ALVARO GIESTA

ALVARO GIESTA

n. 1949 PT PT

Alvaro Giesta é nome literário, (Foz Côa, 1950). Escreve poesia, ficção e ensaio. É editor e coordenador literário.

n. 1949-12-11, Numão, Vila Nova de Foz Côa

Perfil
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EM JEITO DE AUTORETRATO


Quantas vezes fui mar bravio e pedra dura
fingido herói buscando a força da floresta
aquele que no verão resiste como a giesta
no inverno se nega à força da sepultura.

Se fui terreno enlameado, porém não fui
a traiçoeira e falsa areia movediça;
e muito menos falsa ponte quebradiça
sequer aquele que em falsas preces se dilui.

Sou a força do mar bravo; e do vulcão
o fogo que aquece e que destrói. Sou e fui
a força vertical quando devo dizer NÃO

e o quebrar - sem torcer - da força da razão.
Jamais aquele que de ideias se prostitui!
__ Assim fui e serei sem qualquer inflexão.

in O SERENO FLUIR DAS COISAS, 2018, In-Finita Lisboa
antes publicado na Antologia Conexões Atlânticas II
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Biografia
Alvaro Giesta é nome literário, (Foz Côa, 1950). Escreve poesia, ficção e ensaio. É editor e coordenador literário. É membro do PEN Clube Português, Académico da ALA, em Portugal, Académico da ALTM, em Trás-os-Montes, sócio da Associação Portuguesa de Escritores e sócio do CEMD (Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora). Viveu em Angola entre duas guerras – a colonial e a civil – entre 61 e 75. Autodidata, por definição, é a partir do ano 2000 que desenvolve uma maior actividade literária em vários sítios da internet. Premiado em 2018 com o prémio de poesia Manuel Neto dos Santos, com o original da obra poética HÚMUS. Tem obras traduzidas em castelhano, galego, chileno e romeno. – Livros publicados: 12 de poesia e 1 de contos; – Livros a publicar PASCOAES e a SAUDADE, ensaio. – Coautor em mais de 40 antologias de poesia e conto em Portugal, Brasil e Roménia. – Concebeu e fundou em 2013 a revista literária impressa A Chama de que foi editor e director até 2015. Concebeu sob a égide desta revista, a Colectânea Literária de Autores IDEÁRIOS que coordenou e editou, no seu 1.º número com 29 autores, publicada em 2019. – Colaboração Literária e Jornalística independente em vários jornais e revistas literárias, no país e no estrangeiro, em poesia, ensaio e narrativa, nomeadamente na BIRD, revista literária online nascida sob a égide da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde durante 2 anos escreveu uma coluna semanal sobre ensaio e crónica.

Poemas

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colhia urtigas bravas na orla dos caminhos

colhia urtigas bravas na orla dos caminhos
quando a sombra se vergava à tarde tórrida.
os olhos resplendeciam na fonte onde o peregrino
dobrava o joelho em terra para da água límpida beber
a eternidade ― no céu colhia o “pó das estrelas”
que georg trakl plantou no seu poema. veio a noite
e as mãos inchadas do peregrino ― não do cáustico
fervor das urtigas bravas. mas da fome que tinham
de escrever as agruras no poema ― erguiam-se
sonâmbulas pedindo ao calor da terra fria e funda
o remédio para a dor da solidão.
a mão inclemente e redentora devorava as folhas
da sebenta e plantava na cor cinzenta do papel
fragmentos de silêncio _____esse animal inominável
a quem o peregrino devia o mistério das palavras
que cresciam no âmago do poema_____

Desta Gaveta de Sombras (caderno 2: Para a teoria do tempo e da descrença)
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[carta a um caminhante sem nome e sem destino]


hoje escrevo-te esta carta numa hora de inquietude
e solidão. com uma caneta que deixa na tinta
bem vincada, a vontade expressa de acordar-te.
é tempo de firmares os pés no chão
e de voltares à casa — à casa de onde a revolta
te expulsou. a força das mágoas fustiga-te a memória.
a memória que te dilacera na intemporalidade
de um silêncio cobarde. que te rasga a carne e dilacera
os ossos. viagem atribulada que te roubou o canto
e feriu o sonho por cumprir. hão-de acordar-te
os mistérios da esperança que tens em chama no olhar.
deixa que um resíduo de força se insinue na tua vontade;
te leve nas asas do tempo, como quando um resíduo
de vento se insinua por entre os ramos da árvore e leva
com ele as folhas soltas e leves nas asas da liberdade.
_______________
AG © "manuscrito" desta gaveta de sombras (caderno 2. da teoria do sonho e do silêncio)
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