Auto da matéria errante
o homem
é um quase jeito
da natureza brincar
de conhecer-se
e nesse trânsito
deixa-se intrusa
e parte de si
em grave fuga
tudo que a deixa
nessa auto disputa
desinventa o espaço
nos tempos da luta
Caminhada em passos voláteis
os passos,
nos ombros do tempo,
dobram o caminho
no pensamento
a estrada,
mastigada na paciência,
tange a paisagem
pela consciência
o destino é só um perto
para ludibriar os longes
como manifesto
Das fugas de mim
nunca escapo
dos tempos em que me escondo
e me acho
fugir de mim
é só um escape
que o ego transita
entre mim e a verdade
no tempo que habito
deixo-me à vontade
da dialética moção dos fatos
a tese,
posta em fato,
entorna a manhã
em desacato
a antítese,
em tempo corrente,
anoitece a manhã
adredemente
abundante,
em grave alvoroço,
a sintese faz-se nova tese
nos braços do novo
Olga Korbut em voo
elástica,
Olga arquiteta
todas as curvas
no colo das retas
o corpo
viajante dos ares
adormece o tempo
no vão dos olhares
Olga inventa seus voos
como uma lúdica chama
que inventa seu corpo
como uma tocha humana
Pelé em campo largo
a bola,
vagando na tarde,
sonha Pelé
nos ombros da saudade
o povo,
grávido de sua lembrança,
alinhava pelo tempo
sua eterna dança
Pelé,
agora encantado,
vive no colo do mundo,
ainda majestade
pequena dialética dos quantuns
a quantidade,
em matemático alarde,
entorna-se outra
nos braços da qualidade
íntima de números
da-se à postura
de somar-se em unos fatos
para novas urdiduras
o tempo é só um enlace
da mudança em que se atura
tudo que se soma
descamba em nova curva
o futuro é só uma soma
dos números que apura
Noturno versejar
o poema estende,
à noite, por insistência,
todas as palavras
no varal da consciência
o poeta, confuso,
estende verbos
como resistência
a todos os seus muros
solta, já nos ventos,
a palavra nem percebe
que constrói alegrias
nas tristezas que consegue
Natureza em pensantes gestos
as mãos
semeiam as palavras
como as bocas
gesticulam seus abraços
tudo é apenas um modo
do homem espalhar-se
natureza ensimesmada
cada homem acontece
quando desembrulha seu peito
nos tamanhos que consegue
e flui das mãos e da boca
como um manifesto adrede
Temporal de vizinhos marcos
o amanhã
grávido de ontens
é um porvir de vizinhos
um tempo defronte
trazê-los unidos
no vão dos atos
e deixar pelas horas
todos os recados
o tempo é uma brincadeira
de armar nossos fatos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.