a poesia tramita na palavra montada, nos verbos dizentes, e na matéria insubmissa é como se fora um barco à uma adrede deriva, navegando os mares de quem sabe as ilhas, que atraca o peito do homem no porto urgente da vida
a poesia é armadilha das coisas que adivinha e joga assim pelos sentidos suas fartas entrelinhas
84
Das imaterialidades e dos jugos
nada é absoluto, há vários nadas no tudo apenas a vida se infinita pelas estradas do mundo.
ao homem cabe apenas viver a longo curso distribuídas suas verdades nas inconstâncias de tudo.
153
Das medições dos olhares
Os horizontes nunca terminam a gente é que esquece a régua e as medidas de trazê-los sempre ao passo da vida.
Na verdade contra os destinos o horizonte é só mais um passo a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa de réguas comprometidas com os freios que se criam nas andaduras da vida
só ao povo cabem os horizontes medidos pela certeza de que todos cabem nos seus sentidos.
127
Da crise em galope
tudo avança o pensamento é que recua sua instância a sela da crise é montaria e alarde de quem atiça no peito as esporas da vontade.
100
Dos populares folguedos da esperança
o povo dança todas as vias da esperança e nas veias avança o sangue imaginário do que planta o desejo é só um dardo que atropela o fato em raso desacato como se fora íntimo de futuros largos resta a praça e a vontade intensa de aboletar-se inteiro nos desvãos da paciência.
147
Do Rio Capibaribe em capital desídia
Na palafita o rio bebe a injustiça e do arranha-céu assim à vista os homens pagam a vida em parcelas da dívida o futuro apenas regurgita nos ombros da notícia os juros alfandegários que escorrem na avenida
73
Da ordem gramatical do ego
concreto deixo-me estar subjetivo e publico a feição dos atos em que me adjetivo
abstrato em lúdicos ofícios largo-me presente e me substantivo
a gramática de mim é quase um comício
96
Dos cangaceiros verbos da noite
no Raso da Catarina o poema laça o cangaço e o verbo procrastina todas as vias de fato
o cangaceiro nos ombros do verso joga-se inconformado ao encontro do verbo
e o poeta na sua baldia gesta tenta resgatar os fuzis das palavras que emprega
123
do eu lírico e das sintonias futuristas
a palavra e seu dilema: como não ser idéia no poema?
a palavra e sua norma: como só vestir-se da forma?
a palavra enorme decreta no poema sua lógica basta vê-la displicente nos verbos que informa
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.