Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
de tanto estar no tempo
agora dou-me ao espaço
de tramitar pelas horas
os infinitos que guardo
os ávidos da lembrança
aqueles em que ainda caibo
o viver dessas distâncias
nos palmos dos sentidos
soletram as léguas do mundo
nos alfabetos da vida
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
na Estação Aeroport
Moscou pulsava
todos os metrôs
das ferrovias da alma
a face do futuro
era estrada tanta
que o jovem o caminhava
como lembrança
a neve gelando o tempo
no colo manso da tarde
era só um abraço
da soviética saudade
a Ladeira do Maribondo
era um Everest íntimo
jogado no nordeste
e nos olhos do menino
subi-la era exercício
de dize-la incauta
em duvidar da sanha
do sonho astronauta
a ladeira, reticente,
na lama que guardava
deixava-se barreira
dos esportes da alma
resumo militante
das Áfricas vividas
o mundo escreve a matéria
na humana lida
assim derramada
nas cenas do tempo
inventa razões
pelo pensamento
contê-la abraçada
nos vincos da vida
é respira-la invenção
das almas que consiga
o porvir
há de pôr-se atento
em deixar construir-se
como oficina do tempo
ferramenta humana
dê-se a matéria ao rito
de consumir na luta
os gestos do infinito
a construção do futuro
deixa rastros em tudo
o sol tangia luz
pela paisagem
como um grande pincel
avivando a madrugada
o menino
apressando as horas
espantava o sono
da memória
o mundo e o tempo
eram os sítios
onde vivia infante
seus infinitos
nos olhos
como corrente
a vida puxava
o horizonte
o menino
assuntando o mar
media o açude
em que mergulhava
as léguas marinhas
nas ondas derramadas
afogavam os açudes
que trazia na alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.