Peregrinas idéias
o caminho
não está nos passos
habita a idéia
em seus contratos
como discurso vindouro
posto nos fatos
andar é só compasso
laço do futuro
que a idéia prolata
nos contornos de tudo
embrulhado na vontade
no colo do mundo
Do mundo em individual minúcia
não me iludo
tudo que me instaura
é o mundo
deixá-lo a sós
pelo futuro
flagra a ilusão
de novo curso
o mundo é matéria
nós somos seu discurso
trazê-lo abraçado
é condição de uso
voos temporais da vida
como fumaça
a idéia voa
solfeja verbos
a vida sonha
como fora manhã
a noite toda
o tempo gravita
como um pião infante
brincando de criança
surfando o horizonte
Pelejas em humano campo
gandula do tempo
busco as horas
como garimpo militante
da história
remoendo a vida
nesses rompantes
de perscrutar os ventos
estampados no horizonte
o jogo da vida
espalha no campo
todas as razões
de ser humano
geriátricos momentos
o tempo
nunca é novo
há sempre memória
em seus ombros
desejos já postos
nos passados sonhos
o tempo
é só um aviso
das relativas poses
do infinito
Da vindoura lavra
lavre-se a cena
do pretenso futuro
nas estradas dos braços
nas enxadas do mundo
como se fora um grito
nas gargantas de tudo
a matéria
em larga complacência
dá-se às aventuras
de todos seus inventos
como bandeira içada
nos ombros vastos do tempo
Dançarina energia
terreiro de mim
o coração é gira
de tudo e de todos
ao redor da vida
cantando os tambores
em reza infinita
a matéria urgente
arrepios da energia
joga o mundo na roda
numa dança consentida
Das memórias do vindouro
a memória
cheia de futuro
tramita o passado
em novo curso
dá-se ao novo
certa petulância
remoendo os fatos
em sua militância
a memória é quase arma
dos futuros em que se planta
Laivos do futuro
meu bloco
é da surdina
nos passos mudos
dos fatos da avenida
frevo do povo
grito da vida
sonho das ruas
veias e vias
carnaval do tanto
como será em tudo
no desfile coletivo
das fantasias do futuro
Quilombo em rasa cena
no quilombo
ancestral em tudo
transita a história
nos vincos do mundo
a forja humana
nas Áfricas que lida
inventa as manhãs
no vão da vida
a matéria apenas navega
nos vãos do tempo
a extrema liberdade
dos seus inventos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.