Minha terra
O céu da minha terra
tem um jeito diferente
é assim como se o tempo
quisesse brincar com a gente
e derramar pelos olhos
uma certeza urgente
Ventanias
dentro de mim
há um vendaval em curso
que venta pelos dias
todo meu discurso
traze-lo controlado
no vão da vontade
é leva-lo abraçado
no vão da liberdade
os verbos soltos ao vento
inventam a paz pela alma
Das lonjuras volitivas do horizonte
o horizonte
posto na memória
deixa rastros do futuro
pelas córneas
escreve paisagens
nos sonhos que invoca
tê-lo viajante
pelo vão dos olhos
é fazê-lo constante
nos braços das horas
o horizonte é um sonho
grávido de demoras
acha-lo assim longe
é construir em tudo a história
Do poema em forma
o poema
pode ser complexo
inventar enredos
e palavras textos
consumir estrofes
desenhando verbos
e dar-se ao mundo
em varal moderno.
o poema
pode ser humilde
nas gramaturas do que diz
da vida que comenta
traçando retratos
nas palavras simplesmente
como se fora enredo
daquilo que se sente
dos arquivos em humano firmamento
nas nuvens
o arquivo agita
todos os bites
no vão da vida
a lógica
trânsito incauto
deixa no peito
um céu descampado
o dispositivo humano
jaz interditado
tudo que lhe move
é um mouse quebrado
Das avenças coletivas do caminho
deixo-me em mim
quando parto
e o destino no outro
é meu compasso
a vida é esse trafegar
na correnteza dos passos
o coração molhado na razão
é só um jeito do recado
em dar-se, assim coletivo,
às recorrências humanas do fato
Faminta exação das horas
rasa,
a manhã suporta
um pouco de carne
ao redor dos ossos
como se fora um grito
grávido de revolta
o homem, apartado de si,
como uma gaivota,
voa sua fome
em todas suas portas
a cidade nem pressente
as ruas que choram
Etária constatação em vagas
assim em riste
como cicatriz do tempo
a vida sempre gira
como um catavento
as voltas que dá em si
nas curvas do pensamento
a vontade da razão
espalhada nos atos
inventa os ventos que pode
esparramada nos braços
o tempo é só um distrato
da eternidade do espaço
Da coletiva razão do povo
a construção da vida
e dessa condição humana
são atos sempre de todos
são fatos de grave chama
nada das gentes
dá-se como exclusivo
tudo é pleno do povo
nas ondas de seus gritos
os que acordem o mundo
os que chamem o infinito
tudo de dize-lo tanto
é tê-lo sempre coletivo
Sapateiro em militância
o sapateiro
engraxando a vida
dava-se ao tempo
como comunista
e nesse ímpeto
ao ter-se liberto
construía sapatos
e alguns panfletos
Chico do Baita
inventava em tudo
as andaduras fartas
dos calçados do futuro
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.