Geometria em humanos ângulos e retas
os ângulos guardam incautos as retas subjacentes que lhes impedem os saltos adormecidos em retas, os raios, hipotéticos, adormecem nas curvas dos seus hemisférios o homem resiste aos traços nas curvas militantes do cérebro
Sistemática disfunção da conjuntura
a tração do lucro em sucumbência grava o gosto da sorte no imo do sistema o aval da exploração em frenético abuso dobra o peito humano na insolvência do seu custo o sistema é uma trave imensa engasgada com o futuro
Vívida moção da igualdade
a vida nunca é concurso e barganha do futuro que possa medir em graus as melhores notas do seu uso vivê-la farta e inédita é só a adimplência de quem posta todos os créditos nas contas da consciência a vida é um curso coletivo dos rios de quem a entenda
Burocrática vazão das estatais moendas
sentado na vida entre numeros e teclados a monotonia em ondas calcula o funcionário no mister difuso de fingir-se isenta a burocracia decreta sua consistência o funcionário é só uma peça encravada a pulso na moenda
Da cobra em ritmos e jornada
a cobra, como um rio, escorre o corpo em campo no descampado urgente do seu desafio inconstante no seu arbítrio flutua como possível o caminho ondulado de seus passos invisíveis a cobra é um trem complexo nos trilhos exatos em que vive
Das mágoas em controversas lâminas
as mágoas, como cicatrizes, rasgam a solução de todas as crises deixar-se atento às alheias culpas é alinhavar-se frágil à disputa nada como apagar as intempéries da luta
Das andanças do homem nas frestas do tempo
o desejo célere e isento mede o homem e a vida nas estratégias do tempo a paisagem de si como um relato é só um discurso solto no espaço dar-se ao universo é a construção do fato de que o infinito cabe em qualquer abraço
Do vagar do povo até a consciência
nas costas do tempo o povo guarda em ondas nos caçuás da vida léguas de esperança o futuro é arquitetura dos deuses que inventa como um sujeito intruso dos edifícios que intenta a razão é só um fio enrolado na consciência
comícios e versos em flutuante norma
no comício embrulhada no discurso a palavra é pedra de corrente uso no meio do poema debruçada na estrofe a palavra é um jeito ornamentado de parecer revolta no comício e no verso como um astronauta a palavra abraça os cosmos que se tem na alma
Das pororocas do peito em anais vigentes
a história debruçada na mente escorre os fatos como uma corrente tudo que lhe contesta é um verbo inconsequente as corredeiras da vida quando em rios dizente traça todos os rumos das pororocas da gente desembocar no futuro é trajeto de quem sente
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.