Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

n. 1980 BR BR

Poetisa digital e popular, folclorista por natureza, latinoamericanista, residente em Rodeio, conhecida pelo seu blog Versos Intimistas e poemas dedicados a Rodeio, ao Médio Vale do Itajaí, a Santa Catarina, ao Brasil e as três Américas. Todos os meus livros estão disponíveis gratuitamente.

n. 1980-05-30, Rio de Janeiro

Perfil
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Convergência Abraâmica

Agir por impulso conduz

ao caminho enganoso 

como menos tortuoso,

Porém, que pode distrair

e levar a perder forças

para continuar a seguir.

 

​Agir pela razão conduz

ao caminho estreito

considerado imperfeito,

mesmo mais lento, 

Você não perderá 

a margem segura 

da sua movimentação.

 

​Entre o impulso e a razão,

por onde a convergência 

abraâmica nos orienta,

não nos leve à queda 

no abismo da tormenta.

 

 

 

 

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Poemas

39

Déjà-vu

Admito convicta que é um lindo

déjà-vu vê-lo no tempo da florada

generosa do Orgulho de Barbados,

abrindo comigo uma caixa enfeitada

e apreciando cartões de namorados

feitos por um misterioso marinheiro.

 

Há algo pleno em nós, raro e olvidado

nos dias de hoje: a crença firme 

de que o romantismo não está superado,

e que não nascemos para outro destino 

que não viver nos amando, lado a lado. 

 

Dizem que é preciso ter cuidado,

o coração está cunhado sem conseguir 

parar de te querer junto e gamado,

porque ama com o que há mais devotado.

4

Memória Caiçara

Alma criada, feita para navegar

no mar da Humanidade,

tem memória caiçara desde

nascença para fazer tudo durar.

 

Sem temer lidar com o tempo

e as correntezas marítimas,

entre pescar peixes e almas,

também aprendeu a escutar,

enquanto tece as suas redes.

 

Quando a guerra se aproxima

com os seus deuses e senhores,

eles sabem manipular e tocar

nas nossas mais íntimas dores.

 

Entre sóis, luares e marés,

para que não nos percebamos

nos espaços sendo abertos,

aprendeu que, antes da guerra,

os seus deuses e senhores

buscam estar entre os fragilizados

dos matizes mais variados.

 

Todos eles premeditam quebras

de confiança, cortar laços,

desligar o discernimento,

os afetos e a comunicação,

para arrebentar povos por dentro.

 

Urge não buscar ordinários tormentos,

porque eles são hábeis em tornar

espaços de vida em confinamentos.

 

É preciso todos estarem atentos:

[Para não nos render, e não haver tropeços.]

6

Sereias bahamenses

Em tempos absolutos

da florada Ginger Thomas,

da Ilha de Andros

trago a misteriosa poção

para fisgar o coração.

 

Caí na tentação e pedi

emprestada a sedução

das sereias bahamenses

para fazer o marinheiro

se render com imensidão.

 

A força cósmica tem

unido o amor e a paixão

de maneira imparável

a tudo o que é inevitável:

Somos oceano indomável.

 

4

Dagger Log

Pela América Central insular,

deixar pelas correntezas

o que não nos cabe levar:

deixar tudo vir a se dissipar.

 

Com o florescer bonito

da majestosa Dagger Log,

contigo vir a me maravilhar

e agradecer o amor infinito.

 

Mergulhar no Lago Enriquillo

as ideias e o que faz sentido,

para ninguém nos atrapalhar

no nosso destino escolhido.

 

Além de Antígua e Barbuda,

todos os dias escolher ser tua,

e você escolher ser meu,

honrando o que a vida nos deu.

5

Voz das Cunhãs

 

 

Na voz das cunhãs, sou a reverberação

por tontura e falta de respiração.

Sou o poema-denúncia com passos

de todos os bois por vocação.

 

Pela Amazônia profunda e recôndita,

contra todos os tipos de incêndios:

jamais esqueço que no Norte também

são todos meus irmãos e brasileiros.

 

Por isso jamais posso virar o rosto,

não posso fingir que sinto desgosto

e negar para ninguém que há sufoco.

 

Posso ser tudo, só não posso agradar;

e sempre que o peito de quem quer

esteja a queimar porque está faltando ar.

5

Meu Boto-Cor-de-Rosa

Você foi transformado por mim

 

em Poemário Nacional 

 

sem a expectativa de que 

 

tu haverá de ser meu no final.

 

 

 

Porque algo me diz que você

 

é o próprio Boto-Cor-de-Rosa

 

que brinca com as moças

 

durante a festa e depois 

 

sempre acaba voltando para o rio.

 

 

 

A última coisa que quero é 

 

me preocupar se um dia você 

 

volta porque obrigar alguém 

 

a amar na vida não compensa. 

 

 

 

Perto da beira do Rio sou o Pau-Rosa 

 

que não tem espinhos que fico 

 

muda e quieta a espera de que você

 

perceba que eu sempre ali estive 

 

enquanto passava como um cometa.

 

 

 

Meu bonito Boto-Cor-de-Rosa 

 

conforme a lenda com o rosto encoberto 

 

e Poemário Nacional 

 

feito por mim para que se renda

 

e na vida tenha uma mulher-poema.

7

Orquídeas negras

Coloquei o esplendor de orquídeas negras,

para observar os senhores das guerras. 

Revigoro a memória corpórea como quem

dança a dança mais mortal com feras. 

 

Acendi candeias da História da Humanidade 

como que recorda as lendas sobre o romance entre o Sol e a Lua, a promessa do Eclipse,

no prelúdio da noite mais escura e alucinante 

de que tenho notícia nos últimos tempos.

 

Comigo carrego o que revive a real bravura

da áurea época em que não existiam

México, Belize ou quaisquer fronteiras —

apenas a honra na mais alta estatura 

de Gonzalo Guerrero e Zazil Ha,

para não olvidar do melhor que há.

 

[Não se esqueça que a poesia tem asas para voar.]

4

Pindaíba-vermelha

Agradecer à primavera pelo florescer 

bonito da Pindaíba-vermelha.

embora a gente saiba que não nasça 

na Mata Atlântica do sul inteiro,

O Criador sabe a razão, ele é perfeito.

 

Enlevar ao nosso jardim da pele,

e levar à tona a memória afetiva 

que dos seus magníficos frutos 

também temperos podem ser feitos,

e que conhecer nos faz mais brasileiros. 

4

Pacari

Primavera da memória afetiva

do Pacari em Santa Catarina,

ele dá sombra e é curador,

e, com sua florada, enche

o coração com muito amor.

 

Como estrelas, as suas flores

se abrem de noite e perfumam,

espalhando festa e vida

para quem nutre o saber

por onde sempre caminha.

 

[É sobre cultivar o que tranquiliza.] 

 

 

 

 

 

 

 

4

Ludovico, um papagaio.

A memória desta ave é longeva

para boas ou más experiências.

E não se trata apenas de um poema,

é para deixar para a vida toda

registrado: porque o que se leva

na memória nunca será passado.

 

Há mais de três décadas foi

pela dona procurado.

Dizem que ele para a Baixada Litorânea,

na Região dos Lagos, foi levado,

e pode estar vivo em qualquer lado;

ele nasceu no Rio de Janeiro,

ele era amado e bem cuidado.

 

[Ludovico era um papagaio

que nunca mais foi encontrado.]

 

"Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida,

Que os anos não trazem mais!"

 

— Casimiro de Abreu

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Comentários (19)

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Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.

Ok... Poetisa muito belo este testo poético.