Numa selva florida banhada de luar, Cantava o rouxinol numa noite estelar Parecendo inspirado no zimbório celeste Ou, enamorado da paisagem agreste
Despontava nos céus o raiar da aurora E, jovial o trovador cantava agora Como se despertado ao raiar do sol E houvera adormecido ao arrebol!
Seu gorjeio, como o arpejo dulcíssimo Pungido d'saudade sentimentalíssimo Como o choro de um amor, puro, cristalino Executado por um poeta ao violino
E não parava de cantar o trovador De exteriorizar o âmago de sua dor Para em cada trinado cheio de saudade Desprender um elo de sua felicidade!
Alando aos céus uma prece sempiterna Como pedindo a Deus pela alma materna Que naquela noite deixara de existir, Indo ao recôndito lugar do porvir,
Em busca da utopia, que só Deus Nos pode dar, bem no alto, lá nos céus! Em busca da paz, do reino da alegria Ao encontro do Rei do Universo e de Maria.
E naquele canto extraterreno exulcíssimo O poeta, rouxinol sentimentalissimo Cantou até quebrar de dor e pranto As fibras vocais de seu mavioso canto
E, todo exangue o rouxinol inda se ouvia Como num canto surdo, como de quem morria, Aquebrantado por aquela dor tão forte Até que tombou ao chão, vencido pela morte!
São Paulo, 09 de março de 1964 Armando A. C. Garcia
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AMAZÔNIA !
AMAZÔNIA !
Motosserras, correntões e queimadas! Transformam o verde em vermelho, o dia em noite Expansionismo geométrico de mourões Toras de jacarandá e mogno, são serradas De pau-brasil e cerejeira, sem açoite Deixando ricos, ilustres figurões ...
Choram a mata atlântica e as pobres mariposas Chora a fauna e a flora a cada derrubada Só não chora, o vil do rico fazendeiro Nem o extrativista de gemas preciosas. Ajuste de assentamentos, libera a queimada Amazônia é dominada com o nosso dinheiro !
Com tais recursos, no mundo não há igual Região de flora exuberante em variedade Seringueiras donde se extrai a borracha Castanhas-do-pará. Ouro, o rei metal Peroba, ipê, madeira de alta densidade P’ra coibir, só o Governo apertando a tarracha
Tem calcário, cassiterita, estanho e cobre Ouro e diamante em grande profusão Ferro e manganês, recursos infindáveis Exploração que a realidade encobre Com terrível disputa pela terra em vão... Nem seus pobres rios ficam intocáveis !
São Paulo, 16/10/2008 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Ofensa Sagrada !
Ofensa Sagrada !
Até as pedras se ofenderam de tamanha vilania Jamais, vi coisas tão monstruosas, anormais... Entre feras, abutres, hienas, tigres e chacais Indigna se tornava sua intolerante ousadia!
As negras pedras do templo chorarão eternamente As alvas toalhas de linho ficaram sujas de repente E o Cristo acorrentado àquele madeiro infame, Não pode fazer nada mais do que suportar o vexame.
Nem no horto das oliveiras ficou tão agonizado Que só não saiu daquele antro porque o tinham amarrado Como amarrado que o trazem há quase dois mil anos, Vivendo às expensas Dele, essa cambada de tiranos.
E entre Cristos, Santos, Anjos, Arcanjos e Querubins O safardana do cura fazia orgias e bacanais... Praticava adultérios, estupros e muitas coisas mais... Fazendo de Deus e de sua corte, uns arlequins.
Profanava o templo divinal, essa casa sagrada Vivendo na orgia, enterrado no pecado noite e dia Consagrando a hóstia sacrossanta, a divina eucaristia Com as mãos tintas do pecado, e a alma enodoada.
Oh! Céus!...
- Como podeis não desabar sobre esta terra maldita? Como podeis suportar tanto sacrílego ultraje? Como deixais impune tanto tempo quem assim age?! Abusando com arrogância de vossa Bondade infinita...
Mas esses abrutes infernais, seus crimes terão, ainda. Desenterrados dos dogmas fantásticos que os encobrem Mostrando então as glândulas de serpentes que se abrem Hiulcas, vorazes, devassadoras, cheias de veneno infindas
Esses corvos negros, serpentes de hediondez profunda Rugindo a maldade em sua própria consciência Tentarão negar, pelo bem, pelo mal, ou pela violência O seu crime atroz, e ocultar a sua nódoa imunda.
Eles mesmos constituem o próprio vírus da heresia Dilapidados da honra, da comiseração humana Tentarão trocar a batina e a dalmática romana Pelo manto dos cabotinos, a sina da hipocrisia.
Do misérrimo báculo ao hissope de água-benta, Das lúbricas luxúrias ao esquálido cemitério, Tudo que têm ignoto, envolto em sórdido mistério... Cairá por terra o gérmen maldito que a alimenta,
Quando a consciência humana, em sua sabedoria Avaliar quão balofa era a doutrina praticada Por esses vilões. Histriões de sua própria palhaçada Que fazem a coleta em meio da Ave-Maria!...
Assim como do templo fazem bordel profano Destruindo lares, que unir em Deus eles alegaram, São feras tão capazes de destruir quem vitimaram, Mais vorazes que as famintas feras d'arena de um tirano.
Esses morcegos negros, essas corujas sangüinárias, Sugam o sangue, a carteira, e a honra em adultério, Escarnecem suas pompas e responsos de mistério... Quando o féretro é de gente pobre de condições precárias.
Mas se for de gente rica, gente bem endinheirada! Levará todas as pompas, para que não falte nada. Rezarão responsos, para os outros, nunca terminados! Porque para rezar muito, têm preços estipulados.
Se conforme o grau hierárquico as rezas têm valor, Não sois vós oh! pobres! que alcançais a salvação divina Porque as rezas de bispos, papas, cônegos e cardeais, Não vos pertencerão nunca, porque, também, não as pagais.
Ao Arquiteto do Universo (soneto) Ao Grande Arquiteto do Universo Eu peço, neste meu humilde verso Um mundo de amor, paz e progresso Entendimento nos lares e sucesso
Haja entre os homens fraternidade Mesmo entre várias Fés, haja igualdade Para que o mundo seja um só caminho O percussor seja a flor, não o espinho
Por isso a Ti, imploro Tua proteção Para todos os povos, toda nação Que reine a paz e o amor, ao invés da guerra!
Que se empunhe a enxada ao invés da serra Que brilhe o sol, a cada nova aurora Que o mundo, seja mundo, a qualquer hora.
São Paulo 12/09/2004 (data da criação) Armando A. C. Garcia
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Meu Senhor !
Meu Senhor !
Senhor! Quando penso em formular um pedido Sinto-me pesaroso e abstraído Sem forças morais, olhar retrospectivo Por nada ter feito em prol do positivo
Senhor! Sabeis bem da falta de coragem Daquele que só pensou em libertinagem E quando quer prostrar-se a teus pés Sem forças para pedir, porque nada fez
Meu Senhor! Qual barco na procela à deriva Conduz-me à Tua amplitude progressiva Arrependido dos dias de amargura Quero contemplar Tua Excelsa figura
*Escindir-me-ei de todo mal do passado Que os novos dias sejam entronizados E regidos pela Tua sabedoria milenar E que possa eu, de instrumento a ajustar
Passar a ser qual violino afinado Na orquestra sinfônica de Teu reinado Com capacidade de socorrer os aflitos Na palavra de fé de teu filho Favorito
Oh! Musas que meus versos regeis ao fado Trazei-me o vício da beleza e perfeição Condição inata de que tendes o condão Envolto no sutil pensamento delicado
Oh! Musas que inspirais meu rude verso Trazei do sábio o entendimento e do erudito O poema mais lindo, que nunca foi escrito Conjunto de palavras que no ar anda disperso
Para que neste palco, que é o universo Possa elevar o esplendor e a grandeza Que o omnipotente empresta à natureza
Projetando a cada dia a luz do sol *terso Porque sem ela, nenhuma vida existiria. Tudo o que vemos, é sublime sabedoria.
São Paulo, 24/01/2012 (data da criação) Armando A. C. Garcia
Os desafios tenazes Que cada capítulo encerra Não são desafios, são fases De trajetória na terra !
Mais tarde em retrospecto Vemos então quão fugazes Quando na vida senecto* Do tempo fomos vorazes
Na mísera existência humana O tempo tudo consome A mente que hoje se ufana Amanhã vê que ela some
Que outro entendimento Desta vida se consente Ninguém está do fado isento Nem da morte, está ausente * velhice São Paulo, 07/08/2008 Armando A. C. Garcia
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O Fadista !
O Fadista !
Fadista que canta o fado Abrindo o seu coração Põe a tristeza de lado Seja qual for a razão
Reflete a luz do sol Mesmo nas horas amargas Como autêntico rouxinol Não desmerece as ilhargas
Fadista que canta o fado Tem sentimento profundo É da sina namorado De Portugal e do mundo !
Seu destino está traçado No livro da natureza Para o fado foi talhado Qual guitarra portuguesa
Não pode mudar o destino Nem a sua condição É vontade do divino E, só ele tem o condão.
Mesmo co'a alma a chorar Ao preço da nostalgia Seu pé, não pode arredar Tem de cantar nesse dia !