Àrvores
Àrvores
Árvores velhas, seculares, árvores fortes,
Que dais sombra e descanso aos viandantes,
Que dais frutos e dais flores vicejantes,
Árvores pequenas e grandes, de todos portes
Árvores que abrigais as avezinhas
Que sois o berço dos poetas voadores
Onde canta o rouxinol, entre as flores
E gorjeiam o sabiá e as coleirinhas
Árvores frondosas, riqueza natural
Sois a beleza dos campos e do jardim
Atavio profícuo das selvas sem fim
A maior de toda a beleza universal
Árvores grandes, troncos nus, verdes ramos
Onde os melros e as rolas fazem ninho
O sábia, o pintassilgo e o canarinho
E outros mais que aqui nós não citamos
Árvores pequenas, lindas e floridas
Perfumadas, e com frutos naturais
Coqueiros, cajueiros e laranjais
Árvores verdes, amarelas e garridas.
Árvores, árvores fortes que sois vida
Troncos que dais madeira, que dais borracha,
Troncos que dais cortiça, que dais a acha
Árvores que dais as vidas, de vossa vida.
Armando A. C. Garcia
S.P. 23/09/1964 (data da criação)
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A Vida (I)
A Vida (I)
A culpa é sempre da vida
Da vida, que não tem culpa,
Mas todos culpam à vida
Da culpa de sua culpa!
Veio a desgraça, é a vida...
Dizem todos numa só vez!
Todos falam que a perdida
É a culpada outra vez...
Na desavença! É a vida
Novamente essa maldita,
De novo intrometida
Nas lamúrias da desdita.
No assassinato, é a vida
Por ser Deus que assim fez
Mas não deu poder à vida,
Em desfazer o que Ele fez!
No amor ou na glória
Todos esquecem a vida
Pois nos láureos da vitória
Quem relembra a mísera vida!...
Por isso a dor glorifica,
Dá valor à própria vida
O que hoje não significa
É a razão da própria vida.
A culpa é sempre da vida
A vida, sem culpa alguma!
Que cada um, em sua vida
Não tenha, é culpa nenhuma!
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 22/06/1966 (data da criação)
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Pé de Chumbo
Pé de Chumbo
Os ferros serão retorcidos, quebrados
Das grades frias de cadeias e prisões
Não haverá mais severas punições
Como não haverá eternos condenados.
Os espíritos do umbral, serão afastados
Da face da terra para um novo planeta
Numa missão expiatória de capeta!
Ao tártaro niilismo condenados...
Como os homens primitivos das cavernas
Pleurisseculares íncolas da terra...
Cruéis, sanguinários, sedentos de guerra
Serão sua índole, suas regras internas
Do Pé de Chumbo, primitivos habitantes
Planeta esse que em órbita já entrou
E o homem, ainda, não qualificou...
Por ficarem suas rotas tão distantes.
Se os homens prestarem atenção nos pólos
Verão que o eixo da terra se abalou
E o clima bastante se modificou
Como podem comprovar os próprios solos.
Mas quando esse planeta se for aproximando
Serão pela força magnética atraídos
Para serem do seio da terra expungidos
Esses espíritos que Deus está separando.
Aí separar-se-á o joio do trigo
Como está escrito nas velhas profecias
Como o anunciou o próprio Messias
E como meus irmãos hoje, eu vos digo.
Haverá na terra grande transformação
O homem praticará o evangelho
Haverá respeito pelo moço e pelo velho
E da gula e da ganância abolição
Não haverá espíritos perturbadores
Todos querer-se-ão como irmãos
Porque Deus os separou com suas mãos
E a ajuda dos espíritos Superiores.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 27/07/64 (data da criação)
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O Vento
O Vento
E o vento, o que o vento passa...
Entre nuvens de espessa fumaça
Ninguém sabe, ninguém, jamais, viu!
Ninguém quer saber o que ele sentiu.
E o vento, lento ou forte se desloca
Bruma suave, ou rajada que passa
O vento não pára um só momento
É como no homem o pensamento.
E o vento alando-se ao infinito
Levado por um sonho bendito
Sem saber se o que lá o espera,
Se miasmas, nuvens, ou cratera
E na sua missão nobre e boa
Em que afasta a trovoada que ecoa
Também, leva a semente caída
Que dará vida a outra vida.
E o vento que parece mau e inútil
Todos o encaram como coisa fútil
Entretanto afasta as miasmas de doenças
A fumaça e a poluição intensas
Armando A. C. Garcia
S. P. 04/10/1964 (data da criação)
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Sonho sem sentido
Sonho sem sentido
Iníqua tanta, tamanha e dura covardia
Que vingar da sorte eu queria ter podido
Mais que a ira e piedade a morte prometia
Fiado na promessa do amor comprometido.
Se tão bela era quanto imaginar eu posso
Lancei no negro esquecimento adormecido
Alegres apetites no interno do meu fosso
Dos quais não tive gosto, sonho, nem sentido ...
Adormecido no bruto sonho interno meu,
Nos anos a fio que descendo vão a fundo
Vens agora, despertar quem já sofreu
Quanto sofrer, a alma pode neste mundo.
Encontras em mim uma sombra do passado
Tão mal apagado o fogo do amor está
Por ti abatido, foi morto, sepultado !
Cumpra-se o destino. Põe nele a cal de pá.
Nos versos que escrevo, em vão pretenso intento
Foste imenso lago, no reino fundo de meu peito,
Imenso amor, intenso e diáfano pensamento.
Tu, cheia de medo e de receio do meu leito!
Não venhas agora aprisionar meus curtos dias
Não haverá quem ao amor, reserve resistência...
Nem o corpo, nem a mente lhe ordenaria,
Aquele que foi vencido, lutará com renitência.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 13/12/2001 (data da criação)
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Bem-vinda sejas
Bem-vinda sejas
Pétalas de flores brotarão à tua passagem
Olor de perfumes cobrirão a aragem
E impregnarão lá no alto os feitos teus
Para toda a eternidade, habitares os céus.
Tua alma áptera alar-se-á ao infinito
Onde os anjos, os íncolas celestiais
Terão para ti, honras e glórias divinas
Pelo teu viver cheio de paz e bendito.
Gozarás de toda a glória, de toda a ventura
Que por séculos e séculos, nos céus perdura
Para as almas pulquérrimas e benfazejas
E como a tua, também é. Bem-vinda sejas.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 29/06/1964 (data da criação)
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A Última Cartada
A Última Cartada
Já cantam os galos, madrugada é alta
A luz no seu quarto contínua acesa
E na sala, o candeeiro sobre a mesa
Espera apagarem as luzes da ribalta
A noite caí. E no silêncio profundo
Aumenta o seu desespero a sua dor.
Na espera interminável do seu amor...
Do próprio companheiro deste mundo.
Que no cassino àquela hora, embriagado
Já perdeu até o último vintém.
E para última arriscada põe, também,
Em jogo, o apartamento mobiliado.
Pois na magia das cartas trapaceiras
Perdeu tudo, naquele jogo foi lesado
Deixando todo seu lar prejudicado
A troco de infamantes bebedeiras.
Armando A. C. Garcia
S.P. 31/08/1965 (data da criação)
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Capeta
Capeta
Ó tu, que andas a esmo nas sombras oculto
Porque não vens trazer à luz tua sabedoria?
Acaso é medo? vergonha ou cobardia!...
Ó tu, que te dizes ser douto nas magias
E vives às expensas de embustes e trapaças
Não adianta disfarçar, porque, não disfarças.
Ó tu, que no mal assentas o teu reinado.;
Num poder ignóbil, sóbrio, tenebroso,
Teu vil caráter de um mortal vergonhoso.
Ó tu, audaz capeta, vil salafrário
Que só na desgraça encontras tua ventura
E tua glória, na tua mísera diabrura.
Ó tu, hei!...ó vós, oh! almas endurecidas
Diabos. Segundo a crendice popular
Nunca é tarde, vinde!... vinde!... vamos orar.
São Paulo, 25/06/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Fomentação ao mal
Fomentação ao mal
As grandes fortunas investem pesado
Nas bandeiras escarlate que se agitam
Prescindem da apostasia do legado
No apoio àqueles que mais gritam,
Subvertendo com esse entendimento
As ideologias diferentes de sua situação;
E com esse abjeto comportamento
Alimentam a torpeza da dominação
Abandonam a fé, triunfa o mal
O homem passa a ser escravo da facção
E é tratado como produto estatal
Sufocando a liberdade e a reação
É o declínio geral do ser humano
Subvertem os princípios legais
Aviltam a fé, apóiam o profano
Não há amor, são insentimentais.
Porque assim agem as grandes fortunas
Ironicamente contrarias à sua formação,
Do capital, amealhado em oportunas
Torpezas mil, de sua negociação
E é sempre o capital o gerador
do mal. Vejam o caso do bin Laden;
Das empreiteiras brasileiras, e o pior,
É que esse capital... produz o semên !
Porangaba, 12/03/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Fome
A Fome
Negra!
Negra é a fome,
A miséria que mata
Que aniquila
Que desespera
Que inanima
Que debilita
Negra é a fome
Negra,
Negra
Cruel
Que mata
Corroendo
Ressequindo.
Negra é a fome,
Que não perdoa
Pobres orfãos
Pequeninos
Abandonados,
Corpos ao léu,
De bocas abertas
Pedindo ao céu!...
Clamando!
Mas tu não perdoas
Não te condóis.
Os pobrezinhos
Trêmulos,
Mal alimentados
Caminham, quase arrastados.
Quase impelidos
Por força invisível
Tu os persegues
Os atacas,
De pedra deve ser teu coração
Que não te condóis,
Não tens compaixão
De um pequenino,
De um infeliz,
Desventurado,
Que veio ao mundo
Amargurado,
Para pagar,
Para ressarcir
O seu pecado
Que em outras era
Praticou.
Mas tão pequenino,
Ainda,
Como podes tu, não perdoar!
Mas tu és pedra,
Pedra,
Pedra,
Pedra,
Negra,
Negra,
Sem coração.
Que não perdoas
Ante as bocas famintas
Escancaradas,
Tu não perdoas,
Não perdoas.
Assim vais matando,
Sacrificando,
Em holocausto.
Matas a vida da vida,
Tiras a seiva vital,
Desses pequeninos,
Miseráveis...
Deixas morrer à míngua
Sem dó,
Sem piedade,
Tantos corpos sadios,
Com que tens saciado tua gula,
Tua gula hiulca,
Sagaz!
Como podes tu, oh! fome!
Continuar impune?
Monstro,
Monstro negro!
Monstro sem coração.
De hoje em diante,
Regenera-te,
Tem compaixão
Se dás ao rico,
Não deixes faltar ao pobre o mesmo pão.
Regenera-te,
Regenera-te,
Serás um monstro de coração.
São Paulo, 08/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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