Annarchya

Annarchya

Um lema," Liberdade entre as letras", e um anseio, o de libertar o máximo de leitores com minha escrita.

Perfil
11 362 Visualizações

Cinza

Cinza se tornam...
amores , afetos,
o tido como certo,
caindo no abismo cinzento
Cinza se tornou,
a fé, a razão,
nem rancor, nem paixão,
restou o pesar...
então estão cinzentos,
e assim permanecem...
entre o pulso vazio surge
o nada...
nem caos, nem ordem nenhuma,
nada restou...
e quando finalmente se calar,
vai enfim encontrar...
Paz.
Ler poema completo

Poemas

5

Apenas

Apenas corra...
se suas pernas queimam,
se seu peito arde,
se lhe falta o ar...
não se permita falhar...
Apenas corra.

Apenas voe...
se lhe faltam asas,
se lhe tiram a fé,
se o sol lhe derrete,
não pare...
apenas voe.

Apenas sonhe...
Se o sonho é só,
se é só que se sonha,
se a visão e só sua,
não cale...
apenas sonhe.

Apenas lute...
Se lhe falta força,
se lhe sobra medo,
se transborda a dor,
punhos cerrados...
apenas lute.

E no fim de tudo,
se apenas tiver feito,
bem ou mal, bom ou ruim,
o apenas será o seu mundo!
838

Pai

Eis que abro os olhos, o vejo por fim,
Nos céus me atira, um soco no ar,
Uma promessa tão bela a ecoar,
uma linda existência aguarda por mim...

Eis que cresço, e o que sobrou?
Promessas quebradas, humilhação,
como pode haver redenção?
Como tanto amor acabou?

És pequeno , és um fraco
estorvo incapaz,
sem um dia de paz,
naufragou esse barco...

E hoje ,cacos a reunir
nunca mais firmará a promessa,
a lição que passo seja essa,
nunca deixe uma infância ruir.
808

Caixa

Não quero viver na caixa...
A caixa não me comporta mais...
Daqui não vejo a luz,
ou mesmo onde somos iguais.

Não quero mais essa caixa.
Que confina meu entender,
Que isola minha angústia,
que rouba todo meu poder.

Mas temo deixar a caixa,
lá fora monstros a enfrentar,
fome, praga , peste, morte...
Quem poderá rebelar...

Então saímos juntos da caixa,
de mãos dadas, o todo em um,
Assim nenhum mal nos afronta
não tememos perigo algum.

Mas se saio da caixa sozinho,
meu igual monstruoso ficou,
então foi a caixa ou o mesmo,
quem por fim nos aprisionou?

851

Correntes

E assim passamos os dias...
os olhos, as bocas e as mentes e as pragas...
são correntes... são os outros a falar,
e seguimos sem pensar... correntes ...
Bonecos e correntes nos dedos uns dos outros,
e correntes em quem importa, e palavras e afetos...
desfeitos.
Correntes e correntes...
seja quem eu quero, eu sou quem querem,
todos bonecos em correntes, puxadas por outros bonecos em correntes... alguém pode ser em paz? Ou morrer em paz...?
Olhos ,bocas ,mentes e pragas o alcançam no abraço frio...
Correntes que já não sente. Para quem há de importar...?
A quem fica, mais correntes
844

Sejas escravo

Maldito sejas escravo,
Tu que fazes tudo como te ordenam
Tu, que te calas diante da opressão,
Tu que traz a dor por ordem alheia,
ou de devaneios das entranhas tuas,
escravo sejas maldito...

Maldito sejas, escravo,
Tu que lambe as botas do senhor,
Tu que lambe as próprias feridas à noite,
quando contra tua própria vontade açoitou,
Bateu e humilhou inocentes iguais a tu,
escravo sejas, maldito...

Maldito, sejas escravo
Tu , que derramaste sangue e lágrimas para aqui estar,
e logo logo esqueceste de onde vieras,
passando a pisotear aqueles que muito te amaram,
transformando em inimigo teus irmãos em sofrer,
escravo, sejas maldito!!!

829

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
tiamat

Digno poeta! Trás à tona uma chuva do sentir... da dor ao amor, do professor ao aprendiz.

EDUARDO POETA

ANNARCHYA,PARABÊNS PELOS SEU POEMAS,BASTANTE SIGNIFICATIVO! Abraços EDUARDO POETA