Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o vento
cortava a carne
armando o tempo
pela face
Leningrado
deitada nas ruas
urdia pela vida
as veias da luta
o jovem
montado no sonho
escrevia em si
todos os futuros
a bailarina
finge a vida
voando em si
pássara notícia
seu rastro
cosmo contrito
infinita os olhos
nos passos que habita
a bailarina
enganando o tempo
inventa saudades do futuro
no pensamento
só caibo em mim
quando todos
necessidade inata
de ser povo
vivo em mim
quando sempre morro
nos gestos gerais
em que me ouso
laço indivíduo
do múltiplo
porto e precipício
da construção humana
em seu conforto
viver só em mim
é muito pouco
aríete da vida
a vontade luta
em todas as vias
em que se discute
lança voraz
da circunstância
dá-se ao fato
como instância
ao homem
posta a vida
deixe-se tê-la
consentida
a razão
arrasta a vida
como um furgão
em comitiva
passeata de sinapses
comício construído
dá-la corredeira
na coletiva saga
vive-la conduto
do que se arma
a razão vira o tempo
quando salta
o roldão da vida
assim consumido
dá-se ao mundo
no vão dos sentidos
sua usina
posta na vontade
alinhava o tempo
nas brechas da liberdade
o roldão da vida
é a construção
de quem se cabe
a palavra
quanto fala
grava a vida
grávida
curso verbal da alma
a palavra
quanto arma
grua da luta
grau da lavra
veias do fato
instaladas
no muro da escola
na fuga das aulas
o jovem arquitetava
as vias sonhadas
as que o tinham em terra
as que o diziam astronauta
os desejos do tempo
apenas confirmavam
os sonhos medidos
com a militância da alma
nada do que tramava
era matemática
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.