Paisagem matutina
e do azul desse céu que enquadra os edifícios é já de ver-se a manhã que sorri pelos sentidos como se ao homem coubesse inventar o infinito
Do amor em caminhada
por essa rua grávida de caminhos todos os meus nortes eram teu destino viajante de mim pus-me a passo inventando o ninho dos teus braços
Onírica medição da vontade
o sonho, debruçado na vontade exige ter apenas um quê na realidade o trajeto onírico é sempre vasto sobram algumas léguas das medidas de fato construi-lo assim como tanto é a exata proporção de ajustá-lo
Geometria em lapsos
as retas tem-se em curvas na inconstância de quem as usa a geometria, avulsa da vontade, dilacera as prontidões das urgências em que cabe permanecer corrente na vida é só uma curva de quem sabe
Do amor em aval construído
nada do que antes seja tarde será depois do tempo em que se arde o amor urgente é só a chave da construção maior de todo seu alarde a argamassa do afeto dá-se sempre ao compasso das esculturas que a vida constrói em seus abraços
africana postura de pés e almas
a dança, negra, pulsa a África continente largo da vida e da alma nada do passo é assim contrito em cada salto há um infinito os que nascem do peito os que cavalgam os gritos
Jornada temporal em escala lógica
as manhãs nunca são baldias sempre há um fato nos ombros do dia arrumá-los, aos solavancos, nos degraus da memória é só um jeito do povo de espalhar-se na história ao futuro cabe decretar-se nos atalhos em que se mostra
da placidez tonitruante
o silêncio nas ruas do pensamento pesa como um grito alinhavado nos ventos é que a mudez do verbo traz pedaços da vida e os envolve de nós mesmos nas cicatrizes sentidas o silêncio é um rompante infenso a medidas
viveres em unidade alheia
viver é quase sempre esquecer no outro o que se sente estar uno dono de sonhos é contar-se outro como patrimônio a unidade de mim tem um quê de abandono
Manifesto dizente de razões pulsantes
a energia, urgente, orixá tão distraído, tropece plena no tempo e espalhe em mim o infinito aqueles que eu consiga e os que eu nem sinta pelas curvas do ego pelos ombros das avenidas e assim num jeito manso entorne o universo pela vida
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.