Abrindo as velas ao vento Ao incógnito se lançaram Com fé, vigor e alento O alto mar eles singraram
Pequeninas Caravelas Por gigantes conduzidas Em alto mar de procelas Esperanças adormecidas
Lá na vasta imensidão Sobre ondas encapeladas Singrando o mar elas vão Por águas nunca navegadas
Em silêncio, a frota navega Dia após dia, sem cessar Até que um dia, à terra chega Já cansados de tanto mar
Onde as ondas tiveram fim Novas gentes, novas plantas E tudo estranho, enfim Não há igrejas, nem há santas
Tem uma flora exuberante Com recursos infindáveis Matas virgens, diamante Ouro e prata admiráveis
O esplendor da terra nova Na sua vastidão imensa Cheio de mistério, é trova - A praia, por recompensa
Ali aportaram por fim Cansados de tanta luta Chegaram os índios, assim Numa vergonha dissoluta
Deram-lhe quinquilharias Espelhos e outros mais E com essas ninharias Cativaram os demais
Foram assim conquistando Dos selvagens amizade Deste modo atuando Acalmaram a tempestade
Mas o índio, sempre arisco Por vezes se sublevava E para não correr o risco O pessoal, não vacilava
Os dias foram passando E estes formaram anos O Brasil foi caminhando Ainda hoje, há desenganos.
Porangaba, 31/03/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Até ao inferno (soneto)
Até ao inferno... (soneto)
Destravarei ¹aldravas e abrirei fechaduras Em toda rua e viela, envidarei tuas procuras No infinito do tempo e se eu fosse eterno Estenderia a procura até ao inferno
A angústia de viver sem ti vibra e cresce E ao pé da eternidade... quase floresce A luta que intimida, é medo, fantasia ... Procurarei de porta em porta sem fobia
Sem vergonha do pranto que o amor chora Percorrerei o mundo a qualquer hora Buscando o teu amor... da existência à morte
Quem sabe o bom Deus dar-me-á a sorte De te encontrar algum dia, seja onde for O sábio já dizia: A vitória é do amor !
São Paulo, 16/04/2009 Armando A. C. Garcia ¹trancas de portas Visite o blog: http://brisada poesia.blogspot.com
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São Paulo
São Paulo
A ti não chegaram às caravelas, Mas de ti, partiram bandeirantes. Como centro financeiro abres velas Singrando o Brasil e America do Sul
És uma das mais globalizadas Cidades no cenário mundial Tua pujança, e luta das arcadas São destemor e audácia sem igual
Teu povo, miscigenação de raças Esculpindo ao mundo novas gentes Longas ruas, jardins e praças Repletas de arranha céus imponentes
No emaranhado, contrastas briosa Com favelas que ninguém ousa falar Por São Paulo ser grande e majestosa És a locomotiva que roda sem parar
Berço do trabalho e da cultura Acolhes o migrante e o estrangeiro Dás esperança aquele que te procura E teu povo, é um povo hospitaleiro
Tua marcha triunfal o Anchieta Do além, certamente consagrou Não foste traçada em prancheta A forca do destino te edificou
És o gigante, deste imenso país Teu progresso está no imenso sucesso E neste dia vinte e cinco de janeiro Milhões de beijos ao teu povo hospitaleiro
Porangaba, 24/01/2012 Armando A. C. Garcia
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AMAZÔNIA !
AMAZÔNIA !
Motosserras, correntões e queimadas! Transformam o verde em vermelho, o dia em noite Expansionismo geométrico de mourões Toras de jacarandá e mogno, são serradas De pau-brasil e cerejeira, sem açoite Deixando ricos, ilustres figurões ...
Choram a mata atlântica e as pobres mariposas Chora a fauna e a flora a cada derrubada Só não chora, o vil do rico fazendeiro Nem o extrativista de gemas preciosas. Ajuste de assentamentos, libera a queimada Amazônia é dominada com o nosso dinheiro !
Com tais recursos, no mundo não há igual Região de flora exuberante em variedade Seringueiras donde se extrai a borracha Castanhas-do-pará. Ouro, o rei metal Peroba, ipê, madeira de alta densidade P’ra coibir, só o Governo apertando a tarracha
Tem calcário, cassiterita, estanho e cobre Ouro e diamante em grande profusão Ferro e manganês, recursos infindáveis Exploração que a realidade encobre Com terrível disputa pela terra em vão... Nem seus pobres rios ficam intocáveis !
São Paulo, 16/10/2008 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Afeição e Carinho
Afeição e Carinho
Mora afeição e carinho Mora amor em nosso ninho Peço a Deus que dure eras O afeto com que o veneras
Se o amor tem encantos E a natureza outros tantos A primavera em flor Matiza os prados de cor
O tempo esse malvado Vai pondo o amor de lado É contrário à natureza Que renova sua beleza
A cada nova primavera Odorando a atmosfera Com o perfume das flores Dá viço e vida às cores
Abrindo com esplendor Novo ciclo de amor Renovado a cada ano Seu afeto soberano
Sê igual à natureza Com sua imensa pureza Não abandones o ninho Onde há amor e carinho
Relembra teu velho amor Curte nele a tua dor Não pules de galho em galho Sê pura igual ao orvalho
Se o vento bater mais forte Não busques outro consorte No galho da laranjeira Morre a flor, vem a fruteira
Procura revigorá-lo De alegrias explorá-lo Com esperança e glória Perpetuarás a vitória !
Havia um país, cujo reinado era uma ilha Situada além mar, n'uma terra distante No palácio morava o rei e sua filha Numa vida feliz, serena, radiante.
A princesa, Ariete era sua única filha O palácio real ficava à beira mar. E envolta numa rica escomilha, Sempre lá, a princesa ia-se banhar .
Brincava com os peixes quando ia nadar Um golfinho ficava sempre ao seu lado, Se cansada, a ajudava a carregar Montado com ela, em seu costado.
E assim, às vezes por horas percorriam Milhas do oceano, qual navio! Quando de regresso à praia sorriam. Só. O golfinho, ficava triste, vazio...
Na manhã do dia seguinte lá estava Cheio de alegria e brincadeira O golfinho que na praia esperava Para receber a carícia lisonjeira.
Até que um dia, um barco que ali passou Com piratas que raptaram a princesa... Era tarde, quando o golfinho lá chegou Não a encontrando, se encheu de tristeza.
Correu p'ro alto mar, curtir a solidão Mas quando passava perto d um navio Escutou alguém chamar oh! brincalhão! O golfinho respondeu com um assobio,
A princesa pulou da amurada O golfinho a carregou até à praia. Onde o rei já montava uma jangada Para ir procurá-la em outra raia.
O rei, surpreso, do que via à sua frente! Julgou ser imaginária sua visão... Só quando ouviu, feliz contente O chamado da princesa, que satisfação.
Quando pode realmente compreender Que o golfinho salvara sua filha. Pois o bando de piratas. ia vender Sua filha logo à frente, em outra ilha.
São Paulo, 17 de agosto de 2004 Armando A. C. Garcia
Como um leão na batalha do mundo Transpus florestas, à noite e sob sol Visto a túnica da poesia, amor profundo Desdobro do azul do céu o arrebol
Minha existência inteira tento poetar Não sob protesto fútil, ou sentimental Venho expondo diferença entre o bem e o mal Mesmo que com isso possa desagradar
Eu sinto e vivo o que todo homem sente De bardo*, sou um bacharel formado Embora às vezes saíam como dum tornado Frases do vernáculo, veneno de serpente
Noites de procela*, e dias de amargura Numa rua escura, ou num amor candente, Nos vagalhões do mar ou no sol ardente A alma do poeta veste rija armadura
Extrai da pedra bruta ou da flor o viço O néctar e o perfume do amor-perfeito A alquimia*** do poeta sempre dá um jeito Até p’ra tirar das abelhas o mel no cortiço
No topo da montanha, ou no sopé do vale Nas asas de um arcanjo, ou no poder do mal Em jardim florido, ou extenso seringal A inspiração do poeta. É sempre igual !
Porangaba, 17/08/2011 Armando A. C. Garcia * poeta ** tempestade *** práticas químicas Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Conflitos de Amor
Conflitos de Amor
Da afeição que eu tanto confiava No amor que tão desejada era Traição tamanha, jamais esperava Quão grande a flama que em mim ardera
Enfim, só quem ama sabe, compreende Que aquilo que se quer e se deseja Há sempre alguém que sem pelejar contende Tão suspeito, que em curto tempo se não veja.
As lágrimas míseros dos dias sofridos D’ amor qu’ teve começo, nunca teve fim Foram prelúdio de jogador vencido Que, na ordem do destino foi traído
A lealdade das juras já negada No amor que sustinha não renova Infestam a alma e a vida subjugada Como lhe convinha, seu peito aprova !