Pseudo soneto da verdade
assim que esteja composta
no escaninho do tempo
a verdade esteja posta
nas brechas do pensamento
solta assim em si mesma
à procura de escafandro
a matéria sinta-se presa
ao que a tem de humano
e forje os imensos recados
trançados todos os dias
no labirinto dos passos
na balbúrdia das medidas
que a matéria se encomenda
na trajetória infante da vida
Futuro em memória
lembrar do futuro
grave exercício
consciência posta
no rastro do infinito
balança a lembrança
da vontade presumida
viés do concreto
etérea comitiva
dos desvãos da matéria
nos alinhavos da vida
o futuro é só um abraço
dos horizontes que precisa
Reminiscência VI
nas pedras
o mar de Olinda
jogava os sonhos
as ondas do menino
como se fosse marinheiro
das largas forças da vida
o mergulho arquitetado
era precoce investida
dos futuros da luta
adredemente consentida
Plural estada
estou em mim
quando me perco
o outro é o fim
do meu começo
minha garra
é o exato indício
da urdidura de todos
quando coletivos
puxar-me do tanto
dado ao único
é só um trejeito
da matéria no mundo
Os (g)ritos de gente
o tempo não para
em sua insistência
de criar pelo homem
o vão do poema
os verbos transitam
no pensamento
atiçando no poeta
tudo que sente
e essa mania
que a vida inventa
de despejar pelos olhos
a consciência
Da fruição do sonho
varanda dos olhos
quanto paisagem
sonhos posam desejos
incontinência da vontade
tudo que desenham
quando em atos
do escaninho da mente
caem nos braços
trazê-los à solta
nas ruas do mundo
é fazê-los habitantes
dos becos de todos
Contratos
o poema
contrata a palavra
em seus indícios
rastros da vida
em pretenso rito
o poeta
contrata a si
como refúgio
dos verbos que remoem
seu discurso
Contr(ato)ito
sentir o mundo
é coletivo contrato
entre o rumo do olho
e a constância dos atos
vestir o tempo
pelos sentidos
tê-los em trâmite
construído
o mundo pulsa na matéria
saliências do infinito
Degraus da vida
viver a vida
como futuro
é adiar-se no tempo
em magro curso
o vindouro
duro exercício
é recorrência das mãos
pertinácia dos sentidos
construção assim humana
condição de tê-lo coletivo
Lembrança IV
boiando no rio
o menino voava
dando como pássaro
tudo que sonhava
mansa corrente
penteava a vida
ajustava a paisagem
nos olhos à deriva
a natureza
sexto sentido
espalhava no tempo
o gosto do infinito
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.