Se foi Deus que nos criou
Se foi Deus que nos criou
Se foi Deus que nos criou
Porque nos criou desiguais
E porque alguns nada têm
E outros têm demais
A resposta a esta pergunta
Está na reencarnação
Penhor de vidas passadas
Resgate, compensação
Feliz daquele que nesta vida
Paga centil, por centil
Ter a existência perdida
É retrocesso infantil
Situação digna de nota
Pluralidade d'existências
A unicidade é remota
Não encontra consistência
Se Deus é justo e bom
Como impor tribulações
Misérias e infortúnios
E dar a outros mansões?
Nossa sorte é decidida
Pró ou contra ao nascer
A uns um tipo de vida
A outros o perecer !
Que Deus teríamos afinal
Dando a uns felicidade
Sem repartir por igual
A sua fraternidade !
Porangaba, 10/05/2011
Armando A. C. Garcia
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Por ti, (soneto quádruplo)
Por ti, (soneto quádruplo)
Por ti, só por ti, sofri amarguras
Mil atrocidades, desventuras
Por ti, só por ti, aguentei a dor,
Tão grande era, e foi o meu amor
Se lá do alto, nas penas da discórdia
Deus não teve por mim misericórdia
Ao menos as musas, com mais concórdia
Acompanharam minha trajetória
O amor primeiro, justo, verdadeiro
Sem pejo nem brio, no atoleiro
Tu jogaste, sem ao menos tê-lo
Amparado na dor alucinante
Que me rasgou a alma e o semblante
Pra hoje em ti, tornar-se pesadelo
II
Talvez seja alucinação minha
O amor que meu coração continha
Talvez seja o amargor da derrota
Da simbiose aurícula e marota
Talvez seja um lampejo de loucura
Num coração partido, impostura
Talvez seja, o querer que não se almeja
Ou o fútil desejo por quem seja
Talvez seja, a dor do sofrimento
Inútil que por ti, sem alento
Passei, sem nenhum merecimento
Com outro te encontrei, e o lamento
Da dor que gerou teu casamento
E até hoje envolve meu pensamento !
III
Amargura, dor e sofrimento
Foi tudo que me trouxe teu amor
Pra quem esperava nele o alimento
Encontrou, foi o calvário da dor
E se desse martírio consentido
Nenhuma outra coisa sobreveio
Não me considero arrependido
Da ilusão do amor que foi meu esteio
Na imensidão descomedida da dor
Tu, sempre foste meu grande amor
E peço a Deus que lá das alturas
Te dê alento nas sepulturas
Ao partires deste mundo,com pesar
Ao teres-me trocado, sem pensar !
IV
Um castelo de areia em minha mente
Criei com sonhos vãos de teu amor
Ao invés de pensar naturalmente
Deixei-me levar nas ondas, ao sabor
A vida, é a ilusão dos iludidos
Quimera panaceia de ilusões
De amores não correspondidos
Castelo de areia de paixões
Onde fenecem esperanças de amor
E os grilhões da inveja e da cobiça
Trescalam, tangenciando a dor
Que o infortúnio às vezes quer impor
Ao destino anêmico que atiça
Tal chaga que se alastra ao redor !
São Paulo, 19/01/2016 às 0,3 hs. (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Reto retrato de: TU (soneto)
Reto retrato de: TU (soneto)
Tu és o amor a quem eu quero tanto
Tu, és a esperança que em mim renasceu
A luz que clareia o meu caminho, enquanto
A alegria de meus dias só cresceu
Quando te encontrei, sorrindo no caminho
Tu, rosa sem espinho, perfumada
És a deusa do amor e do carinho
És a luz que ilumina minha estrada !
Tu, que és a expansão e o limite
O Omega e o alfa, a morte e a vida
A flor exótica, a onda em desafio
Tu. Que foste tudo isto em minha vida
Sou hoje, para ti um nada, um estalactite
Pendido do teto da caverna por um fio !
Porangaba, 10/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Na penumbra fria de Paraisópolis (soneto)
Na penumbra fria de Paraisópolis (soneto)
Na escuridão duma noite de invernia
Na penumbra fria de Paraisópolis
Uma policial que ali passara o dia
Não foi recebida com miosótis
Foi presa fácil dum bando nefário
Palco da ambição e desesperança
De quem vive num mundo imaginário
Onde impera sua lei, que é, matança
E a pobre da infeliz policial
Foi ali, infamemente executada
Aos desejos do crime sequencial
Teve assim suas ambições retorcidas
Pelo comando do crime na Capital
Esmagando as benesses concedidas
São Paulo, 08/08/ 2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Gelada solidão
Gelada solidão
Nesta gelada solidão
Que vive o meu coração
Não há sol, nem esperança
Perdido pela lembrança,
Dos dias em que vivi
Junto, e ao lado de ti.
Era feliz e não sabia
Hoje, perambulo o dia
Sonhando poder voltar
Mas não te posso alcançar,
Estás mui longe de mim
Mas eu espero, mesmo assim !
Nesta gelada solidão
Que vive o meu coração
Sem teu amor, há tristeza
E o mundo perde a beleza
Trás de volta o teu amor
Tu és meu sol, meu calor
Tira-me desta solidão
Alegra o meu coração.
Tirar-me desta geleira
É só transpores a barreira
De teu orgulho pessoal,
E terás, um amor imortal !
São Paulo, 27/04/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Pérola !... (Infantil)
A Pérola !... (Infantil)
Caminhava pela praia
Um plebeu, pescador
Quando surgiu a princesa
Tão linda como uma flor !
O destino quis que ao vê-lo
Gostasse dele a princesa
E levou-o ao castelo
Pra apresentar à realeza
Nada tinha o pescador
Pra princesa presentear
Pescou a pérola mais linda
Que havia no fundo do mar
Seu presente de noivado
Estava ali garantido
Deixou o rei encantado
E aceitou o pedido
Na véspera do casamento
Novamente foi pescar
E pra seu maior contento
Pescou a pérola, que era par
Presenteou a rainha
Que muito agradeceu,
Perguntou donde provinha
Ele disse, que era do céu!
As pérolas eram tão belas
Parecia que tinham luz
Geradas duns cravos velhos
Que pregaram as mãos de Jesus !
São Paulo, 04/11/2012 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O amor é chama ... (soneto duplo)
O amor é chama ... (soneto duplo)
O amor é chama que arde no peito
Sentimento que aquece permanente
Vida de contentamento a quem o sente
É viver num paraíso perfeito.
É fogo que não se apaga sutilmente
Esperança de carinho toda a vida,
É ter a confiança consentida
É dar a lealdade a quem consente.
Amor é o fruto deiscente que se abre
No esplendor da fausta primavera
Que por vezes toca noutra alma severa
É ficar preso sob a mira de um sabre,
Ou viver para servir a quem se ama,
Na cinza permanente dessa chama !
Porangaba, 08/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
O amor é fogo ...
O amor é fogo que arde sem queimar
É algo imaterial qu'a gente sente e não vê
É o despertar pra vida da alma e da fé
É um querer, impossível de deixar
É um contentamento de alegria
Sentimento impar de felicidade
É troca sincera de lealdade
É querer o que se quer, sem *astenia
É morrer pelo amor se precisar
É servir-lhe de guia na cegueira
É ter com quem dividir à sua beira
É contentar-se, mesmo descontente
Se a vida dói, fingir que não o sente,
E não deixar a chama se apagar !
Porangaba, 09/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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*debilidade; fraqueza
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Oh! linda criatura (soneto)
Oh! linda criatura (soneto)
Ante tua beleza oh, linda criatura
Vejo-me fascinado e apaixonado
Fecho os olhos e diante dessa formosura
Vejo-me em silêncio, ser por ti amado
Tua insinuante beleza me seduz
Nesse sonho belo, procuro alimento
Que nutre, estimula e me conduz
Ao cume do apogeu do pensamento
Sejas tu, minha estrela, a minha luz
Como foste inspiração destes rabiscos
Peço a Deus que não sejas minha cruz
Mas sim a Diva de todos pensamentos
Oh! linda criatura, beleza d’ Andaluz ,
Pra poder amar-te, em todos os momentos !
São Paulo, 03/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Amor; (soneto)
Amor; (soneto)
se é que esta palavra tem sentido
após intensa vivência amorosa,
como forma de sublimar o indefinido
de um momento pleno, cor de rosa
projeção impar da síntese perfeita
no apogeu magnético do amor
quando a palavra amor, se estreita,
dando lugar à rival, chamada dor !
sonhos projetados esvoaçando no ar.
no voo dum pensamento intermitente
alçado à lúbrica ceia, vagamente
nos *paroxismos que o desejo faz criar
no **hipocondríaco cérebro sedente
do amor, que ame, verdadeiramente !
*exaltação máxima de uma sensação
**tristeza profunda; melancolia
São Paulo, 10/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Brasil ! teus filhos exigem mudanças (soneto)
Brasil ! teus filhos exigem mudanças (soneto
Brasil ! teus filhos exigem mudanças,
A mudança radical, te conclamam
Jazem de joelhos suas esperanças
Por um novo amanhã, não de vinganças
Basta o que sofremos de punição;
Confessem-se vencidos os algozes
Que no albor do amanhã no coração
Volte a esperança, afastando os atrozes
Que do Grande Deus venha a inspiração
A teus filhos valentes, sem destemor
Para fazer de nossa Pátria uma nação
Onde reine a paz, a serenidade e o amor
E onde nossos filhos, sem aflição
Vejam em Ti, em futuro promissor !
São Paulo 11/05/2016 (data da criação)
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