ainda bruta a paz labuta em todas as guerras que a lutam
bólides e bulas de acordos e rusgas canhões pacíficos da mortal disputa
marcos e marcas de monetárias alças dos fuzis comprados com o suor da massa
e assim adredemente difusa nas entrelinhas do mundo a paz abandona todos pelos caminhos de tudo
62
Da vivência e seu caudaloso rumo
admito a vida é só um exercício há que tê-la no próximo e vivê-la num ônus coletivo
a razão de sofrê-la é só um indício de tangê-la sozinha por descaminhos e ritos
admito em tudo que se explicita viver é só um espetáculo da construção coletiva
ao homem cabe apenas arrumar o jeito da vida trazê-la nas cachoeiras dos rios em que desliza e desembocar nesses mares dos mundos de onde grita
116
Das humanas contrações do sentimento
humano deixo-me estar amando simples usina e chama daquilo que sonhamos
do coração aos pulos pula a razão todos os muros
e usineiro de mim amo o povo e a amada com todos os laivos da urgente madrugada
66
Resenha dos 69 em idade e volição
aos 69 tanjo o tempo e a liberdade com a simples compreensão de que sou tarde mas trago ainda nas mãos a chave exata da vontade
o resto é remar a vida nos barcos em que me caiba
84
Marítima locução de ondas e viventes
quando rola na praia no colo de suas ondas o mar apenas discursa os ventos e suas sombras
é que no leito, deitado, dessas areias e pedras dá-se como resguardo destas grávidas terras
e transmite ao vivente esse desejo fugaz de inventar todas as ondas dos mares em que se traz
e ao homem resta ser o mar das ondas todas do que faz
119
Da divina inclusão dos viventes
e deus na sua inexistência desgoverna o mundo em contritas avenças como se fora exata sua liquidez e permanência
tudo que lhe delata é uma breve consciência e a necessidade urgente de conformação e paciência
e dobram os sinos da vida na procissão do que se pensa
103
Pensar em debandada marcha solene
a razão é só um disfarce que a verdade intromete nas nervuras do fato
joga a palavra em sonoras teses como co-autora do que a vida tece
pensar é um caminhar solene naquilo em que, humano, se esquece
136
Coach e compliance em frugal demanda
cheia de coaches a vida estremece em compliance estado do que a tece o cifrão das esquinas, adredemente estabelece: todas as vidas renderão suas preces e os juros serão dos poucos que cogitam em números o que exercem
aos tantos resta a fome dos construtores da messe
77
Das mundanas matanças em revista
Auschwitz insiste em declarar-se presente na monetária hemoptise e os privados pulmões vomitam a mundana crise
tudo que lhe tange é a notícia de que o sistema cogita à vista permitir-se matar os homens como avanço da estatística
e o mundo embarga o futuro nos autos do processo absurdo
107
Do perdão em rasa cena
e na mente as pegadas da culpa inventam os atalhos em desculpas tudo que é vontade da-se às escusas da liberdade grávida das escutas
o favor do perdão é só uma bandeira difusa que tremula a palavra como um gesto de luta
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.