Da caatinga em clara jornada
a caatinga, assim paisagem, pedaço da pátria recolhida, revolve em si militantes das longas curvas da vida e nesse dar-se à vista como sobrevivente constrói um jeito de si nos olhos de quem sente a caatinga é um morno abraço alinhavado em seus viventes
Verso em meias medidas
o verbo dói o verso na frase súbita do inverso daquilo que a palavra é um fato desconexo da simplicidade da fala da cumplicidade do universo o infinito ainda cabe assim contrito nos tons que o verbo leva consigo
Palmares em futuro gesto
o homem com a África na face debulha a memória dos vincos de Palmares navegando risos Zumbi projeta todos os futuros em que se gesta o tempo é só um detalhe nos caminhos da espera
Da matéria em largo trânsito
na curva da existência em ensaios lúdicos a matéria transborda seu destino público vaza transformações como um meio-fio largo e enche de emoções as mudanças de seus átomos ao homem resta comemorar a virtuosa leveza desse fato
Afazeres egóicos em lances
o ego é um descompasso entre o público e o privado tudo que navega é um mar revolto e a estranha mania de dizer-se em alvoroço transitar as regras do mundo nessas ondas do tempo, no trajeto intenso da vida, é arrumar-se por dentro.
dos encômios do futuro em nação corrente
em cada abraço haverá a certeza de que a paz inteira abraça a natureza em cada homem haverá a medida da nação humana construindo a vida e nos ombros do tempo pousará uma nave infinita
Amazônica incursão
o Amazonas deitado na mata finge ser rio nos mares que desata lambe o mundo em sua plástica desenhando nas águas sua ânsia de astronauta o Amazonas é só um militante de todas as pororocas nada do que lhe atinge cerrará imune suas portas
Gerência das horas em largo riso
quando a noite vier que o tempo salte como um pássaro cantante nas rugas da face e deixe-se errante pelos risos que nascem de todos os rompantes que a vida grasse o acúmulo de horas é apenas disfarce de quem ri a história pela própria face
Lago dos cisnes em detalhe
no palco, desarvorado, o cisne cambaleia as curvas de seu fado suas asas, naus amarguradas, voam todos os voos dos bemóis em que se cala e de repente, o cisne voa tanto que a bailarina desmaia e deixa os sonhos do povo voando pela sala
Temporais divagações ensimesmadas
será o tempo só um conceito do espaço não medir-se no eterno do seu jeito? assim posto corrente nos ombros claros da luz chega a perder-se lento no espaço que o conduz o tempo é só um distrato posto assim à contraluz
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.