Quando tudo nos parece paradoxal e estranho Com a banalização da morte, o bem da vida É de vital grandeza que o homem tente protegê-lo Criando regras que a prática de atos inúteis impeçam Crueldades degradantes e não que favoreçam, A legalização do aborto, ou a sua descriminalização. Revela, senão a ovação ao crime a indiferença à vida Injustificável conduta contra seres indefesos ao canho *
Infanticídio oficial, a tolher o direito de existir Na Lei Universal, são implacáveis assassinos Desde a mãe, aos obstetras disponíveis a essa prática Porque após a fecundação do óvulo, existe vida E como pode outrem dispor da vida alheia. Deicida ** Em matar com mais eficiência e destreza tática Sem o mínimo respeito à vida do homem e seus destinos O direito de nascer não pode ser tolhido ou reprimido.
Abrindo as velas ao vento Ao incógnito se lançaram Com fé, vigor e alento O alto mar eles singraram
Pequeninas Caravelas Por gigantes conduzidas Em alto mar de procelas Esperanças adormecidas
Lá na vasta imensidão Sobre ondas encapeladas Singrando o mar elas vão Por águas nunca navegadas
Em silêncio, a frota navega Dia após dia, sem cessar Até que um dia, à terra chega Já cansados de tanto mar
Onde as ondas tiveram fim Novas gentes, novas plantas E tudo estranho, enfim Não há igrejas, nem há santas
Tem uma flora exuberante Com recursos infindáveis Matas virgens, diamante Ouro e prata admiráveis
O esplendor da terra nova Na sua vastidão imensa Cheio de mistério, é trova - A praia, por recompensa
Ali aportaram por fim Cansados de tanta luta Chegaram os índios, assim Numa vergonha dissoluta
Deram-lhe quinquilharias Espelhos e outros mais E com essas ninharias Cativaram os demais
Foram assim conquistando Dos selvagens amizade Deste modo atuando Acalmaram a tempestade
Mas o índio, sempre arisco Por vezes se sublevava E para não correr o risco O pessoal, não vacilava
Os dias foram passando E estes formaram anos O Brasil foi caminhando Ainda hoje, há desenganos.
Porangaba, 31/03/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Tatuagem !
Tatuagem ! ...
Tatuagem, o *estigma da **ignomínia Qual ferrete com que se marca o gado Infesta o ser humano, qual Paulínia E seu corpo, vai ficando ramificado
Mas quando o tênue retrato de teu rosto Carcomido pelas rugas da idade Sentirás pena, sentirás de ti, desgosto De ter cometido tamanha insanidade
De imolar teu corpo perfeito e sadio. O corpo que Deus te deu purificado Tu, o maculaste com o atavio Que ora adorna teu corpo requintado.
São Paulo, 08/05/2012 Armando A. C. Garcia
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- * cicatriz; marca; sinal - ** grande desonra; infâmia
Ao Tatuado:
O tatuador, tatuou tua carne Eu, tatuei tua alma
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Acorda Amada ! (soneto)
Acorda Amada ! (soneto)
Acorda amada ! O sol está alto e global Não fujas da luta, do fragor terreno O mundo te espera sempre jovial Acorda amada desse teu sonho sereno
Eu te espero à sombra dos pinheiros Como o levita, que medita a voz de Deus Escuto na azenha a pedra dos moleiros Enquanto aguardo a luz dos olhos teus
Levanta-te pois, ó minha doce amada Já o mundo inteiro está na caminhada E eu, aqui prostrado, espero o teu aceno
É tempo de amar ! O dia é lindo e pleno De tanto esperar meu peito desfalece ... P’ra só reagir quando tua imagem aparece
São Paulo, 13 de março de 2008 Armando A. C. Garcia
Da afeição que eu tanto confiava No amor que tão desejada era Traição tamanha, jamais esperava Quão grande a flama que em mim ardera
Enfim, só quem ama sabe, compreende Que aquilo que se quer e se deseja Há sempre alguém que sem pelejar contende Tão suspeito, que em curto tempo se não veja.
As lágrimas míseros dos dias sofridos D’ amor qu’ teve começo, nunca teve fim Foram prelúdio de jogador vencido Que, na ordem do destino foi traído
A lealdade das juras já negada No amor que sustinha não renova Infestam a alma e a vida subjugada Como lhe convinha, seu peito aprova !
De minha alma verteram lágrimas Que meus olhos por ti, não puderam chorar De meu coração suspiros e ais Que minha garganta ocultou dos demais.
A vida inteira sufoquei a paixão Que tua renuncia em mim provocou Experimentei o amargo da desilusão Que o despontar da vida me tramou...
Hoje, estás arrependida da traição Tenho certeza, o sinto no coração ! Porém, é tarde demais, tudo passou... Exceto a certeza da dor que me causou.
São teus olhos que hoje vertem lágrimas. - As dores que sentes, das minhas, nem são primas Por mais que redimas teus ásperos pecados, Nunca chegarão às ameias do meu fado !
SP 24/09/2005 Armando A. C. Garcia
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Meu Anjo !
Meu Anjo !
Foi Deus que pôs você no meu caminho Qual fogo que inflama a lenha e me aquece Sublime tua guarda e teu carinho Tua mão me susteve e me engrandece
Alargaste horizontes em minha mente Que alegraram meu coração e minha vida Meu Anjo, honra-me eternamente Não deixes que eu me curve à fantasia
Guia-me a verdes pastos e águas mansas Onde habitarei na casa do Senhor Cantarei louvores de amor e esperança À glória de Deus, ao Grande Criador
Escuta minha voz, ouve meu clamor Livra-me de abismos e de injustiças Meu Anjo, intercede ao teu Senhor Que afaste de mim invejas e cobiças
Minha alma se sustenta em ti, ó Deus! Tu és meu Rei, a Glória, a Majestade Meu refúgio, a fortaleza nos céus A mansidão, a justiça e a verdade
Tu, que criaste a terra, o céu e o mar Deus poderoso de perfeição e amor Não deixes nunca a esperança acabar No que crê, com pensamento interior
E confia na tua misericórdia E em tua glória sobre toda a terra Afasta-o da víbora da discórdia Tu, és a esperança que sua alma encerra
Bendito sejas, ó Anjo que iluminas Meus passos nas sendas desta vida Bendito sejas, ó Anjo que me ensinas A abrir o coração e dar guarida.