De dor em dor, tens meu coração partido Amor, oh! Quanto amor mal entendido... Ao longo dos anos, pensei já conhecer-te ... Mas vejo coração, acabas de perder-te !
Fraqueza no querer, esforço em vão Nova dor... a cada nova afeição ! Triste fim, extremo fim, meu amor Tua perda... é o sofrimento maior !
Quando do bem, um pouco amor espero Não me basta o querer, que tanto quero Há sempre uma esperança que não vem !...
Fragmentos, desenganos, fantasias ... Ledo engano, mais dor, desarmonias. No fim, nada tem a perder, quem nada tem !
São Paulo, 28/11/2004 Armando A. C. Garcia Visite: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Oração da criança
Oração da criança
Quis rezar mas não sabia, Nenhuma oração legal. Vou pedir p'ra cada dia O que acho principal.
Senhor, meu Deus, atendei O pedido que vos faço, Eu nem sei porque busquei Abrigo em Vosso regaço.
Minha mãe, está doente, Meu pai, desempregado Que ela, cure de repente, P'ra ele, trabalho achado.
Sabeis que sou pequenina Tenho três anos de idade, Não sei oração Divina P'ra vós, não é novidade!
Atendei o que vos peço Que chegando à mocidade, Pagar-vos-ei justo preço Rezando com qualidade.
Obrigado meu senhor, Em atender meu pedido. Eu não sei rezar melhor, Mas vos fico agradecido.
São Paulo 07/08/2004 Armando A. C. Garcia
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Bate um vento atravessado
Bate um vento atravessado
Bate um vento atravessado Do frio que vem gelado Da cordilheira dos Andes O gado; do pasto é retirado O homem, fica todo encapuzado Tomando o seu chimarrão. Da cocheira os cavalos Não querem arredar pé Os gatos acocorados Na lareira, o fogo em pé Na cumeeira do telhado Só gelo a gente vê Mas eis que olho no prado Veja o quadro que se vê Uma criança descalça Congelada pelo frio Ponho polaina na calça Corro a tirá-la do frio. Aqueço-a na lareira Dou-lhe leite, pão café Indago-lhe onde mora Diz: além, depois da serra Morava com sua mãe Seu pai estava na guerra Mas porque sozinha estava Tão distante e desgarrada Ela então falou chorando Que sua mãe não acordava Cortaram-me o coração Esta palavras ditadas Cri então que sua mãe Já mora noutras paradas Acolhi a criancinha Dei-lhe estudo educação Como sendo filha minha Hoje, é minha proteção !
São Paulo, 09/09/2009 Armando A. C. Garcia
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Oh! Ilusão
Oh! Ilusão...
Ilusão, tu que povoas Tu, que povoas as mentes Com milhões de coisas boas Mas nada dás, ao que as sente
Ilusão... Oh! Ilusão... Porque não ficas ausente Lanças esperanças em vão No imo de toda a gente !
Tua perfídia é tenaz Nos desenganos da vida A ilusão consentida É da mesma dependente
Impassível ao nosso fado Na onda tu, nos embalas Sem limites ao bem sonhado Na aspiração nos igualas
Nossa avidez imoderada Cobiça de pretender A utilidade não alcançada Nos contornos do viver
Desejos mil, aspirações Na realidade impossíveis Tu, dás-nos nas ilusões As cismas de todos níveis
Dás-nos ouro, pedrarias Afeto, amor e carinho Indústrias e pradarias Largas visões do caminho
Ilusão... Oh! Ilusão... Tu, que povoa a mente Lanças esperanças em vão No imo de tanta a gente !
Nas tuas mãos geladas, tópico final Depositei o último beijo da saudade Que levaste ao páramo celestial No cálido amor da imortalidade
E se Deus, o infinito amor consente Poupando-te da hora em que partiste Aos céus rogo uma prece contundente Que leve a teus pés o amor que persiste
Na eterna consolação que resplandece Abarcarás a imensa dor que domina Onde o grilhão da angústia avança e cresce.
Como suprir o amargor de cada ofensa Se no caminho a luz já não descortina No brando e amoroso louvor, tua presença.
São Paulo, 08/04/2010 (data da criação) Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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A Neve
A Neve
Oh! Que saudade me traz Ver a neve branca e pura Ver os telhados das casas Cobertos daquela alvura
De manhã abrir a vidraça Ver tudo da cor do linho Logo cedo se alguém passa Deixas as marcas no caminho
Bailam os flocos no ar Caindo devagarzinho São pétalas a alcatifar As veredas e os caminhos
Vê-la cair lentamente Com flocos em remoinho Ela cai tão sutilmente Que toca o chão de mansinho
É uma dádiva dos céus Alcatifando a terra Um colírio aos olhos meus É uma benção na serra
Parece um manto de leite Cobrindo a terra devassa Sua beleza é um deleite. Já a chaminé esfumaça !
São Paulo, 19/02/2010 Armando A. C. Garcia
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Àquela que vai ser Mãe !
Àquela que vai ser Mãe !...
I Vai ser mãe não tem receio A espera é um anseio É esperança, é alegria De fecundar sua cria II O amor em si, canta e vibra Ela é força que equilibra Aurora cheia de brilho É mulher. Espera um filho III Ao seu filho tão amado Sempre estará a seu lado Cuidando e dando carinho Tal como a ave em seu ninho IV Será amável dedicada Alma em sonhos perfumada Da rosa pétala flor Magia dum amor maior V Como rocha, firme e forte Enfrentas até a morte Pela primorosa flor Fruto de um grande amor! VI Vais ser mãe. Bendita sejas E em minha prece singela Peço a Deus p'ra que não sejas A mãe de outra Isabella !
Todos em ti deixam sua sujeira Mas tu, qual Fênix que renasce das cinzas Voltas renovada, purificada Cristalina a cada novo ciclo de vida
Podes ser sólida, líquida ou gasosa, Tua sublimação de sólida a vaporosa É movimento constante, na esfera. Estás nos oceanos, continentes e atmosfera
Porém está na evapotranspiração Tua maior afirmação de transmudação Passas à atmosfera pelo efeito do calor A cada ciclo hidrológico repetidor
Te condensas em nuvens de vapor Para a milhares de quilômetros dar vigor A plantas, florestas, cardos e roseiras Alimentas rios, mares, oceanos e geleiras
Penetras no solo, alimentas as nascentes Cursos d'água em todos continentes Deságuam nos lagos e outros no mar Ou criam aqüíferos singular
Ninguém obstrui o teu curso, és poderosa Escoas esbravejando na tarde chuvosa Em direção aos rios, lagos e oceanos És inconstante, levas vida de ciganos
Brotas de fissuras nas rochas duras Irrompes de entre nuvens magnéticas Que cospem línguas de fogo para a terra E o fogo apagas, esfrias a guerra
Tua força e dom é sobrenatural Mitigas a sede de planta, do animal És o prenúncio da vida renascida O poder o equilíbrio e a medida
Força suprema da natureza viva Que de ti nasce e se procria ativa És potência, vigor, força e energia És dilúvio, enchente e calmaria
Esperança do agricultor, seiva da vida Fertilidade e abundância de comida Nos organismos, matéria predominante Âncora que a vida leva adiante
Nas madrugadas em forma de orvalho Ou então caindo em lentos flocos de neve Qual manta branca na linha do horizonte Cobrindo vegetação, árvores e montes
Teu ciclo hidrológico se inicia nos mares Com a evaporação marítima sobes aos ares E os ventos te transportam aos continentes Em ciclos contínuos e permanentes
P'ra no caminho subterrâneo te infiltrares Nos poros das formações sedimentares Num processo contínuo e lento Como quando nuvem, ao sabor do vento
Crias vendavais, e inundações Transbordas nos rios, lagos e lençóis Só o mar acalma tuas agitações Por vezes encapelas ondas, dimensões
O processo de mutação pelo calor Que do globo passas à atmosfera Para renovar com viço e amor A natureza que sempre te espera
De teu potencial surgiu a roda dáágua, A máquina a vapor, a usina hidrelétrica O caminho fluvial, a caixa d' água Com participação em toda cibernética
São Paulo, 22 de março de 2006 Armando A. C. Garcia