das ruas nuas do povo resvalarão angústias e uma urgência do novo vielas dar-se-ão avenidas estendidas em escombros nos ombros da vida
das ruas grávidas do povo rebentarão placentas e a luta entornará futuros como se fora uma usina no paciente desmoronar de todos os muros.
132
Dos Andes de mim e adjacências
os Andes que trago em mim nas veias e nas vias ressoam pelas matas destravam avenidas nesse pulsar intenso das mortes e das vidas
das montanhas de mim que escalo adredemente nos aconcáguas que trago nas encostas da mente de onde desaguo latino na exata cachoeira desses rios em que subverto as razões de todos meus desafios
98
Das individuais igualdades do todo
comum, deixo-me diverso pelo diferente que nem somos nesse humano manifesto que nos faz parecer um na singularidade repentina de quem individua o todo na igualdade coletiva que teima em ser diversa apesar de incontida
é como se fora um verso na crônica exata da vida
100
De la vida y sus camiños
y la patria siguirá jugando el juego de la vida Maradona
y para el pueblo siguirá el sueño de darle gol a su dueño
79
de Zumbi nos largos da luta
no meio de tua lembrança haverá viventes construindo a esperança com a faca nos dentes e nas entranhas da vida e nas encostas de tudo as fagulhas de teu grito rasgarão os absurdos e falarão da manhã nascente nas correntezas do mundo
74
Dos índios saberes como tikuna
quando faltarem pernas serei tikuna e caminharei todos os passos dessas ruas quando faltarem olhos serei tikuna e enxergarei os futuros nos ombros da luta quando faltarem verbos serei tikuna e inventarei as palavras e as razões de tudo quando me faltar serei tikuna e celebrarei a vida solto no mundo.
155
Do poema em franca sintonia
ao poema dê-se o sentido de semear recados pelos sentidos e nessa inflexão entre o verbo e a carne nesse contrato lírico dê-se a combustão de todos os comícios: aqueles mais da alma e os subversivos.
113
Da renitência da vida
nasço, às vezes, assim como um futuro antigo das coisas de mim e quase nem me esqueço dos passados futuros que na vida teço
113
Da negra condição da liberdade
negra a pele ausculta o falar do peito que o sistema anula e assim na rua inaugura os gestos das palavras em que os passos fluam montados na realidade dos corcéis das lutas
e como grávidos serão os futuros nas madrugadas escuras!
65
do mundo em gestão perene
o mundo deita os dias com a certeza inata de que é um tempo largado no espaço com a conivência das horas e a permanência dos braços
e os andaimes montados desses viventes em romaria são sonâmbulas passeatas de inventar alegrias
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.