida bonita,
E enternece minh'alma...
1 124

Tão somente, o amor.


 
Eu dei amor, eu sei
E mais do que poderia,
Foram anos de mera ilusão
Amei a quem não deveria.

E mergulhei na paixão,
De olhos vendados, no escuro.
Mas tampouco sabia, 
Que a perfídia existia...
Eu era jovem, tão puro.

Só que a vida, essa bandida, 
Guardava em seu coldre a insídia,
Arma letal, fulminante.
Fui seu alvo preferido
Aqui,  no peito atingido.
Um só disparo e os sonhos, 
Morreram no mesmo instante.

Não pode o amor, esquecer
Que a insídia é fatal!
A confiança, se cega
Mata o amor, que devia,
Ser para sempre! - Imortal!

E o que resta da vida
É o que teremos dos dias, 
Que intermináveis se seguem.
Dias onde a solidão, bate no coração, 
Mesmo que os olhos a neguem.

Ensino: cuidado com o amor!
Mesmo lindo é traiçoeiro!
Penetra em seu coração
e te possui por inteiro.

Não há defesa no mundo
Que possa impedir esse ataque, 
Pois é nosso coração,
O objetivo do saque!

O amor nasce lá dentro, 
Cresce e declara domínio, 
Toma este território
E nele constrói o seu ninho.

Passamos a ser prisioneiros,
Reféns desse sentimento...
Amor, doce amargura!
Amar, sublime tormento!
575

Destino


Não, por favor não me leves,
Não me leves, não me faças ir!
Assim suplicava a flor,
Me deixe, não quero partir.
 
Não  tires o  ar que respiro
Que brota aos pés destes montes,
Regados de frutos silvestres,
E a seiva que brota das fontes...
 
Eu amo este céu que vislumbro,
Do qual conheci cada estrela
Eu quero o clarão desta lua,
Pois nunca me cansei de vê-la!
 
Mesmo arrancada do solo
Que sempre me forneceu vida
Não quero deixar a paisagem
O verde da terra querida!
 
Não chore, assim respondeu
A chuva, que ouvia a flor.
Agora, pertences ao mundo,
Serás o remédio da dor.
 
Serás eterna, eu garanto!
E esteja lá onde for,
Sempre estarás entre nós,
No aroma eterno do amor.
1 154

Por que?


Por que esconder aí dentro do peito
esta flor que desponta, criança ainda?
Por que não dizer, disfarçar desse jeito,
aquilo que cresce de forma tão linda?

Por que omitir, resguardar-se do que?
Nada é mais puro nesse momento.
Por que não viver, na totalidade
o mundo que explode neste sentimento?

Por que insistir em trocar toda hora
A beleza do sim, pelo escuro do não?
Por que negar ao mover os seus lábios
aquilo que vive em seu coração?

Por que não dizer, por que esperar?
Viver é tão bom, mas passa ligeiro.
Por que se calar  e ficar com tão pouco
Daquilo que pode ser seu, por inteiro?

Por que não falar, gritar para o mundo
Aquilo que quero, espero e reclamo...
Deixar escondida essa frase infinita, 
por que não dizer, simplesmente: Eu te amo!
612

Esperança


Um dia ela chegou...
Sorriso de quem sabe, certeza de quem vive.
Desafiou o impossível, jogou com a razão...
Fez do minuto uma existência, das palavras um elixir mágico,
Das letras, um poema...
 
Um dia ela chegou,
E no ninho velho e desarrumado deste pássaro errante
O sol amanheceu mais cedo, a lua tardou, o tempo parou
A paisagem se fez quieta. Ninguém mais falava, pois nada mais
Se queria ouvir...
 
Um dia ela chegou e com seu jeitinho de menina
Fez um coração bater forte, fez vida, fez luz...
Fez renascer o amanhã, na espera do ontem...
Fez do véu da tristeza um manto de alegria.
 
Um dia ela chegou atrevida
Dizia o não pelo sim, o talvez pela certeza,
Deixava nas entrelinhas, o desejo...
Do acaso fez história, da dúvida acerto...
Fez como chuva que alimenta, no peito cansado brotar forte ...
A flor perfumada do amor...

Um dia ela chegou e como uma deusa,
Tomou posse do meu reino, mudou os móveis, arrumou a casa...
Alterou os rumos, o lado do vento, assim, discreta,
Secreta e apaixonadamente, verdadeira.
1 079

Exílio da alma

 

Um deserto sem areias, mar sem ondas, céu sem nuvens.

É assim a solidão.

Uma impressão do nada a nos circundar, nenhuma brisa a tocar.

Nada a ouvir, falar ou ver. Nada que possa interessar.

O universo do corpo, o limite das mãos, o vagar dos pensamentos.

Estes viajam por sonhos distantes, procurando vestígios das escritas perdidas no passado, 

Em uma história que termina em páginas vazias de um livro singular abandonado sobre a mesa.

A vida se torna inobjetiva. Os minutos iguais se transformam em dias sem luz e noites sem luar.

A solidão é um espaço vazio, onde agonizam as almas...

208

Desaguar


Adormecido, sob o manto do luar,
Pus-me a sonhar com as venturas da paixão
Amanheceu quando fulgiu o seu olhar,
Rumo ao amor, vi navegar meu coração.

Em quantos rios correm as águas, como vidas,
Que aos oceanos se fizeram desaguar.
Como as saudades que sobre ondas, perdidas,
Longe das margens se deixaram naufragar.

Segure o leme! Siga o brilho das estrelas!
Pelos caminhos do amor, vão te guiar...
Deixe que brisas do querer soprem as velas,
Para nos mares de esperanças navegar.
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.