Lista de Poemas
Quando o Amor Acabar

Eu Te Amo
A quantas vidas te procuro
São tantos véus que se faz obscuro
O amarei, o amar, o amei
O que faz saciar minha fome
E o meu sangue impuro se faz
Por tantas vezes, que eu já não sei
Nesta busca insana, e m'alma inflama
Eu penso que sei, que te achei
Meu Deus, como posso amar o que não sei
Como posso olhar os teus olhos
E te ver no passado ou no amanhã
Em teus braços amados, sentir que te achei
A quantas vidas grito, saudades!
Pegadas sobre pegadas, e refazer os meus passos
E procurar teu regaço
Que tantas vezes minha cabeça reencostei
E dizer-te, que eu te amo e dizer, eu sempre te amei
Sombras Líquidas
Há sombras líquidas em cada canto da rua,
no desordenar de nuvens imprecisas.
Mas as lágrimas são minhas — não são tuas —,
desenhadas pelas tuas mãos, poetisa.
Eu me depuro em marasmo elusivo,
perdido a olhar um ponto no espaço,
sem encontrar sequer um objetivo,
pois apenas amo — e não sei o que faço.
Esta é a tristeza de uma longa espera,
um abandono cruel e perene.
Se já amaste, então não me condenes:
o amor abranda até o coração da fera.
Minha insensatez é amar na loucura
e reinventar meu triste coração partido.
Tão cego, não me importo com a desventura
ao ouvir tua poesia em meus ouvidos.
Não sou sombra líquida na escuridão:
sou o crepitar de uma grande fogueira —
mas que, na verdade, apenas permeia
as cinzas do meu pobre coração.
Alexandre Montalvan
O Voar da Borboleta
Há sangue nas mãos da minha caneta,
escrever palavras às quais me oponho,
uma densidade que me tira o sono,
quero desfazer esta feroz treta.
Translado a alma jogada na sarjeta,
para eu, confessar o que não falo,
ao tocar minha mão na tua boceta,
e a ereção incontida do meu falo.
Esta entrega emocional é uma faceta,
de um ser que se oprime neste sonho,
como posso compreender este meu tono,
colocado no papel com tinta preta
Não há prazer neste poema falho,
que me nasce azedo nesta sarjeta,
como uma árvore sem seus galhos,
ou o voar estático da borboleta.
Alexandre Montalvan
A Leveza do Vento
Não é a rosa que exala,
São tuas mãos que me perfumam,
É como o vento que abala
O balouçar de uma pluma.
És o silêncio que antecede a tempestade,
A luz que brilha nas estrelas,
O crepitar do fogo que arde,
As mãos, e o pior, o meu medo de perdê-la.
Faz-me esquecer a fala
Quando nossas mãos se unem,
Até o vento se cala,
Eu me embriago ao sentir o teu perfume.
A sinfonia do vento torna tua alma leve,
As tuas asas afagam o meu coração,
Traz a mim a felicidade e me leva,
Leve como o vento, faz-me sair do chão.
Alexandre Montalvan
O Brilho da Tua Alma
Sinos que ressoam na imensidão,
sons agudos que ferem os tímpanos.
Sua cadência espanta a escuridão
e traz a lua que ilumina o meu destino;
mas são os sinos que me apontam a direção.
Eles rangem com martelos ao norte,
como poesias escritas por tantas mãos.
Gritos na noite espantam a própria morte,
e eu, docilmente, lhes dou suporte
ao ler teu poema solidão.
Assombro! Meus olhos estatelados no escuro
saltam das órbitas, e eu me desfiguro
como um ventre aberto, feito de ouro puro:
é teu brilho que ilumina o meu escuro,
és a verdade que aparece e mostra o futuro.
Assombro! Este horror que em meu rosto espalma,
deste poema corpo que me faz perder a calma.
Ele é puro branco com ares de fantasma;
carpir pedaços de minhas cicatrizes e traumas,
porque é o brilho que resplandece da tua alma.
Alexandre
Noites Sombrias
Aqui, a loucura não morreu,
não se mata a ausência de vida,
certa que se infunde à prometida,
certa que é a única saída,
que nunca se perdeu.
Aqui é a fonte das palavras,
mesmo as frases já cansadas,
mesmo as que usam muletas,
soam como cobras pretas
que nos ventos dão botes violentos
sobre a mão da minha caneta.
Aqui, os gritos são surdos,
envoltos em nuvens de medonhos sonhos,
de almas penadas,
possuídas por demônios,
em celas escuras e mal-assombradas.
E é aqui que fico,
sentado, sem poder ver a rua,
com o coração, desacreditado e aflito.
E, apesar do hospício da noite,
minha mente e corpo atenuam.
Olho no relógio de pulso,
é quase cinco...
Mais duas horas, e verei o teu sorriso.
Levanto-me, tomo um copo de chá
e volto a sentar,
no limbo deste recinto.
Alexandre Montalvan
Meus Versos
Eu sou nada,
face ao universo,
nem ao menos um grão de areia perdido,
exceto quando, livre, faço versos—
isto só faz aquele a quem o universo
tenha parido.
No meu derradeiro porto,
encontrarei você à minha espera
e ouvirei o som do teu sorriso
quando o amor do meu eu se apropriar.
Lembrarei de cada palavra,
de cada emoção das minhas poesias.
De resto, tudo
ficará infinitamente disperso,
a ouvidos surdos por tão fracos ruídos.
E, ao fim dos tempos, oh! destino perverso,
até mesmo os versos serão
finalmente esquecidos.
Alexandre Montalvan
Meu Deus
Soneto: Meu Deus
Só há um Deus sobre a terra
Mas eu o busco no sagrado
E onde menos alguém espera
Eu o encontro desfigurado
Pela palavra vã de muito poucos
Cada um a se consagrar porta-voz
Mas os seus corações são ocos
Pois Deus está dentro de nós
Meu Deus! Minha alma divido contigo
E peço me proteja do perigo
De pecar por disto esquecer
Meu Deus! Quero estar ao teu lado
E fugir desta ignorância e do pecado
De tê-lo em meu coração e não perceber
Alexandre Montalvan
Soneto: O Orgulho

O Orgulho
O orgulho forja a alma dos homens
Pois creio, submissão é corrosiva
Viva os loucos, mas não os domem
São verdadeiros e feitos de vida
Na contra mão a arrogância enoja
Respeito ao individuo é supremo
Sitio que faz do ferro aço é a forja
É na forja onde o calor é extremo
Ao tombo de um leão em uma luta
Morto por um grande filho da puta
Leão tombou inerte na relva quente
Mas sua gloria em vida ninguém refuta
Na morte seu orgulho edificou a disputa
E morreu mais glorioso que muita gente
Alexandre Montalvan
Comentários (2)
És um poeta magnifico, poesias lindas, parabéns!