Armando A. C. Garcia

Armando A. C. Garcia

n. 1937 BR BR

n. 1937-11-12, São Paulo

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Pedaços de ilusões !  -  09/09/2026  

Pedaços de ilusões !  -  09/09/2026

 

Sinto pedaços de ilusões

Adejando em minha mente,

São velhas recordações

Lembranças, certamente,

 

Tudo muda minha gente

Na vida nada é igual,

O coração eternamente

Sem mudar, é desigual.

 

Nessas antigas lembranças

Duma alegria sem fim.

Vi morrer as esperanças

De ter você junto a mim.

 

Tempo feliz que passou

Tudo ficou no passado,

Dos pedaços só ficou

O sonho mais delicado.

         

Foi a antiga lembrança

O teu modo de andar.

Nos sonhos desta criança

E o teu jeito de amar.

 

Se pro céu vai a fumaça

Espalhando seus pedaços,

Na terra fica a carcaça

Ou seja, o seu carvão.

 

São Paulo, 09/09/2026 (data da criação)

Armando A. C. Garcia

 

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Biografia
Sou Poeta !

E poeta é qual vinho envelhecido
Em antigos tonéis de carvalho
Por alguns será bebido,
Por outros, só degustado !

São Paulo, 10/09/2009
Armando A. C. Garcia 

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Poemas

1121

O Vento

O Vento 

E o vento, o que o vento passa... 
Entre nuvens de espessa fumaça 
Ninguém sabe, ninguém, jamais, viu! 
Ninguém quer saber o que ele sentiu. 

E o vento, lento ou forte se desloca 
Bruma suave, ou rajada que passa 
O vento não pára um só momento 
É como no homem o pensamento. 

E o vento alando-se ao infinito 
Levado por um sonho bendito 
Sem saber se o que lá o espera, 
Se miasmas, nuvens, ou cratera 

E na sua missão nobre e boa 
Em que afasta a trovoada que ecoa 
Também, leva a semente caída 
Que dará vida a outra vida. 

E o vento que parece mau e inútil 
Todos o encaram como coisa fútil 
Entretanto afasta as miasmas de doenças 
A fumaça e a poluição intensas 

Armando A. C. Garcia 
S. P. 04/10/1964 (data da criação)

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109

Pé de Chumbo

Pé de Chumbo 

Os ferros serão retorcidos, quebrados 

Das grades frias de cadeias e prisões 
Não haverá mais severas punições 
Como não haverá eternos condenados. 

Os espíritos do umbral, serão afastados 
Da face da terra para um novo planeta 
Numa missão expiatória de capeta! 
Ao tártaro niilismo condenados... 

Como os homens primitivos das cavernas 
Pleurisseculares íncolas da terra... 
Cruéis, sanguinários, sedentos de guerra 
Serão sua índole, suas regras internas 

Do Pé de Chumbo, primitivos habitantes 
Planeta esse que em órbita já entrou 
E o homem, ainda, não qualificou... 
Por ficarem suas rotas tão distantes. 

Se os homens prestarem atenção nos pólos 
Verão que o eixo da terra se abalou 
E o clima bastante se modificou 
Como podem comprovar os próprios solos. 

Mas quando esse planeta se for aproximando 
Serão pela força magnética atraídos 
Para serem do seio da terra expungidos 
Esses espíritos que Deus está separando. 

Aí separar-se-á o joio do trigo 
Como está escrito nas velhas profecias 
Como o anunciou o próprio Messias 
E como meus irmãos hoje, eu vos digo. 

Haverá na terra grande transformação 
O homem praticará o evangelho 
Haverá respeito pelo moço e pelo velho 
E da gula e da ganância abolição 

Não haverá espíritos perturbadores 
Todos querer-se-ão como irmãos 
Porque Deus os separou com suas mãos 
E a ajuda dos espíritos Superiores. 

Armando A. C. Garcia 
São Paulo, 27/07/64 (data da criação)

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126

Sonho sem sentido

Sonho sem sentido 

Iníqua tanta, tamanha e dura covardia 
Que vingar da sorte eu queria ter podido 
Mais que a ira e piedade a morte prometia 
Fiado na promessa do amor comprometido. 

Se tão bela era quanto imaginar eu posso 
Lancei no negro esquecimento adormecido 
Alegres apetites no interno do meu fosso 
Dos quais não tive gosto, sonho, nem sentido ... 

Adormecido no bruto sonho interno meu, 
Nos anos a fio que descendo vão a fundo 
Vens agora, despertar quem já sofreu 
Quanto sofrer, a alma pode neste mundo. 

Encontras em mim uma sombra do passado 
Tão mal apagado o fogo do amor está 
Por ti abatido, foi morto, sepultado ! 
Cumpra-se o destino. Põe nele a cal de pá. 

Nos versos que escrevo, em vão pretenso intento 
Foste imenso lago, no reino fundo de meu peito, 
Imenso amor, intenso e diáfano pensamento. 
Tu, cheia de medo e de receio do meu leito! 

Não venhas agora aprisionar meus curtos dias 
Não haverá quem ao amor, reserve resistência... 
Nem o corpo, nem a mente lhe ordenaria, 
Aquele que foi vencido, lutará com renitência. 

Armando A. C. Garcia 
São Paulo, 13/12/2001 (data da criação)

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109

Capeta

Capeta


Ó tu, que andas a esmo nas sombras oculto
Porque não vens trazer à luz tua sabedoria?
Acaso é medo? vergonha ou cobardia!...

Ó tu, que te dizes ser douto nas magias
E vives às expensas de embustes e trapaças
Não adianta disfarçar, porque, não disfarças.

Ó tu, que no mal assentas o teu reinado.;
Num poder ignóbil, sóbrio, tenebroso,
Teu vil caráter de um mortal vergonhoso.

Ó tu, audaz capeta, vil salafrário
Que só na desgraça encontras tua ventura
E tua glória, na tua mísera diabrura.

Ó tu, hei!...ó vós, oh! almas endurecidas
Diabos. Segundo a crendice popular
Nunca é tarde, vinde!... vinde!... vamos orar.

São Paulo, 25/06/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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108

Poder

Poder


Poder, ó vil paixão, ó ambição,
Ó deleite opulento, vil magia.
Ó cátedra, ó cedro da mania
Que, arrastas o homem à perdição.

Poder ó grandeza vá, ó inglória,
Ó anelo veemente dos mortais.
Ó aferro adido aos anais
Que, relatam os nomes na historia

Poder, ó atavio, ó adorno,
Ó orgulho, vaidade de mandar.
Ó egoísmo déspota de reinar
Onde a glória perde-se no suborno.

Poder, ó vil auréola, ó fama,
Ó cobiça, ó plexo de mazela.
Ó esplendor, ó brilho de donzela
Que, a vaidade arrasta à lama.

Poder, ó vil desejo que, jamais,
Ergueste a bandeira da vitória,
Para tanto olhemos a história,
Onde só vemos tiranos irracionais.

São Paulo, 13/06/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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125

O  Sol

O Sol

Nos pináculos do zênite o sol dourado
Resplandece orbívago alcandorado
Projetando em catadupas a luz do dia
Rompendo as trevas na amplidão da utopia.

E nas pulquérrimas asas do Empíreo
Vives alado na imensidão do sidéreo
Por miríades de anos enamorado
Tens sido até pelo homem idolatrado

Na amplidão cerúlea, cercado de estrelas
Tu és o Rei perene entre as coisas belas
Habitas entre Deus, as estrelas e os céus
Os páramos celestiais, domínios de Deus!

Lídima é porém, essa tua morada
Pois foi Deus que te colocou na sua alçada
Para dares calor, luz e vida ao mundo
Demonstrando que até tu és oriundo.

São Paulo, 18/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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118

A  Candura

A Candura


No murmurejar incessante da fonte
Corre água pura, branca, cristalina
A brancura dessa água nos ensina
Que turva, se for cair fora da fonte.

Como ela é a candura feminina
Precisa de muito viço e cuidado
Não misturar a candura ao pecado
Para não turvar a pureza angelina

Teu ego, na limpidez alabastrina
Envolvido por ternuras blandiciosas
Não deixará perceber quão mentirosas
As carícias recebidas em surdina

Para não seres tua própria vítima
Nunca deixes cair tua moral
Que a carícia jamais te arraste ao mal
Par obteres a vitória legítima.

São Paulo, 07/05/64 (data da criação)
Armando A. C. Garcia


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A  Fome

A Fome

Negra!
Negra é a fome,
A miséria que mata
Que aniquila
Que desespera
Que inanima
Que debilita
Negra é a fome
Negra,
Negra
Cruel
Que mata
Corroendo
Ressequindo.
Negra é a fome,
Que não perdoa
Pobres orfãos
Pequeninos
Abandonados,
Corpos ao léu,
De bocas abertas
Pedindo ao céu!...
Clamando!
Mas tu não perdoas
Não te condóis.
Os pobrezinhos
Trêmulos,
Mal alimentados
Caminham, quase arrastados.
Quase impelidos
Por força invisível
Tu os persegues
Os atacas,
De pedra deve ser teu coração
Que não te condóis,
Não tens compaixão
De um pequenino,
De um infeliz,
Desventurado,
Que veio ao mundo
Amargurado,
Para pagar,
Para ressarcir
O seu pecado
Que em outras era
Praticou.
Mas tão pequenino,
Ainda,
Como podes tu, não perdoar!
Mas tu és pedra,
Pedra,
Pedra,
Pedra,
Negra,
Negra,
Sem coração.
Que não perdoas
Ante as bocas famintas
Escancaradas,
Tu não perdoas,
Não perdoas.
Assim vais matando,
Sacrificando,
Em holocausto.
Matas a vida da vida,
Tiras a seiva vital,
Desses pequeninos,
Miseráveis...
Deixas morrer à míngua
Sem dó,
Sem piedade,
Tantos corpos sadios,
Com que tens saciado tua gula,
Tua gula hiulca,
Sagaz!
Como podes tu, oh! fome!
Continuar impune?
Monstro,
Monstro negro!
Monstro sem coração.
De hoje em diante,
Regenera-te,
Tem compaixão
Se dás ao rico,
Não deixes faltar ao pobre o mesmo pão.
Regenera-te,
Regenera-te,
Serás um monstro de coração.

São Paulo, 08/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Chegada Da Cegonha

Chegada Da Cegonha

A cegonha anunciou...
E, logo às primeiras dores,
De alvoroço e alegria!
Nervosa fica a titia.
A futura mamãe aflita,
Já chora, blasfêmia e grita.
A titia cheia de pavor...
Corre a chamar o doutor.
No seu entender o parto,
Deve ser lento, sem dor!...
A vovó mais experiente,
Sorri, satisfeita, contente
Mais um neto, uma flor!
Que importa vir o doutor!...
............................
Mais uns minutos passados
Chega o médico atarefado
Logo em mangas de camisa
Vai fazer cesariana,
Mas constata! não precisa...
Pois naquela guerra ufana,
Nasceu uma bela menina.
........................
Pega a nenê pelos pés,
Na nádega da uma palmada
E num choro se desfaz...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
..........................
Nervoso no corredor,
O pai anda apavorado
De ouvir o choro lânguido,
Permanece angustiado,
Rói as unhas e se agita
Por todo canto da casa.
Sua mulher já não grita
Ele sente os nervos em brasa,
Nem a rezar se compraza
Pedindo pela mulher.
Teme que ela bata a bota
Sem saber o que fazer
Chega ao quarto, abre a porta!
Não encontra a mulher morta...
Pervagueia seu olhar,
Vê uma linda garota.
E, sua mulher absorta,
Mal sabe, se viva ou morta,
Assiste a tudo calada,
Pois a infeliz a coitada,
Não sente forças p'ra nada.
..........................
A casa num alvoroço,
Com visitas a chegar
Mais parece um nosocômio
Com crianças a berrar...

Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Em tamanha confusão,
O pai vai à garrafeira
Na pipa põe a torneira,
Trás presunto e salpicão
E... É tamanha a bebedeira
Que o médico tomba ao chão,
Bem aos pés da cabeceira.
Só no outro dia desperta
E então relembra a festa...
Põe o chapéu, cobre a testa...
E até logo meus senhores!...

São Paulo, 04/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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75

A Natureza

A Natureza

Cruzas o mar, a terra, os céus e os montes
Em tudo que passas vês novos horizontes
Nos céus os planetas e o brilho das estrelas,
Na terra os horrores e as coisas mais belas
No mar, o azul dos céus e as águas a brilhar
Nos montes a natureza, a despontar

Em tudo tens um enigma a decifrar
Em cada coisa uma beleza, ou um pesar
No mar tem a água, o sal e as tempestades
Nos céus trovões e, também, as potestades
Nos montes, as feras, os rios e as flores
Na terra, os homens, os ódios e os amores

Se existem oásis no cálido deserto
E pequenas ilhas no grande mar aberto
E brotam gotas d água da rocha dura
Se abre o dia, se fecha a sepultura
É porque existe algo sobrenatural
É porque o mundo não é nosso, é divinal.

São Paulo, 27/02/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Comentários (1)

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Muito belo... harmonioso - e viva a natureza....