Aristides Jheronimus

Aristides Jheronimus

n. 1998 AO AO

Jovem poeta amante de tudo quanto é e/ou seja arte.

n. 1998-04-22, Vida que é vida brilha na contradição...

Perfil
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Mulher. Substância de Amor

Quero uma mulher. Preciso.
Um alguém que me surpreenda
E cuja presença me preencha
E olhos falem mais que a própria voz

Quero um amor não destinado
Bem casual, meio arbitrário
E num enlance sem propósito
Afundar-me no seu carinho despótico

Uma parceira para a alma
Que para vida sirvo eu
Aquele ponto de luz no breu
Que saiba viajar mesmo que na cama

Que me pinte à gosto do prazer Imponente
Sob a lua
Que me desnude de caprichos e eu também a encontre já nua

Uma mulher que não se lhe encontrem barreiras
Mulher apenas.
Que se entregue aos prazeres sem mordaças
Que me guie e me apresente de hasta em praça
Uma mulher apenas
Sem voltas, com bastante curvas...
Assim, uma assim bem sexy
Que queira sexo de segunda a segunda.
 

                                                    Jheronimus
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Biografia
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Poemas

6

Constância

Conheço a voz do teu silêncio
As noites em que me perdia em desespero
Buscando-te no além,
O vazio da tua ausência, a eternidade de um minuto
Conheço também

Ainda te espero 
A cada crepúsculo, vejo-te em todas sombras nas ruas
Na penumbra dos meus sentimentos, te busco, te procuro...
Nos sussurros de gente que vai e vem
No chilrear das aves nas tardes de Abril
Nas noites frias e sem luar

Ainda te espero 
A cada aurora, vejo-te em todas sombras nas ruas
Na penumbra dos meus sentimentos, te busco, te aguardo na demora...
Nos sussurros de gente que vai e vem
No chilrear das aves nas tardes de Abril
Nas noites frias e sem luar
No farfalhar das árvores pelas avenidas
Nos ecos perdidos de vozes tatuadas pela cidade
No negro, no azul, no dourado do sol eremita somando meus dias, subtraindo minha vida

Ainda te avisto
Na solidão que acompanha o meu rosto
Te choro, nas minhas lágrimas incessantes e
Constantes nesse meu destino plangente
Pois meus olhos são janelas de meu coração
Permeável

"Perdão."

                                                       Atila J.
70

Deus ❤ Satanás

(deus e satanás)
Distante do acaso
Devem ser, de algum jeito, muito amigos
O divino, embarbado, no trono sentado em relaxo
De momices relapsas que agitam mares e quebram aço
Serviu ao mundo, em pequenos bocados, não paz,
Desgraças e infortúnios bem temperados à mão do diabo que, penso, coitado pelo inferno encarregado
Provou do saibo vilanesco e gostou
Pobre capacho!

Estes deves ser aliados... Sim, bem amigos
Pois, está-se mesmo a ver
Que por uma árvore que nem foi ideia nossa
Talou-nos o destino e jogou-nos à casca da rolha

Quando um é amado, o é outro temido
Revezando episódios de herói e bandido
Quando o barbado se acagaça, o outro é acusado
Pois já não há outro de laia angélica
Que ouse usar a truculência para o bem do
Seu criador, deus-pai e comparsa

Mas, seguindo nessa desgraça,
O vermelho, chifrudo, com o bidente portado
Assim pintado pelo mundo, no manto de malvado se fez de vilão a bem do seu amigo
Prometendo e assombrando 
Rios de desgraça e tribulações

Num dia ensolarado, como doutra vez no Éden
O antes da luz
Mais coitado que culpado, rei dos enigmas e tabus, 
Ao filho do amigo chegou crapuloso, lançando charadas e piropos, pedras a preço de pão, demandando traição, reinos no lugar de adoração
Bem tentou, só negas porém
Do emanuel messias miraculoso quando convém

O amigo, conhecedor e maquinador do esquema, ria-se no flavescente e lato lar impérvio
A custo das respostas do bastardo do carpinteiro, corno da vida e trabalho, já morto e com a prole aumentada, imagino, sob a raiva do casamento arranjado...    
Foderam a vida do coitado
Mas bem antes a mulher
Calhorda que em prantos jurou sequer
Ter sentido a porra sacra
Adentrar-lhe o almo vaginário

Muita coisa por baixo dos panos
São amigos e pronto os filhos da puta!


                                                         Atila J.
32

Rebentos de Paradoxo

Costurei as saudades
Com as mesmas lágrimas de sempre
Ao sabor do silencio que te reguei outra vez
Essas flores que você fez jardim

Flores são belas, mas têm a sua crueldade
Beleza e força são a mesma coisa
E não hesitam ferir igualmente aqueles que ousam
arrancar as esperanças guardadas em cada pétala
Por mais que passe o tempo, e as estações se perdurem
Quanto mais belo, mais letal
Destino fatal

Vou regar essas flores com o meu amor, beijá-las
E amadurecerão sob a ternura que ainda tenho para dar.


                                                               Atila J.
62

À Mão Poeta

Como se as palavras voassem
Poemas são vozes aladas
Gritos que ecoam da terra devassa
Que morrem no papel e como poesia nascem

São desejos sorvidos sem pressa
Saudades escritas no efémero tempo
Nascidas sob forma de tinta
E sentidas quando sorvidas por olhos atentos

São os amores proibidos de outra pessoa
Paixões proíbidas por razões que desconheço
Sentimentos bombeados verso a verso
Por um eu condenado a outros fazer sorrir
A dessentir na eternidade dos escritos
Traduzidos em choros silentes de palavras que
Como vozes com asas, voam
Poesia nascida dos olhos
Quando a boca se cala, poesia

                                                  Atila J.

                

 

62

Diva Luar

Derramei a lua sobre teus poemas
E não mais fui infeliz
Pintei-a como em meus versos sublimes
Beijei-a, amei o luar nos lençóis da noite

Fui manhã e hoje renasci
Carregado na brevidade da tênue brisa
No calor da madrugada, amainando sob
Teus pés, curando minhas feridas
Dei amor e mais recebi, fui luz
Direcção de caminhos para quem ousa seguir
Escape, saída, beijo, carinho, despedida...
Sou mais, maior que minhas antigas metas
Semente, flor, jardim, floresta...

"Te amo, vida"
Escrito na saudade que já se foi
Tatuado na lembrança transportada por aí
Largada pelas ruas, pelos bares e lugares
Te amo, quando de novos amores
Nascem novas saudades, do que ainda não temos, de tudo quanto ainda não vivemos
"Te amo, vida"

Semeei minhas rimas sob o luar, mãe
Para te ver crescer radiante e divina
Para amar cada dia na lembrança infinita
Em cada página da minha vida
És minha poesia
Em cada saudade, minha poesia
Porque amar é adiar a despedida...


                                             Atila J.
                                         ❤ Para minha mãe
57

Meninos de Rua

Nessa cidade que adormece perseguida pelo tempo
Sob a pintura da luz do luar
De olhos virados para o amanhã
Estamos nós
Entregues à sorte da vida
Trajando lágrimas, saciados pelo vazio
Jogados nas estradas, com fome e frio
Estrelas que não brilharam, perdidas pelo caminho

Nós, que construimos sonhos acostados no papelão
Que jantamos não, vadios e sem pão
Nós, nas manhãs sem orvalho,
Manhãs de fome e frio e vazio
Rabiscos de um deus que nos descartou e nos doou ao caralho, e à puta que nos pariu

Nós, que polimos os pés que traçam o futuro
Que desenham ruas e vielas, que nos fazem a cama
Nós, sem sonhos nem pão
Meninos de rua, dormindo no chão...



                                                   Atila J.
57

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