De dor em dor, tens meu coração partido Amor, oh! Quanto amor mal entendido... Ao longo dos anos, pensei já conhecer-te ... Mas vejo coração, acabas de perder-te !
Fraqueza no querer, esforço em vão Nova dor... a cada nova afeição ! Triste fim, extremo fim, meu amor Tua perda... é o sofrimento maior !
Quando do bem, um pouco amor espero Não me basta o querer, que tanto quero Há sempre uma esperança que não vem !...
Fragmentos, desenganos, fantasias ... Ledo engano, mais dor, desarmonias. No fim, nada tem a perder, quem nada tem !
São Paulo, 28/11/2004 Armando A. C. Garcia Visite: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Nas asas do tempo (soneto)
Nas asas do tempo (soneto)
Vai-se apoucando a sua formosura Presa nas asas do tempo fugaz Imutável condição da estrutura Que impiamente o tempo é capaz
As rugas, são o alígero retrós Trespassada a leda mocidade Vencidas do fausto, logo, avós Marcadas do tempo, sem piedade
Teus fenômenos, oh! pia natureza Instrumento geométrico das linhas Consola-lhes o horror dessa tristeza
Aos seus olhos de moças, já velhinhas Cura-lhes o tal vício da beleza E que aprendam a ler, nas entrelinhas !..
Porangaba, 08/04/2012 (data da criação) Armando A. C. Garcia
Cruzas o mar, a terra, os céus e os montes Em tudo que passas vês novos horizontes Nos céus os planetas e o brilho das estrelas, Na terra os horrores e as coisas mais belas No mar, o azul dos céus e as águas a brilhar Nos montes a natureza, a despontar
Em tudo tens um enigma a decifrar Em cada coisa uma beleza, ou um pesar No mar tem a água, o sal e as tempestades Nos céus trovões e, também, as potestades Nos montes, as feras, os rios e as flores Na terra, os homens, os ódios e os amores
Se existem oásis no cálido deserto E pequenas ilhas no grande mar aberto E brotam gotas d água da rocha dura Se abre o dia, se fecha a sepultura É porque existe algo sobrenatural É porque o mundo não é nosso, é divinal.
São Paulo, 27/02/1964 (data da criação) Armando A. C. Garcia
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Meu Destino !
Meu Destino !...
Vim cumprir o meu destino Transpor pavores sem igual Ser humilde peregrino Passar privação abissal
E, no infinito desacerto Viajou minha hesitação Tu, nunca estavas por perto Só, longe do meu coração !
Vivi, d'ávidas esperanças Sempre suspenso no ar Estava em ti a confiança Tu, estavas em outro lugar
Assim, ao ver-me traído Do deslumbrante projeto Vi meu sonho destruído E, senti-me um abjeto !
Se o destino é nosso fado Ele nos dispõe, onde estamos Nem sempre do nosso agrado Ele nos coloca, e ficamos
O que passa, não volta mais Pelo destino é previsto São razões elementais Como o calvário a Cristo !
São Paulo, 27/04/2012 Armando A. C. Garcia
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O Rouxinol
O Rouxinol
Numa selva florida banhada de luar, Cantava o rouxinol numa noite estelar Parecendo inspirado no zimbório celeste Ou, enamorado da paisagem agreste
Despontava nos céus o raiar da aurora E, jovial o trovador cantava agora Como se despertado ao raiar do sol E houvera adormecido ao arrebol!
Seu gorjeio, como o arpejo dulcíssimo Pungido d'saudade sentimentalíssimo Como o choro de um amor, puro, cristalino Executado por um poeta ao violino
E não parava de cantar o trovador De exteriorizar o âmago de sua dor Para em cada trinado cheio de saudade Desprender um elo de sua felicidade!
Alando aos céus uma prece sempiterna Como pedindo a Deus pela alma materna Que naquela noite deixara de existir, Indo ao recôndito lugar do porvir,
Em busca da utopia, que só Deus Nos pode dar, bem no alto, lá nos céus! Em busca da paz, do reino da alegria Ao encontro do Rei do Universo e de Maria.
E naquele canto extraterreno exulcíssimo O poeta, rouxinol sentimentalissimo Cantou até quebrar de dor e pranto As fibras vocais de seu mavioso canto
E, todo exangue o rouxinol inda se ouvia Como num canto surdo, como de quem morria, Aquebrantado por aquela dor tão forte Até que tombou ao chão, vencido pela morte!
São Paulo, 09 de março de 1964 Armando A. C. Garcia
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A Poesia!
A Poesia!
A poesia retrata o amor A beleza a fantasia Lê na alma o valor Termômetro de nostalgia
A poesia é assim ! Cratera que afere o calor Espelho da alma, jardim Onde se planta o amor.
A poesia é o sonho Que retrata a realidade É o perfume bisonho Onde reside a saudade...
É o afeto, o carinho A eterna namorada No percurso do caminho Até à última morada.
A poesia é sintonia Com um plano superior Que rege com sabedoria O universo interior
É o aroma, o frescor De manhã primaveril É o frio, o calor O estopim o barril!
Vai-se a noite surge o dia Assim é a poesia Na mente inspira e traça Novo sonho, nova graça.
Tatuagem, o *estigma da **ignomínia Qual ferrete com que se marca o gado Infesta o ser humano, qual Paulínia E seu corpo, vai ficando ramificado
Mas quando o tênue retrato de teu rosto Carcomido pelas rugas da idade Sentirás pena, sentirás de ti, desgosto De ter cometido tamanha insanidade
De imolar teu corpo perfeito e sadio. O corpo que Deus te deu purificado Tu, o maculaste com o atavio Que ora adorna teu corpo requintado.
São Paulo, 08/05/2012 Armando A. C. Garcia
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- * cicatriz; marca; sinal - ** grande desonra; infâmia
Ao Tatuado:
O tatuador, tatuou tua carne Eu, tatuei tua alma
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Bate um vento atravessado
Bate um vento atravessado
Bate um vento atravessado Do frio que vem gelado Da cordilheira dos Andes O gado; do pasto é retirado O homem, fica todo encapuzado Tomando o seu chimarrão. Da cocheira os cavalos Não querem arredar pé Os gatos acocorados Na lareira, o fogo em pé Na cumeeira do telhado Só gelo a gente vê Mas eis que olho no prado Veja o quadro que se vê Uma criança descalça Congelada pelo frio Ponho polaina na calça Corro a tirá-la do frio. Aqueço-a na lareira Dou-lhe leite, pão café Indago-lhe onde mora Diz: além, depois da serra Morava com sua mãe Seu pai estava na guerra Mas porque sozinha estava Tão distante e desgarrada Ela então falou chorando Que sua mãe não acordava Cortaram-me o coração Esta palavras ditadas Cri então que sua mãe Já mora noutras paradas Acolhi a criancinha Dei-lhe estudo educação Como sendo filha minha Hoje, é minha proteção !
São Paulo, 09/09/2009 Armando A. C. Garcia
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CICLO DA ÁGUA
CICLO DA ÁGUA
Todos em ti deixam sua sujeira Mas tu, qual Fênix que renasce das cinzas Voltas renovada, purificada Cristalina a cada novo ciclo de vida
Podes ser sólida, líquida ou gasosa, Tua sublimação de sólida a vaporosa É movimento constante, na esfera. Estás nos oceanos, continentes e atmosfera
Porém está na evapotranspiração Tua maior afirmação de transmudação Passas à atmosfera pelo efeito do calor A cada ciclo hidrológico repetidor
Te condensas em nuvens de vapor Para a milhares de quilômetros dar vigor A plantas, florestas, cardos e roseiras Alimentas rios, mares, oceanos e geleiras
Penetras no solo, alimentas as nascentes Cursos d'água em todos continentes Deságuam nos lagos e outros no mar Ou criam aqüíferos singular
Ninguém obstrui o teu curso, és poderosa Escoas esbravejando na tarde chuvosa Em direção aos rios, lagos e oceanos És inconstante, levas vida de ciganos
Brotas de fissuras nas rochas duras Irrompes de entre nuvens magnéticas Que cospem línguas de fogo para a terra E o fogo apagas, esfrias a guerra
Tua força e dom é sobrenatural Mitigas a sede de planta, do animal És o prenúncio da vida renascida O poder o equilíbrio e a medida
Força suprema da natureza viva Que de ti nasce e se procria ativa És potência, vigor, força e energia És dilúvio, enchente e calmaria
Esperança do agricultor, seiva da vida Fertilidade e abundância de comida Nos organismos, matéria predominante Âncora que a vida leva adiante
Nas madrugadas em forma de orvalho Ou então caindo em lentos flocos de neve Qual manta branca na linha do horizonte Cobrindo vegetação, árvores e montes
Teu ciclo hidrológico se inicia nos mares Com a evaporação marítima sobes aos ares E os ventos te transportam aos continentes Em ciclos contínuos e permanentes
P'ra no caminho subterrâneo te infiltrares Nos poros das formações sedimentares Num processo contínuo e lento Como quando nuvem, ao sabor do vento
Crias vendavais, e inundações Transbordas nos rios, lagos e lençóis Só o mar acalma tuas agitações Por vezes encapelas ondas, dimensões
O processo de mutação pelo calor Que do globo passas à atmosfera Para renovar com viço e amor A natureza que sempre te espera
De teu potencial surgiu a roda dáágua, A máquina a vapor, a usina hidrelétrica O caminho fluvial, a caixa d' água Com participação em toda cibernética
São Paulo, 22 de março de 2006 Armando A. C. Garcia