Vitória injusta
Vitória injusta
Não vence quem a vitória injusta conquista
O tributo que aufere inda será tornado
Vitupério algum será troféu de artista
E um dia... verá não ter sido admirado !
O remédio não defenderá seus passos loucos
Esforço, empenho, bravura e atrevimento
Não serão ajuda, o dar-lhe ouvidos moucos
Mesmo que tomado de bom comportamento.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 13/12/2001 (data da criação)
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O Velhinho
O Velhinho
O sol! sol abrasador de meio dia
Caía em cheio no caminho deserto
Não havendo uma sombra, ou um coberto
Onde descansar do calor que fazia
E, naquele sol impiedoso, escaldante
Caminhava a pouco e pouco já cansado
Apoiando-se a muito custo no cajado
Aquele velho andrajoso caminhante.
As borboletas são as suas flores do espaço
E as plumagens coloridas dos passarinhos
São como seus cantares, únicos carinhos
Que cheios de ternura, o envolvem num abraço!
Caminhando só, enfrenta a natureza
Virá uma brisa, encontrará uma fonte
Encontrará um vale, descido o monte.
E, onde possa saciar sua fraqueza!
E quando às vezes a noite caí no caminho
Fica dormindo ao relento, noite aberta
Fitando as estrelas doiradas da coberta
Que espiam dia a dia o seu caminho.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 18/03/1964 (data da criação)
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Não fujas novamente...
Não fujas novamente...
Se me esperas, não há mais porque esperar !
Se o amor te fere, neste teu gesto lindo
Não fujas novamente, deixa alcançar
Que a esperança não fique... só te seguindo
Tiraste do coração o que não tinha
O riso, alegria, desejo de viver
Foste tu, a razão da desdita minha
Destino cruel, imutável sofrer !
Se nem tu, poder fugiste, ao destino
Das juras de amor, guarda prometida
Obedecendo ao ensejo alto divino,
Eis que voltas com a alma redimida
Trazendo em teus deleites esperança
Como prêmio, que a vida dá, lá no fim
Da imensa angústia, da desesperança
Chama do amor, jamais apagada em mim.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 13/12/2001 (data da criação)
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Soneto
Soneto
Sonetos, são poemas ensarilhados
Composto apenas por quatorze versos
Dois quartetos, dois tercetos agrupados
Por metrificação são *abstersos
Sucintos. De gosto apurado e breve
Em poucas palavras, exprimem idéia
Uma história em poucas linhas se escreve
O mesmo trato, é dado a uma epopéia
Não é prolixo, nem sobrecarregado
Deve obedecer à regra camoniana
Empolgando o estro de todos os poetas
O ouvido espera o efeito completado
No decassílabo da poesia italiana
Onde o verso, exprime, suas facetas !
*purificados
São Paulo, 08/09/2011
Armando A. C. Garcia
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Àrvores
Àrvores
Árvores velhas, seculares, árvores fortes,
Que dais sombra e descanso aos viandantes,
Que dais frutos e dais flores vicejantes,
Árvores pequenas e grandes, de todos portes
Árvores que abrigais as avezinhas
Que sois o berço dos poetas voadores
Onde canta o rouxinol, entre as flores
E gorjeiam o sabiá e as coleirinhas
Árvores frondosas, riqueza natural
Sois a beleza dos campos e do jardim
Atavio profícuo das selvas sem fim
A maior de toda a beleza universal
Árvores grandes, troncos nus, verdes ramos
Onde os melros e as rolas fazem ninho
O sábia, o pintassilgo e o canarinho
E outros mais que aqui nós não citamos
Árvores pequenas, lindas e floridas
Perfumadas, e com frutos naturais
Coqueiros, cajueiros e laranjais
Árvores verdes, amarelas e garridas.
Árvores, árvores fortes que sois vida
Troncos que dais madeira, que dais borracha,
Troncos que dais cortiça, que dais a acha
Árvores que dais as vidas, de vossa vida.
Armando A. C. Garcia
S.P. 23/09/1964 (data da criação)
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O Pastor
O Pastor
Humilde, simples, homem camponês
Guiado pelo sol e pelos astros
Ele leva seu gado para os pastos
Do acúleo terreno montanhês
Desde o romper da aurora ao por do sol
Atravessa prados e serranias
Sem ir ao povoado passa dias
Vivendo em seu mundo, sem escol.
Coração simples, alma ingênua a sua
Que não maltrata, que não critica
Não joga, nem sabe de política
Só almeja o sol, e à noite a lua
Tem de dia os mansos cordeirinhos
E o gorjeio poético das aves
O sussurro suave pelos ares
Do vôo manso dos passarinhos
Tem o verde dos prados, tem as flores
O olor do alfazema e do alecrim
O aroma do lírio e do jasmim
Matizando os prados multicores.
Armando A. C. Garcia
S.P. 12/08/1964 (data da criação)
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Pé de Chumbo
Pé de Chumbo
Os ferros serão retorcidos, quebrados
Das grades frias de cadeias e prisões
Não haverá mais severas punições
Como não haverá eternos condenados.
Os espíritos do umbral, serão afastados
Da face da terra para um novo planeta
Numa missão expiatória de capeta!
Ao tártaro niilismo condenados...
Como os homens primitivos das cavernas
Pleurisseculares íncolas da terra...
Cruéis, sanguinários, sedentos de guerra
Serão sua índole, suas regras internas
Do Pé de Chumbo, primitivos habitantes
Planeta esse que em órbita já entrou
E o homem, ainda, não qualificou...
Por ficarem suas rotas tão distantes.
Se os homens prestarem atenção nos pólos
Verão que o eixo da terra se abalou
E o clima bastante se modificou
Como podem comprovar os próprios solos.
Mas quando esse planeta se for aproximando
Serão pela força magnética atraídos
Para serem do seio da terra expungidos
Esses espíritos que Deus está separando.
Aí separar-se-á o joio do trigo
Como está escrito nas velhas profecias
Como o anunciou o próprio Messias
E como meus irmãos hoje, eu vos digo.
Haverá na terra grande transformação
O homem praticará o evangelho
Haverá respeito pelo moço e pelo velho
E da gula e da ganância abolição
Não haverá espíritos perturbadores
Todos querer-se-ão como irmãos
Porque Deus os separou com suas mãos
E a ajuda dos espíritos Superiores.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 27/07/64 (data da criação)
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A Vida (I)
A Vida (I)
A culpa é sempre da vida
Da vida, que não tem culpa,
Mas todos culpam à vida
Da culpa de sua culpa!
Veio a desgraça, é a vida...
Dizem todos numa só vez!
Todos falam que a perdida
É a culpada outra vez...
Na desavença! É a vida
Novamente essa maldita,
De novo intrometida
Nas lamúrias da desdita.
No assassinato, é a vida
Por ser Deus que assim fez
Mas não deu poder à vida,
Em desfazer o que Ele fez!
No amor ou na glória
Todos esquecem a vida
Pois nos láureos da vitória
Quem relembra a mísera vida!...
Por isso a dor glorifica,
Dá valor à própria vida
O que hoje não significa
É a razão da própria vida.
A culpa é sempre da vida
A vida, sem culpa alguma!
Que cada um, em sua vida
Não tenha, é culpa nenhuma!
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 22/06/1966 (data da criação)
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A Última Cartada
A Última Cartada
Já cantam os galos, madrugada é alta
A luz no seu quarto contínua acesa
E na sala, o candeeiro sobre a mesa
Espera apagarem as luzes da ribalta
A noite caí. E no silêncio profundo
Aumenta o seu desespero a sua dor.
Na espera interminável do seu amor...
Do próprio companheiro deste mundo.
Que no cassino àquela hora, embriagado
Já perdeu até o último vintém.
E para última arriscada põe, também,
Em jogo, o apartamento mobiliado.
Pois na magia das cartas trapaceiras
Perdeu tudo, naquele jogo foi lesado
Deixando todo seu lar prejudicado
A troco de infamantes bebedeiras.
Armando A. C. Garcia
S.P. 31/08/1965 (data da criação)
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Bem-vinda sejas
Bem-vinda sejas
Pétalas de flores brotarão à tua passagem
Olor de perfumes cobrirão a aragem
E impregnarão lá no alto os feitos teus
Para toda a eternidade, habitares os céus.
Tua alma áptera alar-se-á ao infinito
Onde os anjos, os íncolas celestiais
Terão para ti, honras e glórias divinas
Pelo teu viver cheio de paz e bendito.
Gozarás de toda a glória, de toda a ventura
Que por séculos e séculos, nos céus perdura
Para as almas pulquérrimas e benfazejas
E como a tua, também é. Bem-vinda sejas.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 29/06/1964 (data da criação)
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