O Sol
O Sol
Nos pináculos do zênite o sol dourado
Resplandece orbívago alcandorado
Projetando em catadupas a luz do dia
Rompendo as trevas na amplidão da utopia.
E nas pulquérrimas asas do Empíreo
Vives alado na imensidão do sidéreo
Por miríades de anos enamorado
Tens sido até pelo homem idolatrado
Na amplidão cerúlea, cercado de estrelas
Tu és o Rei perene entre as coisas belas
Habitas entre Deus, as estrelas e os céus
Os páramos celestiais, domínios de Deus!
Lídima é porém, essa tua morada
Pois foi Deus que te colocou na sua alçada
Para dares calor, luz e vida ao mundo
Demonstrando que até tu és oriundo.
São Paulo, 18/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Candura
A Candura
No murmurejar incessante da fonte
Corre água pura, branca, cristalina
A brancura dessa água nos ensina
Que turva, se for cair fora da fonte.
Como ela é a candura feminina
Precisa de muito viço e cuidado
Não misturar a candura ao pecado
Para não turvar a pureza angelina
Teu ego, na limpidez alabastrina
Envolvido por ternuras blandiciosas
Não deixará perceber quão mentirosas
As carícias recebidas em surdina
Para não seres tua própria vítima
Nunca deixes cair tua moral
Que a carícia jamais te arraste ao mal
Par obteres a vitória legítima.
São Paulo, 07/05/64 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Poder
Poder
Poder, ó vil paixão, ó ambição,
Ó deleite opulento, vil magia.
Ó cátedra, ó cedro da mania
Que, arrastas o homem à perdição.
Poder ó grandeza vá, ó inglória,
Ó anelo veemente dos mortais.
Ó aferro adido aos anais
Que, relatam os nomes na historia
Poder, ó atavio, ó adorno,
Ó orgulho, vaidade de mandar.
Ó egoísmo déspota de reinar
Onde a glória perde-se no suborno.
Poder, ó vil auréola, ó fama,
Ó cobiça, ó plexo de mazela.
Ó esplendor, ó brilho de donzela
Que, a vaidade arrasta à lama.
Poder, ó vil desejo que, jamais,
Ergueste a bandeira da vitória,
Para tanto olhemos a história,
Onde só vemos tiranos irracionais.
São Paulo, 13/06/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Aldeia
A Aldeia
Nasce uma estrela, é noite, e a seguir a lua cheia
Já começa a despontar, tocando a linha do horizonte.
Os grandes carros de bois vêm chiando pelo caminho
Grupos de moços e moçoilas, tão frescos como arminho
Vão cantando à desgarrada pelas quebradas do monte
E na aldeia sossegada, vê-se o luzir da candeia.
Já nos beirais do telhado repousa a andorinha dormente
Pia o mocho arrepiado, naquele seu choro dolente
E já de regresso à aldeia, o pastor trás seu rebanho
O cabreiro desce a serra.; do prado vindo é o boieiro,
Já na capoeira o galo, tem subido ao seu poleiro.
Só de vigia estão só cães a um movimento estranho.
E na aldeia sossegada, vê-se o luzir da candeia.
Rompe o dia, é manhã cedo, de novo começa a vida
Já a cotovia do prado é distraída e contente
Da chaminé do telhado, sai o fumo espessamente
No sino do campanário a badalada é repetida
E é este todo o fadário de uma aldeia adormecida...
Portugal 21/09/1959 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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L á g r i m a s
L á g r i m a s
Lágrimas,
Caindo, caindo uma a uma
De faces veludíneas,
Rolando,
Rolando,
Olhos vermelhos,
Cansados, vão ficando ressequidos.
E as lágrimas,
Rolando, caindo!
Esperanças,
Quimeras,
Sonhos,
Ilusões,
Caindo,
Caindo,
Caindo!
Perdem-se,
Confundem-se,
Entrechocam-se,
Misturam-se com o pó.
As lágrimas,
Vão sulcando as faces,
Prateando os cabelos,
Sempre rolando,
Rolando sempre...
Ora de alegria,
Mais de tristeza.
Caindo, Caindo!
Vão tombando,
Como tombando
Vamos tu e eu!
São Paulo, 08/04/1964
Armando A. C. Garcia
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A Natureza
A Natureza
Cruzas o mar, a terra, os céus e os montes
Em tudo que passas vês novos horizontes
Nos céus os planetas e o brilho das estrelas,
Na terra os horrores e as coisas mais belas
No mar, o azul dos céus e as águas a brilhar
Nos montes a natureza, a despontar
Em tudo tens um enigma a decifrar
Em cada coisa uma beleza, ou um pesar
No mar tem a água, o sal e as tempestades
Nos céus trovões e, também, as potestades
Nos montes, as feras, os rios e as flores
Na terra, os homens, os ódios e os amores
Se existem oásis no cálido deserto
E pequenas ilhas no grande mar aberto
E brotam gotas d água da rocha dura
Se abre o dia, se fecha a sepultura
É porque existe algo sobrenatural
É porque o mundo não é nosso, é divinal.
São Paulo, 27/02/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Ingratidão
Ingratidão
Cheia de cansaço a velha caminhava
Banhada de suor ao esforço que fazia
Arrastando carro de mão onde trazia
Armarinhos, que na feira negociava.
Um dia, o carro dum rico industrial
Cruzou com ela na rua e se deteve
E sem um cumprimento, ou um gesto leve
Pós nas suas mãos uma nota de cabral!
Após breve conversa, encabulado
Num gesto mudo, em seu carro se afastou.
Foi então, que a boa velhinha me contou:
Que é seu filho e vive dela envergonhado!
Mas se hoje é rico, poderoso, estudado,
Foi o seu suor e daquele humilde carro...
Que lançaram a semente que o tirou do barro
Onde não fosse por ela, ele estaria enterrado!
São Paulo, 30/03/1964 (data da criação)
Armando A.C. Garcia
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Chegada Da Cegonha
Chegada Da Cegonha
A cegonha anunciou...
E, logo às primeiras dores,
De alvoroço e alegria!
Nervosa fica a titia.
A futura mamãe aflita,
Já chora, blasfêmia e grita.
A titia cheia de pavor...
Corre a chamar o doutor.
No seu entender o parto,
Deve ser lento, sem dor!...
A vovó mais experiente,
Sorri, satisfeita, contente
Mais um neto, uma flor!
Que importa vir o doutor!...
............................
Mais uns minutos passados
Chega o médico atarefado
Logo em mangas de camisa
Vai fazer cesariana,
Mas constata! não precisa...
Pois naquela guerra ufana,
Nasceu uma bela menina.
........................
Pega a nenê pelos pés,
Na nádega da uma palmada
E num choro se desfaz...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
..........................
Nervoso no corredor,
O pai anda apavorado
De ouvir o choro lânguido,
Permanece angustiado,
Rói as unhas e se agita
Por todo canto da casa.
Sua mulher já não grita
Ele sente os nervos em brasa,
Nem a rezar se compraza
Pedindo pela mulher.
Teme que ela bata a bota
Sem saber o que fazer
Chega ao quarto, abre a porta!
Não encontra a mulher morta...
Pervagueia seu olhar,
Vê uma linda garota.
E, sua mulher absorta,
Mal sabe, se viva ou morta,
Assiste a tudo calada,
Pois a infeliz a coitada,
Não sente forças p'ra nada.
..........................
A casa num alvoroço,
Com visitas a chegar
Mais parece um nosocômio
Com crianças a berrar...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Em tamanha confusão,
O pai vai à garrafeira
Na pipa põe a torneira,
Trás presunto e salpicão
E... É tamanha a bebedeira
Que o médico tomba ao chão,
Bem aos pés da cabeceira.
Só no outro dia desperta
E então relembra a festa...
Põe o chapéu, cobre a testa...
E até logo meus senhores!...
São Paulo, 04/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Vivo num oceano, (soneto)
Vivo num oceano, (soneto)
Vivo num oceano, que me queima,
Tristes caminhos, rasgando meus versos,
Que sobre as ondas caminham dispersos
Decerto, viver deste jeito é uma toleima
Vencido e mil vezes desejando
A morte, tão estranha e honrosa
A esta vida, fingida cor de rosa,
Que mil segredos a dedo foi pintando
Nas entranhas da trama a solidão
Que o silêncio inacabável mudou
Num gesto desigual ao que passou
Empurrando pra longe o coração,
Escondendo no horizonte a lucidez
É isso, que ela fez, com sordidez !
São Paulo, 04/09/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Vagarosamente envelheceu (soneto)
Vagarosamente envelheceu (soneto)
Vagarosamente envelheceu
Conheceu a solidão, acordado,
E ao lado do sono se estendeu
Se apaixonou, sem nunca ser amado
Sem nenhum carinho, e sem ternura
Esvoaçou na idade, e o que sobrou
Não passou de momentos de ventura
Tão poucos, que nem os enumerou
Uma dor insolúvel e estranha
Se apoderou do seu ser e da alma
Que parece queimar as entranhas.
Fazendo-o sentir fisgadas lancinantes
Que não param, nunca param, nem acalma
- Coração apaixonado e conflitante
São Paulo, 05/09/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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