Nasceu em Lisboa, onde viveu a maior parte da sua vida. Estudou em liceus e no Colégio Militar. Desde cedo que se interessou pela poesia, tendo feito as primeiras rimas com cerca de doze anos. Ao longo do tempo tem cultivado os seus conhecimentos em vária áreas relacionadas com artes. É arquitecto e presentemente insere-se num Grupo de Teatro Experimental a funcionar em Alcoutim. É casado há quase quarenta anos, tem dois filhos e três netos, brevemente quatro. É feliz e espera fazer ainda mais coisas. Gosta de História, utilizando-a para tentar compreender as pessoas e o mundo. É monárquico. Gosta de uma boa polémica e de discussões inteligentes. Gosta de criticar e de ser criticado por quem sabe mais do que ele, pois entende que isso faz crescer, partir a redoma em que, por vezes, se tende a ficar encerrado.
Lista de Poemas
UM ADEUS
Sonhei-te mais real do que a verdade
tirada do armário das memórias
e sombra a traço tudo desenhei
como quem vai ilustrando histórias.
Anos a fio, enquanto a vida passa
em turbilhões de nada afogada,
o teu retrato imenso ia surgindo.
Lembrança ténue embalada em nada.
Risquei vivendo e pintei o mundo.
Com pinceladas fortes cor de tudo,
somei saudade, juventude e esperança
como se fosse sempre uma criança.
Não guardei o papel seco e já gasto
onde inscrevi essa memória ausente
que exposto ao pó permanentemente
aguarda o dia em que o leve o vento.
Sonhei-te mais, mas nunca acordei.
Fiz por fazer um muro intransponível
que pedra a pedra a vida foi erguendo
tornando o horizonte imperceptível.
Sei onde estás. Sei bem onde tu estás,
não o que és ou não neste momento.
Sigo-te sombra como corpo ausente.
Vejo-te ainda como sou capaz.
Foi naquele pátio, sob uma latada
de uvas (ou não); seria do que fosse.
Dissemos adeus, talvez um dia destes
voltássemos ali, num outro verão.
Voltei, mas já passados muitos anos.
Só vi saudade, tempo, nada mais.
E tem sido assim ou sempre assim.
Sussurros de pinheiros, de brincadeiras,
voltando em cada dia, sem descanso.
O tempo passa, a vida escoa lenta,
mas de repente perde as estribeiras
precipitando-se em torrente imensa
e rasgará então sem quaisquer peias
a grossa folha do papel que foi
história sem enredo e escrita a sonho
memória sem ideias. Tudo, apenas.
tirada do armário das memórias
e sombra a traço tudo desenhei
como quem vai ilustrando histórias.
Anos a fio, enquanto a vida passa
em turbilhões de nada afogada,
o teu retrato imenso ia surgindo.
Lembrança ténue embalada em nada.
Risquei vivendo e pintei o mundo.
Com pinceladas fortes cor de tudo,
somei saudade, juventude e esperança
como se fosse sempre uma criança.
Não guardei o papel seco e já gasto
onde inscrevi essa memória ausente
que exposto ao pó permanentemente
aguarda o dia em que o leve o vento.
Sonhei-te mais, mas nunca acordei.
Fiz por fazer um muro intransponível
que pedra a pedra a vida foi erguendo
tornando o horizonte imperceptível.
Sei onde estás. Sei bem onde tu estás,
não o que és ou não neste momento.
Sigo-te sombra como corpo ausente.
Vejo-te ainda como sou capaz.
Foi naquele pátio, sob uma latada
de uvas (ou não); seria do que fosse.
Dissemos adeus, talvez um dia destes
voltássemos ali, num outro verão.
Voltei, mas já passados muitos anos.
Só vi saudade, tempo, nada mais.
E tem sido assim ou sempre assim.
Sussurros de pinheiros, de brincadeiras,
voltando em cada dia, sem descanso.
O tempo passa, a vida escoa lenta,
mas de repente perde as estribeiras
precipitando-se em torrente imensa
e rasgará então sem quaisquer peias
a grossa folha do papel que foi
história sem enredo e escrita a sonho
memória sem ideias. Tudo, apenas.
611
SARAVA!
Um dia, num século passado,
aí pelo ano de quinhentos,
um português maluco,
porque só assim podia ser,
em viagem que fazia para a índia
resolveu, aproveitando os ventos,
ir para oeste, ocaso ou poente,
como era costume então dizer-se.
Tanto alargou a rota
que foi dar a uma terra além,
povoada por gente que vivia
de lutar uns com os outros
e que, por não haver carne bovina
(o Rio Grande do Sul não existia),
quando prisioneiros faziam,
os punham todos juntos num redil
e lhes davam papas para os engordar.
Depois, para ingerirem proteínas,
comiam os que estivessem mais gordinhos.
E foi com esta gente estranha
que não tinha favelas e muito menos samba
que Pedro álvares Cabral, português de gema,
num dia tropical, sem cuidar deu.
Do que descobriu, melhor era calar-se,
mas não. Sem pensar que era isso
que devia ter feito em seu juízo,
mandou tudo contar ao Rei por uma carta,
bem escrita por sinal, pelo Caminha.
E foi grã pena que o fizesse assim,
sem mais nem menos.
Porque se tivesse ido de avião,
que era coisa que não havia então,
tinha chegado à índia mais depressa
e evitado fazer a grossa asneira
de ir a descobrir tão de madrugada
um povo que tem samba, cuíca e forró
e de que alguns pensam - vejam bem! -
que a língua portuguesa
foi por eles inventada.
aí pelo ano de quinhentos,
um português maluco,
porque só assim podia ser,
em viagem que fazia para a índia
resolveu, aproveitando os ventos,
ir para oeste, ocaso ou poente,
como era costume então dizer-se.
Tanto alargou a rota
que foi dar a uma terra além,
povoada por gente que vivia
de lutar uns com os outros
e que, por não haver carne bovina
(o Rio Grande do Sul não existia),
quando prisioneiros faziam,
os punham todos juntos num redil
e lhes davam papas para os engordar.
Depois, para ingerirem proteínas,
comiam os que estivessem mais gordinhos.
E foi com esta gente estranha
que não tinha favelas e muito menos samba
que Pedro álvares Cabral, português de gema,
num dia tropical, sem cuidar deu.
Do que descobriu, melhor era calar-se,
mas não. Sem pensar que era isso
que devia ter feito em seu juízo,
mandou tudo contar ao Rei por uma carta,
bem escrita por sinal, pelo Caminha.
E foi grã pena que o fizesse assim,
sem mais nem menos.
Porque se tivesse ido de avião,
que era coisa que não havia então,
tinha chegado à índia mais depressa
e evitado fazer a grossa asneira
de ir a descobrir tão de madrugada
um povo que tem samba, cuíca e forró
e de que alguns pensam - vejam bem! -
que a língua portuguesa
foi por eles inventada.
655
MEUS AMIGOS
Meus amigos.
Nesta coisa
de escrever o que se pensa
que se escreve se se pensa
que escrever é o que sai
do pensamento que cai
em letra de vem e vai
ao sabor do encantamento
do que se sente demais
reconstruindo em momentos
de solidão ou tristeza,
de alegria e de certeza,
de emoção e de carinho,
ou de horror e lassidão,
de precisa confusão
de tudo o que é a vida,
às vezes sou como o urso!
Hiberno de rima e métrica
e em atitude mimética
confundo-me com a rua
passeio, montras e árvores,
cão que passa, dobro
esquinas,
torno-me monte e riacho,
olho as águas rio abaixo
conto estrelas (faz de conta
que às vezes sou uma delas)
e passeio no infinito.
Distraio-me. Em silêncio grito
contra o que não há que ser.
E depois, quando o sol nasce
mais quente em qualquer solstício
fora de tempo e de regras,
volto a mim e estico as pernas,
espreguiço o pensamento
e enceto novo alento
para fazer mais um pouco
daquilo que me dá prazer:
sem dizer, dizer de tudo,
mascarar tirando a máscara
pintar sem tinta nem telas,
liquefazer aguarelas que,
conformo posso e sinto,
uso como um exorcismo
ou só fé de bem fazer,
mas que algo há de ser,
de bom ou mau,
ou nem isso.
Mas se nos apetecer
sermos materialistas,
decidimos que escrever
é excreção do pensamento
contendo em si algum fim,
tal como a urina tem dentro
a meditação do rim.
Nesta coisa
de escrever o que se pensa
que se escreve se se pensa
que escrever é o que sai
do pensamento que cai
em letra de vem e vai
ao sabor do encantamento
do que se sente demais
reconstruindo em momentos
de solidão ou tristeza,
de alegria e de certeza,
de emoção e de carinho,
ou de horror e lassidão,
de precisa confusão
de tudo o que é a vida,
às vezes sou como o urso!
Hiberno de rima e métrica
e em atitude mimética
confundo-me com a rua
passeio, montras e árvores,
cão que passa, dobro
esquinas,
torno-me monte e riacho,
olho as águas rio abaixo
conto estrelas (faz de conta
que às vezes sou uma delas)
e passeio no infinito.
Distraio-me. Em silêncio grito
contra o que não há que ser.
E depois, quando o sol nasce
mais quente em qualquer solstício
fora de tempo e de regras,
volto a mim e estico as pernas,
espreguiço o pensamento
e enceto novo alento
para fazer mais um pouco
daquilo que me dá prazer:
sem dizer, dizer de tudo,
mascarar tirando a máscara
pintar sem tinta nem telas,
liquefazer aguarelas que,
conformo posso e sinto,
uso como um exorcismo
ou só fé de bem fazer,
mas que algo há de ser,
de bom ou mau,
ou nem isso.
Mas se nos apetecer
sermos materialistas,
decidimos que escrever
é excreção do pensamento
contendo em si algum fim,
tal como a urina tem dentro
a meditação do rim.
660
COM A CORRENTE
Rio abaixo o céu e o sol
marés que o dia aquece
a cal e as pedras e a luz
que nos envolve muda
em tons de cinzento azul
na calma a cigarra garra
continuamente aguda
e a maré arrasta canas
ilhas que se movem Guadiana
entre esta margem
e a de Espanha.
Aqui ficamos a olhar esquecidos
nada nos assombra o cais
onde por vezes velas se acolhem
pausando a lenta vinda
que no mar começa
e acaba onde a maré se esbate
a norte de Alcoutim
e Mértola é o fim
que não vai vê-las.
Entre o céu e a água
espraiamos vistas
e deixamo-nos ir
com a corrente
depressa ou lentamente
nas margens de aloendros e
de canas.
Na paz do rio Guerreiros
nas ruas veias que andamos
circulação de gente sangue
entre a secura dos montes
e o frescor das águas
ficamos à espera
que o sol se ponha
e as sombras nos envolvam
em silhuetas mágicas.
marés que o dia aquece
a cal e as pedras e a luz
que nos envolve muda
em tons de cinzento azul
na calma a cigarra garra
continuamente aguda
e a maré arrasta canas
ilhas que se movem Guadiana
entre esta margem
e a de Espanha.
Aqui ficamos a olhar esquecidos
nada nos assombra o cais
onde por vezes velas se acolhem
pausando a lenta vinda
que no mar começa
e acaba onde a maré se esbate
a norte de Alcoutim
e Mértola é o fim
que não vai vê-las.
Entre o céu e a água
espraiamos vistas
e deixamo-nos ir
com a corrente
depressa ou lentamente
nas margens de aloendros e
de canas.
Na paz do rio Guerreiros
nas ruas veias que andamos
circulação de gente sangue
entre a secura dos montes
e o frescor das águas
ficamos à espera
que o sol se ponha
e as sombras nos envolvam
em silhuetas mágicas.
635
PORTUGUÊS
Na mansidão do rio
sonho acordado
com velas, caravelas,
com pimenta.
Sonho com ouro,
especiarias
e tormentas,
sonho com povos
estranhos,
terras tantas.
Sonho com mares que
fervem,
com sereias,
ilhas de bruma esquivas,
estrelas novas,
índias, Cipangos,
Cataios, coisas vivas,
frutos azuis,
aves que beijam flores,
monstros enormes.
Sonho com rotas,
caminhos desbravados,
gentes ignotas,
rios novos,
novos cabos.
Sonho com vida,
baías de aguada,
cascos fendendo
vagas convertidas
em leitos de morte
de tantos naufrágios.
Sonho com o sonho
que uma vez tiveram
aqueles que sabiam
como é bom sonhar.
Sonho acordado
com velas, pimenta,
e com caravelas
na areia varadas.
Nesta beira-Tejo,
cheiros de maresia,
de sisal de estopa,
de pinheiros e pez
fazem-me sentir
em cada momento
um profundo orgulho
de ser português.
sonho acordado
com velas, caravelas,
com pimenta.
Sonho com ouro,
especiarias
e tormentas,
sonho com povos
estranhos,
terras tantas.
Sonho com mares que
fervem,
com sereias,
ilhas de bruma esquivas,
estrelas novas,
índias, Cipangos,
Cataios, coisas vivas,
frutos azuis,
aves que beijam flores,
monstros enormes.
Sonho com rotas,
caminhos desbravados,
gentes ignotas,
rios novos,
novos cabos.
Sonho com vida,
baías de aguada,
cascos fendendo
vagas convertidas
em leitos de morte
de tantos naufrágios.
Sonho com o sonho
que uma vez tiveram
aqueles que sabiam
como é bom sonhar.
Sonho acordado
com velas, pimenta,
e com caravelas
na areia varadas.
Nesta beira-Tejo,
cheiros de maresia,
de sisal de estopa,
de pinheiros e pez
fazem-me sentir
em cada momento
um profundo orgulho
de ser português.
581
A RÃ
A rã coaxa e acha que saltar
da folha de nenúfar para a água
é proeza que no lago dá brado
e há-de ao mundo algumas voltas dar.
A rã coaxa e incha toda verde
e olha em redor a ver se a vêem.
E como nada há que lhe dê fama,
coaxa e, desta vez, salta p'ra lama.
A rã coaxa uma vez mais, sedenta
de um aplauso com que se orgulhar.
Ela não vê que é uma entre milhentas
que estão no mesmo lago a coaxar.
da folha de nenúfar para a água
é proeza que no lago dá brado
e há-de ao mundo algumas voltas dar.
A rã coaxa e incha toda verde
e olha em redor a ver se a vêem.
E como nada há que lhe dê fama,
coaxa e, desta vez, salta p'ra lama.
A rã coaxa uma vez mais, sedenta
de um aplauso com que se orgulhar.
Ela não vê que é uma entre milhentas
que estão no mesmo lago a coaxar.
594
A MALA DE UMA MULHER
A mala de uma mulher
é um abismo sem fundo.
Tem lencinhos de papel,
pó de arroz, chaves, canetas,
porta-moedas, agenda
e talões de multibanco.
Tem amostras de perfumes,
livro de cheques e escova
para ajeitar o cabelo,
tem telemóvel que toca
e que nunca encontra a tempo.
Tem cartão do sindicato,
baton e a chave do carro
e o boletim de vacinas,
isqueiro, cigarros e tudo
com pacotinhos de açúcar,
fotografias dos filhos,
caixa dos óculos de sol,
talão da lavandaria.
E tem receitas de bolos
e a conta da mercearia.
A mala de uma mulher
é um abismo tremendo.
Contado, não se percebe.
Para acreditar, só vendo.
é um abismo sem fundo.
Tem lencinhos de papel,
pó de arroz, chaves, canetas,
porta-moedas, agenda
e talões de multibanco.
Tem amostras de perfumes,
livro de cheques e escova
para ajeitar o cabelo,
tem telemóvel que toca
e que nunca encontra a tempo.
Tem cartão do sindicato,
baton e a chave do carro
e o boletim de vacinas,
isqueiro, cigarros e tudo
com pacotinhos de açúcar,
fotografias dos filhos,
caixa dos óculos de sol,
talão da lavandaria.
E tem receitas de bolos
e a conta da mercearia.
A mala de uma mulher
é um abismo tremendo.
Contado, não se percebe.
Para acreditar, só vendo.
549
IDADE
Havia pés de galinha
Naquelas faces estucadas
De cremes e pós de arroz
E de magenta coradas.
Permanentes semanais,
Meias de vidro com risca
Na costura em perna magra
Assente num salto alto
Que já cambava de gasto.
Casacos de peles vetustos,
Glórias de tempos passados
Que iam sendo preservados
Em bolas de naftalina.
Óculos finos graduados
Na carteira de outros tempos
Não ajudavam a ver
Os olhos cerrados, tensos,
Como a vislumbrar certezas
De fulgores de juventude
De que só restam memórias.
E vão-se contando histórias
De quando eram meninas
E iam para o jardim.
Pode ser triste de ver
Como a saudade é teimosa.
Mas chega a enternecer
Ver a força de querer,
Mesmo seca, a fenecer,
Ser uma rosa viçosa.
Naquelas faces estucadas
De cremes e pós de arroz
E de magenta coradas.
Permanentes semanais,
Meias de vidro com risca
Na costura em perna magra
Assente num salto alto
Que já cambava de gasto.
Casacos de peles vetustos,
Glórias de tempos passados
Que iam sendo preservados
Em bolas de naftalina.
Óculos finos graduados
Na carteira de outros tempos
Não ajudavam a ver
Os olhos cerrados, tensos,
Como a vislumbrar certezas
De fulgores de juventude
De que só restam memórias.
E vão-se contando histórias
De quando eram meninas
E iam para o jardim.
Pode ser triste de ver
Como a saudade é teimosa.
Mas chega a enternecer
Ver a força de querer,
Mesmo seca, a fenecer,
Ser uma rosa viçosa.
600
O PATO
Mesmo à beira do charco
onde não estava
nenhum pato
estava um pato
e o pato era marreco
e grasnava coisas
que ninguém entendia.
Meteu uma pata na água
mas a pata não queria
e saltou da água
e assentou as duas patas
na pata esquerda
do pato marreco
que estava à beira
do charco.
O pato grasnou
e a pata, assustada,
levantou a pata
e o pato, dando um impulso
com as duas patas,
saltou e arrastou a pata
para a água
onde passaram a estar
quatro patas, um pato
e uma pata.
onde não estava
nenhum pato
estava um pato
e o pato era marreco
e grasnava coisas
que ninguém entendia.
Meteu uma pata na água
mas a pata não queria
e saltou da água
e assentou as duas patas
na pata esquerda
do pato marreco
que estava à beira
do charco.
O pato grasnou
e a pata, assustada,
levantou a pata
e o pato, dando um impulso
com as duas patas,
saltou e arrastou a pata
para a água
onde passaram a estar
quatro patas, um pato
e uma pata.
631
AS ESTRELAS
Olho as estrelas
e vejo nelas
um desejo.
Vejo,
ou quero ver,
passado que é
agora.
Vejo,
ou penso ver,
o tempo que a luz
demora.
Vejo,
ou sinto ver,
que cada estrela
pode bem ser,
contrariando o que
os cientistas dizem,
a luz que já brilhou
na terra
e se elevou
no espaço,
liberta e
feliz.
Porque só pode
ser feliz
a estrela
que alguém
amou
e continua a mar,
agora transformada
em
estrela.
É por isso
que as estrelas
brilham.
E nos iluminam.
e vejo nelas
um desejo.
Vejo,
ou quero ver,
passado que é
agora.
Vejo,
ou penso ver,
o tempo que a luz
demora.
Vejo,
ou sinto ver,
que cada estrela
pode bem ser,
contrariando o que
os cientistas dizem,
a luz que já brilhou
na terra
e se elevou
no espaço,
liberta e
feliz.
Porque só pode
ser feliz
a estrela
que alguém
amou
e continua a mar,
agora transformada
em
estrela.
É por isso
que as estrelas
brilham.
E nos iluminam.
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