AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
310 716 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

30

trilhos e trilhas

o trem
preso aos trilhos
é um disfarce exato
do arbítrio
tudo que o leva
é um rumo definido
os atalhos possíveis
são apenas indícios

às humanas locomotivas
dos trilhos postos da vida
cabe criar atalhos
em todas as suas trilhas
23

Transeunte da vida I

saindo claro da foto
dou-me, assim, à deriva
nesse terçar o tempo
para abraçar a vida

16

Viagem

parto de mim
frequentemente
nos palcos do povo,
nos vincos do tempo

resto em mim
tão fortemente
nas manhãs que singro,
como outro, pelo tempo

estar chegando em mim
é estar partindo sempre
14

Da vivida volição dos tempos

decrete-se a vontade
na construção da vida
nave que o tempo voa
em todas as investidas

dize-la assim astronauta
sob a rédea dos ventos
é trama-la como pássaro
nas asas do pensamento

o mundo nunca descabe
da correnteza viva do tempo
27

Versos em larga complacência

o verbo
salpica a vida
nos confins que tange
em tudo que diga

montado em verso
dá-se mais ao arbítrio
de parecer infenso
aos alvoroços da vida

em verdade o verso discursa
a prontidão de todos os gritos
os que o dizem só na arte
e os que o levam ao infinito
13

O grito e seus informes

o grito
é incontinência
presa solta
da paciência

dói, nos atos,
como fardo casual,
estilhaço de verbos
em decúbito vocal

o grito discursa o alvoroço
de verbos reticentes
que esquecem nos fatos
os braços do que sente
19

Matemáticas lides

matemático
o número sabe
desfazer-se de si
em negativas marcas

quadradas
as raízes
operam razōes
em seus limites

meus números
apenas dizem
os quantuns de mim
que ainda vivem
16

Fluvial demanda

o rio,
abraçado às margens,
rasga o ventre do mundo
tangendo a paisagem

tudo que lhe corre
é só um tempo
de tornar-se mar
nos ombros do vento

os rios de mim só(correm)
todos meus pensamentos
tange-los ao mar
é paisagem recorrente
17

Temporais acasos da vida

quando manhãs
as noites que sinta
ria largo do tempo
e seus labirintos

deixe-se no espaço
dos futuros que possa
voe as tardes nos olhos
como intensas gaivotas

tudo que abraça a vida
é só um descuido das horas
16

Dragão do Mar

Chico da Matilde,
vestido da história,
construía o tempo
no alvoroço das horas

dragão do mar,
dava-se à simetria
de ter-se humano
nas áfricas que vivia

tudo que era o futuro
em suas mãos já vivia
21

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado