AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 582 Visualizações

Poemado

nas ruas do verbo
o poema é praça
onde o poeta sonha
descansa a alma
ruminando o mundo
em sua plástica
o poeta cavalga
montado na palavra
os tempos do poema
ardem na mente
os pedaços de tanto
que o poeta sente

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

436

Vias do amor

o amor do poeta
dá-se ao verbo
como a rua inteira
do seu interno
é que conte-lo
como contrito
afronta a condição
de infinito
todos os palmos desse tanto
cabem assim desgovernados
ávidas enchentes do poeta
nos rios verbais de sua saga

 

42

Vales da vida

 

tudo vale tanto

quanto aquilo

que se canta

tudo vale tanto

quanto aquilo

que se luta

tudo vale tanto

quanto aquilo

que se ama

viver é habitar unânime

as veias dessa trama

26

Tons de gente

 

a música

passeando o tempo

inventa ilusões

bemóis esvoaçantes

no pensamento

notas entrelaçadas

naves insurgentes

inventam um cosmos

compassadamente

na memória

como uma dança

o homem compõe

os tons da lembrança

24

Construção da vida

que o novo tempo

assim construído

esteja combatente

no vão dos sentidos

como aval de todos

nos braços do infinito
 

na humana saga

passeando cada curso

a luta caminha o mundo

debruçada no futuro

32

Citadinos pássaros

 

o pombo

um tanto distraído

voa os olhos do homem

ao redor da vida

na praça

habitante astronauta

o pombo guarda o tempo

no vão das asas

pássaro

nem se dá conta

dos ares que joga

nos humanos que ronda

o pombo dança

as horas e a paisagem

desenhando a praça

nos ombros da cidade

32

Anonimato

 

compulsória

a matéria insiste

em deixar-se apócrifa

nos tempos que finge

dada a si

sujeito e objeto

cria ilusões

em seu trajeto

o homem

nas lacunas da vida

introjeta no tempo

suas investidas

assim dado à liberdade

rumina o pasto da verdade

21

Andanças

 

a história

posta no jogo

belisca o tempo

nas vias do povo

veias abertas

incitam o curso

concussão andarilha

do futuro

os homens

armazenados na vida

dão-se aos mercados

de suas trilhas

o mundo caminha a si

na matéria que consiga

60

Materna camarada

 

a mãe

recrutada

misturava o partido

no vão da alma

haver-se filho

quanto camarada

debulhava a vida

congênita batalha

o futuro

fingindo suas trilhas

dava-se a passos

gestos de família

26

Certezas e dúvidas

 

minhas certezas

como fábricas

produzem as dúvidas

onde as acho

inexatas

dão-se à volúpia

de cercarem dúvidas

no vão da luta

minhas certezas

soltas pela vida

cumprem-se de tanto

quando coletivas

repassa-las aos braços

vias da história

é construir o tempo

nas veias da memória

23

Poeminha em jurídica rima

 

exarada a sentença

nas ações da vida

permitam-se os embargos

que o homem decida

os que infrinjam a decisão

os que soletrem suas sílabas

nos tribunais de si

intensamente culposo

enfrente-se como único

a condição de povo

coletiva jurisdição

matéria em que se coube

29

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado