Lista de Poemas

Sublimação


Senti  sofrimento, ilusão,  amargura,
Quando abracei aquele sentimento.
Doeu no meu peito esta louca ventura,
Por querer viver como eterno, um momento.
 
Nas noites passadas, sob  o afago da insônia,
E os devaneios do quase dormido.
Nos olhos correram as águas salobras
Do mar das angustias, do amor mal contido.
 
Entre oferendas à deusa do amor
Vivi tanto tempo assim subjugado
O amor em minh’alma era forte,  tamanho!
Que me tornei mais um apaixonado.
 
Quimeras vivi,  delírios sonhei,
Do ar respirei a mais pura paixão.
Perdi-me no tempo, perdi –me no espaço,
Perdi o controle do meu coração.
 
Foi bom? Eu nem sei! Mas posso jurar,
Senti  essa chama queimar com ardor.
Agora, lembrando já posso gritar:
Enfim, fui feliz! Eu vivi este amor!
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Um vulto


Apenas um vulto...
Sombra de um sentimento, vestígios de uma imagem, 
Barco que deixou o cais e se perdeu no mar.
Restos cansados que dividem o deserto do sonhar... 
Gotas de felicidade que secaram na branca areia.

Apenas um vulto...
Visão embaçada pelas lágrimas, caminhar lento, 
Pensamentos que se avolumam e se confundem.
Lembranças incontroláveis, ansiedades dominantes, 
Desejos incompreensíveis, solidão!

Apenas um vulto...
Caminhos que se formam a cada passo, 
Pegadas que se apagam, sem deixar passado.
Rumos que não existem, sol que não nasceu,
Estrela que não brilhou, amor que não se fez!

Apenas um vulto...
Vida que se perdeu sem sentido,
Sentido que se perdeu na razão,
Razão que perdeu seu motivo,
Motivo que perdeu a esperança,
Esperança que se perdeu no ser,
Ser que se perde na vida!

Apenas, um vulto...
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Utopias


Não posso falar do que vai
no fundo do meu coração
Seriam palavras ao ar
Seriam frases em vão.

Não posso falar no que penso
Nada iria acontecer...
Como explicar sentimentos
À quem nunca quis entender?

Ficando mudo, me guardo
Evito de ser mais ferido.
Por que tentar novamente
Se nunca alcancei ser ouvido?

Assim, deixo as coisas seguirem
e seja lá o que for...
Como explicar um jardim
a quem nunca olhou para a flor?
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cismando... (Pensamento)


Que tal deixarmos de apenas aplaudir as boas atitudes alheias e passarmos a ter boas atitudes que mereçam aplausos?
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É ela (poema musicado)


A brisa da praia remexe
Os longos cabelos morenos
O charme no andar revela
O seu jeitinho sereno.

É ela que vem, é ela
É ela que saiu do mar.
É ela que vem, é ela
A deusa que me faz sonhar.

O corpo dourado no sal,
A marca pequena do fio.
Sorriso que humilha o sol,
Beleza igual não se viu.

É ela que vem, é ela
É ela que saiu do mar.
É ela que vem, é ela,
Sereia que me faz sonhar.

O seu andar vem trazendo
Aquilo tudo pra mim. 
Não sei se sou dono dela,
Ou se ela é dona de mim.

É ela que vem, é ela,
É ela que saiu do mar.
É ela que vem, é ela,
É ela que me faz cantar.
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Fugaz


Senti no frescor da sua pele
o aroma que embriagava, 
que seu corpo nu exauria
e com prazer me entregava.

Vivi por séculos o instante. 
Sofri da dor a essência!
Por sobreviver ao delírio,
lúcido e sem consciência.

Quis adentrar no ocaso, 
da tarde que longe morria
e  ressurgir no momento,
que em seus braços, nascia.
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Recordações


Ah! quantos  doces momentos, 
De nossa vida, em comum.
Dois corações, que batiam,
Assim, como fossem só um.

Os sonhos esparzidos das almas, 
Quanta ilusão vivenciamos!
Quantos momentos de calma,
Quanta paixão desfrutamos!

Da felicidade, me lembro!
Era amor puro, era anseio!
Revejos os sonhos  de vida, 
Quimeras em mil devaneios!

Cada encontro, no tocar da pele.
Cada olhar, explodia esperanças!
Cada frase de amor, cada beijo, 
Hoje habitam as minhas lembranças...

Ah! Que momentos vivemos!
Em nossa pouca idade.
Momentos que hoje alimentam, 
Meu coração, com saudades...
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Onde anda a poesia?


Onde está a poesia
Aquela que fala de amor?
Onde estão os sentimentos
Aqueles que enfeitam a dor...

Onde andam as velhas rimas
Feitas em prosas e versos
Onde andam os delírios,
De corpo e almas abertos.

Onde se encontram os poetas
Que ainda se inspiram nas ruas, 
Onde se encontram os poemas
Criados sob a luz da lua.

Para onde foi a poesia
Que habitava as almas, 
Aquela que aos corações, 
levava a paz e a calma...

Onde ouço o canto dos ventos, 
Que sopravam nas linhas dos versos?
Onde escuto do mar os murmúrios
Segredos nunca descobertos...

Onde leio sobre os amores
Que transformavam destinos
Onde encontro as grandes paixões
Que eram cantadas qual hinos...

Onde encontrar os poetas
De sentimentos tão puros, 
Que emprestavam suas luzes
Aos pensamentos escuros.

Como afinal eu consigo
Matar essa dor que me invade
Se por poetas e versos
Hoje meu nome é : saudades!
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Somos


Em que se sinta a relevante sintonia de pensamentos
Pelos quais e por muitas vezes nos confundimos em apenas um,
Restam guardados resquícios de desejos, não satisfeitos, natimortos,
Das frações do tempo que não desfrutamos em comum.
 
Por descuido, por dormência, até mesmo por costume,
Olhamos para o objeto, ignoramos o lume,
Ficamos apenas  absortos, perdidos em reflexões.
Preocupam-nos a existência dos fatos, preocupa-nos as procedências, 
Escapam-nos os motivos, despercebemos as razões.
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Tarde em mim


Tarde, crepúsculo da existência
Por do sol das esperanças...
Nuvens douradas que demarcam os horizontes
e enfeitam o limite entre sonhar e viver.

Tarde, momento de reflexão,
Aviso de noite.
Tênue brilhar da luz da vida, 
expectativa de silêncio, espera de fim.

Tarde no coração, na razão.
Olhos fixos no espaço...
Linha já visível do limite do tempo.
Dia que ficou, lembranças das manhãs...

Tarde que traz as saudades de quem olha para trás.
Visão de passos desconcertados, 
Caminhos de muitas voltas, incertezas, ilusões...

Tarde, certeza de noite, incerteza de um amanhã, 
nostalgia, misto de solidão e calma.
Paz do realizar, fogo do desejar
Brisa que alenta o frio que congela a alma.

Tarde, alquimia das paixões, 
Brasas perenes do amor...
Promessa de cinzas...testemunha dos fatos...
Juíza implacável da verdade!
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.