Nas sombras lúgubres (soneto)
Nas sombras lúgubres (soneto)
Envolto nas sombras lúgubres da tristeza
Caminha na desventura o ancião
Seu rosto de mágoas cheio, com certeza
Por sonhos, por quimeras e ilusão
No calado momento, inoportuno
Onde maldiz, o maligno fado duro
Por seu rosto, escorrem lágrimas, soturno
Ante o injusto cerne, tão escuro.
Cobra-lh’a retidão d’alma cada ato
Ao brotar dos sentimentos a noção
De sabedoria, conhecimento pacato
Demonstrando experiência em cada fato.
- Caminha com a paz no coração
E pensa, porque o mundo é tão ingrato !
São Paulo, 20/09/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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SER PAI (replay)
SER PAI (replay)
É uma solene missão
Árdua, tarefa dura
Que Deus dá à criatura
Num rosário de paixão
É uma fonte de esperança
Que consola o coração
Como se fora uma benção
Uma bem-aventurança
É a argila que se molda
Nem sempre a nosso prazer.
Pois querer. Não é puder,
Nem sempre o barro se amolda !
Ser pai é fé que sublima
Altar de luz e tormenta
É paixão que impacienta
É um sonho que arrima.
É esperança que consola
É um sol que irradia
A estrada áspera e fria
E faz do ninho uma escola.
Não vê maldade em quem ama
Tem amor sempre de sobra...
Pelo filho se desdobra
Se preciso, pisa a lama.
É um clarão de alegria...
A nova estrada do mundo
É o amor mais profundo
Estrela... que o filho guia.
São Paulo, 06/08/2004 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O abstrato...
O abstrato...
Não te mantenhas abstrato
A ouvir o som das marés
Porque elas, poderão de fato
Já estar molhando os teus pés
São Paulo, 12/08/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O Melro ! (Infanto-juvenil)
O Melro ! (Infanto-juvenil)
Melro que pias sozinho
A morte de tua mãe
Nesse piar tão baixinho
Externas tua dor, também
Teu sentimento profundo
Revela amor pela mãe.
- A criatura no mundo
Igual ao teu, já não tem.
Quisera Deus que assim fosse
O amor do ser humano
Hoje imbuído na posse,
Só vê o lado profano.
O melro piando dolente
Demonstra com sua dor
Ao pai omnipotente
Quão grande era seu amor,
Põe-se o sol, vem o luar
À noite, já mal se ouvia
Mas continuava a cantar
Num choro de agonia
Veio um anjo e lhe falou
Melro, não fiques triste,
A tua mãe descansou
Estava doente, tu não viste
O melro, quase expirando
Ao anjo se reportou:
Passei a vida voando,
Minha mãe, nada falou !
São Paulo, 12/07/2015 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Do primeiro amor... (soneto duplo)
Do primeiro amor... (soneto duplo)
Do primeiro amor, ninguém esquece
É sentimento que na vida inteira cresce,
Na alma que ama, o coração floresce
Sentimento intenso que não perece.
É esse amor eterno, verdadeiro
Que a alma alimenta no braseiro
Mantendo na memória do primeiro
Condição dum digno cavalheiro,
E este sentimento é tão profundo
Que em qualquer lugar deste mundo
O primeiro amor é o mais fecundo
Feliz daquele que recebe a benção
Sacramental da eterna união,
Sentimental desejo do coração !
II
Todavia, por certos contratempos
Outros, tão divergentes da vontade
Não que seja por meros passatempos
Perde-se o amor primeiro, vem saudade
Esta infinda, trazendo a nostalgia,
Preso à memória o desejo aceso,
Querendo o primeiro amor a cada dia
Como se pudesse voltar ao que é defeso.
Tristeza, dor e sofrimentos mil
Ao sentir no peito amor intenso
Sem puder ser ao grande amor servil,
É o amor que a alma não esquece,
Nem o coração o deixa suspenso
Passa a vida inteira, e não perece !
Porangaba, 13/03/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Desilusões de amor, (soneto)
Desilusões de amor, (soneto)
Desilusões de amor, enfados da vida
Numa existência cansada, vencida
Num senso ignoto, humilde, obscuro
De quem não crê na realidade do futuro
No meu peito, há um coração que sofre
As agruras ingênitas duma estrofe,
E nessa amargura padecente aprimora
Os ensinamentos e preceitos doutrora.
Desilusões de amor... quem as não teve ?
É um fardo bem pesado, sendo leve,
O peito implora a volta à imensidão.
Será que nas preces, ouves meu lamento
Ou o confundes com o soprar do vento,
Num momento místico da oração !
São Paulo, 25/07/ 2017 (data da criação)
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O Dom da ubiquidade (soneto)
O Dom da ubiquidade (soneto)
Tivesse eu o Dom da *ubiquidade
Estaria a teu lado neste momento, amor !
Mas, por ser um Dom inerente a Deus
A não ser no pensamento, ninguém o invade
Esse Dom da ubiquidade só se impregna
Se representado pelo pensamento **bergsoniano
Jamais materializado no campo ***teluriano
Pois a realidade é séria e não admite ironia.
Quisera eu, meu amor tê-lo por um só dia
Para minimizar minha louca fantasia,
De poder beijar-te, cheio de alegria,
Acariciar teu seio, sentir teu perfume
Arder de desejos, como madeira no lume,
Oh! quem me dera transpor incólume !
* Que está ao mesmo tempo em toda a parte;
**a ubiquidade do pensamento por Bergson
*** da terra
São Paulo, 28/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Amor... eterno amor, (soneto)
Amor... eterno amor, (soneto)
Amor... eterno amor, vives em mim
És o doce veneno que segue meus passos
Não queiras tu, saber dos meus fracassos
Na perversa estrada donde eu vim.
Supremo amor, estrela que me guia
Deusa olente, com perfume de mulher
Sublimidade de formosura a transcender
A nobre generosidade de sua fidalguia
Musa, que a natureza fez mulher
Espargindo encantos de primavera
No ansioso anseio que minh’alma gera,
No qual é aprisionada pelo amor
De teus encantos, cheios de esplendor
Aos quais me amarro, enquanto Deus quiser !
São Paulo, 26/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A luz de Deus
A luz de Deus
És a luz que dá esplendor
E a seiva à natureza
És a luz do Criador
A luz de Deus, com certeza
És do mundo protetor
O amor de Ti orbita
És lenitivo na dor
O amparo na desdita
És o consolo e a paz
A esperança de quem chora
De tudo Tu és capaz
Por este mundo afora
És o Mestre que afeiçoa
Ensinando o bom caminho
Na mensagem digna e boa
Tangendo amor de mansinho
Dás amparo ao decaído
Socorres na escuridão
O doente, o oprimido
Mesmo aquele sem coração
Tua Divina presença
Se estende, não tem fronteiras
Atende a humilde criança
E ao viço das roseiras
Na aflição e desventura
És a estrela, o caminho
A recompensa futura
De quem procura teu ninho
Mas quem és Tu, diz agora
Que o verso não descortina
- Sou Jesus, a Eterna Aurora
Restaurador da doutrina
São Paulo, 27/09/2009 (data da criação)
Armando A. C. Garcia -
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A banalidade (soneto)
A banalidade (soneto)
Trago no peito entranhada a solidão
À minha alma, já falta inspiração
Esperanças, especulações e fantasia...
São hesitações do momento a cada dia.
A banalidade da indiferença
Sofrida com calma pela descrença,
Fez de mim um intrépido lutador,
Que nem na última gota, sente a dor
E se a dor, persistir em magoar,
Do meu peito, hei de a arrancar
E não serão os delírios do coração,
Que irão impedir de eu controlar
Nem mesmo evitar de abortar
A intensidade dessa louca paixão !
São Paulo, 19/04/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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